Tópicos em alta: sergio moro / dengue / polícia / reforma da previdência / bolsonaro

Recepcionista de hotel conta como ficou frente a frente com a onça-pintada

Armadilha de laço será usada na primeira tentativa de capturar o felino

Por Fabiane Almeida, estagiária sob a supervisão da editora Marise Baesso

03/05/2019 às 20h04- Atualizada 03/05/2019 às 20h23

Animal foi novamente fotografado nesta quinta-feira (Foto: Pedro Nobre/UFJF)

Além das imediações da Mata do Krambeck, a onça também foi flagrada em frente a um hotel na Avenida Brasil, na altura do Bairro São Dimas, próximo ao terminal rodoviário, em Juiz de Fora. Ela foi vista por Nielson Luiz Dias, 40 anos, que trabalhava como recepcionista do lugar durante a madrugada. A aparição aconteceu por volta das 2h30 do dia 26 de abril, sendo registrada pela câmera de segurança do estabelecimento. As imagens só vieram a público depois que foram parar nas redes sociais, atraindo curiosos.

Nielson diz que tem observado as câmeras de segurança, mas animal não voltou a aparecer. (Foto: Arquivo Pessoal)

“Eu estava sentado no sofá, tinha desligado a televisão e escutei um barulho diferente. Achei que era um cliente que estava chegando, mas o barulho ficou mais forte porque veio do lixo. Então fui lá fora ver se era um cachorro ou alguém que estava mexendo na lixeira. Quando cheguei perto da porta, vi um vulto de gato passando, mas não é normal um gato tão grande assim e fui conferir. Olhei o estacionamento, embaixo dos carros e vi ela na rua, um pouco mais abaixo do hotel. Ela chegou perto do cachorro (que mora na vizinhança), perto do portão querendo brigar, saiu e voltou no cachorro. Depois ela voltou no estacionamento, me afastei e fiquei olhando da porta. Ela parou e ficou me olhando por uns 30, 40 segundos, pegou o rumo para o Rio (Paraibuna) e sumiu. Ela deu sorte, porque, quando começou a andar, passou um carro na pista. Fiquei até preocupado, mas deu tempo de ela passar.” Nielson contou que não conseguiu visualizar se a onça entrou no rio por conta do mato alto da margem. Segundo ele, o comportamento da onça era tranquilo. Ele estima que o animal tenha cerca de um metro de altura.

Tendo observado um rastro molhado deixado pelas patas da onça no asfalto, o recepcionista acredita que ela teria vindo através do Rio Paraibuna. “A minha percepção, por estar acostumado a viver na roça, é que ela estava caçando. Como ali tem muita capivara, ela deve ter dado o bote errado e caiu dentro do rio. Com isso, a correnteza a trouxe para o lado de cá e, como o mato da margem é muito alto, ela achou que estava no habitat dela e se deparou com o asfalto. Assim como o ser humano, ela é muito curiosa, atravessou e foi ver o que era aquilo.” Desde esse dia, Nielson tem observado as câmeras de segurança, mas diz que o animal não voltou a aparecer.

Segundo o recepcionista, o acontecido despertou a curiosidade de hóspedes, e algumas pessoas até chegaram a ligar ou ir ao hotel para conferir se o vídeo que circulava nas redes sociais era verdadeiro. “Eu nunca imaginei que veria o animal pessoalmente. Eu sou de Oliveira Fortes, já cheguei a ver lobo guará, mas uma onça na cidade é muito difícil”, conta e diz não ter sentido medo, apenas curiosidade em avistar o felino em um lugar tão inesperado. Na época, Nielson não chegou a avisar as autoridades por acreditar que era um episódio isolado.

O conteúdo continua após o anúncio

Armadilha de laço será usada na captura

Nesta sexta-feira (3) as armadilhas para a captura da onça começaram a ser montadas. Para esse trabalho, quatro armadilhas de laço devem ser instaladas no solo e, caso não funcionem, pode ser usada armadilha de caixa. Após a captura, o felino deve ser levado para uma área florestal ampla, considerada adequada para a reprodução da espécie. O destino escolhido ainda não foi divulgado.

Segundo a UFJF informou à Tribuna, não deve ser difícil capturar o animal, apesar de não ser um processo simples. Mesmo ele tendo sido avistado com certa frequência, essa facilidade precisa ser subestimada. O laço foi posicionado nos locais onde a onça tem sido avistada, mas, por circular por várias rotas, serão feitas escolhas estratégicas de localizações ou colocadas iscas para atrair o animal.

Depois de implantadas as armadilhas, os profissionais devem monitorar a distância para não intimidar o animal. Quando a onça passar pelo local e tiver a pata presa pelo laço, um transmissor será acionado. Depois de capturada, a onça será anestesiada e passará por um atendimento veterinário, onde farão a recolha de material sanguíneo, medição, pesagem e identificação do sexo. O felino também irá receber uma coleira de monitoramento via satélite. Caso esse modelo de armadilha não funcione, a equipe deve optar por uma armadilha de caixa, apesar da desconfiança que as onças, tanto a pintada quanto a parda, costumam demonstrar a esse tipo de artifício. A escolha depende da motivação do animal a entrar no lugar onde a armadilha foi montada.

O animal vem sendo monitorado desde 26 de abril, dia seguinte à primeira visualização do felino por um vigilante do Jardim Botânico. Quem lidera o monitoramento é o professor Artur Andriolo, do Departamento de Zoologia, acompanhado do professor Pedro Nobre, que tem conseguido capturar imagens do animal durante a noite. O animal foi avistado pela última vez nesta quinta-feira, após a chegada do biólogo Rogério Cunha e o veterinário Paulo Roberto Amaral, do Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Mamíferos Carnívoros (Cenap).

Tópicos: onça-pintada

Receba nossa
Newsletter

As principais notícias do dia no seu e-mail



Os comentários não representam a opinião do jornal; a responsabilidade é dos autores das mensagens.
A Tribuna reserva-se o direito de excluir postagens que contenham insultos e ameaças a seus jornalistas, bem como xingamentos, injúrias e agressões a terceiros.



Leia também

Desenvolvido por Grupo Emedia