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Onça-pintada pode ter atacado galinheiro duas vezes em 24 horas

Morador relatou aparições; especialistas explicam o porquê de armadilhas serem montadas no Jardim Botânico

Por Vívia Lima e Michele Meireles 

09/05/2019 às 19h42

Nove galinhas foram encontradas mortas (Foto: Divulgação/PM)

A equipe de monitoramento da comissão interistitucional, que coordena os trabalhos em relação à onça-pintada, avalia a possibilidade de que o animal tenha atacado um galinheiro por duas vezes entre quarta (8) e quinta-feira (9). A segunda investida teria ocorrido cerca de 24 horas após um primeiro ataque no mesmo local.

Durante a tarde desta quinta, a Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) divulgou que policiais militares de Meio Ambiente e integrantes da equipe atenderam uma ocorrência durante a madrugada, pela segunda noite consecutiva. Por volta das 5h, os profissionais estiveram na casa de um idoso, de 73 anos, no Bairro Parque das Torres, na Zona Norte, que seria proprietário do local onde o felino estaria atacando galinhas. Segundo ele, antes de a equipe chegar, no entanto, o animal havia retornado para a mata.

Foi realizada vistoria no endereço e o proprietário foi orientado em caso de reaparecimento do animal. Ainda conforme a universidade, o segundo relato contundente do mesmo proprietário sobre o ataque e a verificação de pegadas no local, além de o fato de a área ser próxima à Mata do Krambeck, levaram a equipe a considerar a provável ação do felino.

Na madrugada de quarta, nove galinhas foram mortas, possivelmente pela onça. Pelo menos é o que disse à Polícia Militar o dono do galinheiro. Segundo o boletim de ocorrência, os militares foram acionados por volta das 5h20, quando faziam patrulhamento entre o Terminal Rodoviário Miguel Mansur e o Distrito Industrial. Eles integravam uma equipe que estava de prontidão caso houvesse algum chamado relativo à onça-pintada.
No local, o idoso disse aos policiais que suas galinhas estavam muito agitadas durante a madrugada. Por esta razão, ele resolveu pegar uma foice e ir ao galinheiro verificar o que estava acontecendo, por volta das 4h30. Segundo consta na ocorrência policial, quando o morador chegou ao quintal, avistou a onça saindo do galinheiro e indo em direção a um matagal que fica nos fundos de sua propriedade. Nove galinhas estavam mortas.

Comportamento e cardápio

Apesar de essa ter sido a primeira vez que a onça possa ter andado uma distância maior da área onde ela já havia sido flagrada, o analista ambiental do Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Mamíferos (Cenap/ICMBio), Paulo Roberto Amaral, que integra a equipe de monitoramento do felino, afirmou que esse tipo de comportamento é comum. “É um animal solitário, territorialista e que busca sempre a expansão de seu território. Ela é oportunista e, nesta situação urbana, encontra empecilhos para se expandir, como as ruas e veículos, por exemplo. Ela entrou no galinheiro e, com fome, achou uma possibilidade de se alimentar por não se sentir ameaçada. Matou algumas galinhas e as levou a uma distância de 20 a 30 metros para comer”, garantiu ele.

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Apesar de a última refeição do felino provavelmente ter sido as galinhas, o analista ambiental aponta que, durante esses dias, na Mata do Krambeck, a onça deve estar se alimentando de capivaras, pacas, jacus e carcaças de animais mortos que ela encontra na beira no Rio Paraibuna e fazem parte da fauna local. “O ser humano não faz parte do cardápio da onça, mas não podemos descartar a possibilidade de ataque caso ela se sinta acuada”, destacou Paulo Roberto Amaral, reforçando que não se deve aproximar do felino para fazer fotos e vídeos, pois, apesar de parecer manso, trata-se de um animal silvestre.

Armadilhas no Jardim Botânico

Desde a primeira aparição da onça fora do Jardim Botânico da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), a população tem questionado o fato de as armadilhas montadas para prender a onça estarem localizadas apenas no Jardim Botânico. A explicação, conforme Paulo Roberto, rem relação com o ponto de segurança do animal, que é a Mata do Krambeck. Por isso, as armadilhas são montadas apenas nesta área.

Além disso, a equipe técnica defende que há mais segurança e probabilidade mais alta de captura no Jardim Botânico. “O animal se apresenta com mais frequência e regularidade, inclusive de horário, no Jardim. A instalação de armadilhas nas rotas usadas pela onça-pintada é mais eficaz e segura”, explicou o professor, acrescentando que as armadilhas precisam ser fincadas na terra, e “por isso foram montadas dentro do espaço que o animal fica em maior tempo”.

Os profissionais têm usado um método inovador com monitoramento 24 horas por dia feito com auxílio de câmeras de segurança. Em duas das armadilhas, duas câmeras transmitem imagens ao vivo por celular para a equipe, que pode atuar com mais agilidade. Conforme Amaral, a captura de animais como este acontecem em períodos longos, chegando a 30 dias. “Estou aqui há oito dias, e a situação de Juiz de Fora está dentro do esperado. Não é fácil pegar esse animal. A onça é esperta, e se identificar a ação humana, pode fugir”, avaliou.

A opção adotada é o uso de armadilha que tem um laço camuflado no chão. Ao pisar em uma alavanca, o laço é acionado, e um receptor de sinais sonoros altera a frequência captada pelo receptor, que fica na sala de monitoramento da equipe, que se desloca até o animal. Outras três novas armadilhas passaram a integrar o circuito, totalizando seis dispositivos. Na quarta, a equipe também foi reforçada por outros três profissionais especializados em comportamento de mamíferos e com alta experiência em captura de animais silvestres.

Tópicos: onça-pintada

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