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Vizinhos do Jardim Botânico recebem orientação sobre onça-pintada

Fezes do animal estão em análise no Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Mamíferos Carnívoros (Cenap/ICMBio) a fim de buscar sua origem populacional

Por Gabriel Ferreira Borges

29/04/2019 às 20h20- Atualizada 30/04/2019 às 12h42

Reunião-Líderes-Comunitários-Moradores
Encontro é o primeiro entre representantes da comunidade acadêmica e moradores dos bairros vizinhos ao Jardim Botânico a respeito do monitoramento da onça-pintada (Foto: Fernando Priamo)

Militares do Corpo de Bombeiros e da Companhia de Polícia Militar de Meio Ambiente, junto a membros da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), reuniram-se, nesta segunda-feira (29), na Igreja Santa Terezinha, para orientar os moradores dos bairros Alto Eldorado, Centenário, Eldorado, Nossa Senhora das Graças e Santa Terezinha a respeito do comportamento da onça-pintada localizada no Jardim Botânico. O encontro foi articulado pela direção do Jardim Botânico, uma vez que mantém diálogo com a comunidade do entorno.

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“Há uma calmaria, mas existe, também, questionamentos. Embora o olhar de muitos seja de que a onça está no seu habitat, algumas pessoas se preocupam”, relata Nilza Gaudereto, presidente da Associação de Moradores do Bairro Santa Terezinha. “Muitos pensam que, se o animal permanecer na mata, não há perigo algum.” O desejo pela permanência do felino no Jardim Botânico foi manifestado também por parte dos presentes, embora aflições rotineiras fossem questionadas em razão da proximidade das residências ao Jardim Botânico. “Buscamos esclarecimentos sobre como o animal age, quais os seus hábitos, etc. Aguardamos maiores informações já que (os especialistas) têm maior experiência.”

Vice-presidente da Associação de Moradores do Bairro Centenário, Hélio Inácio Magalhães discursou ao encontro de Nilza; a permanência deve ser considerada. “Nós é que estamos invadindo o seu espaço. Como o Jardim Botânico está entrando no espaço da onça, deveria se adaptar, como colocar grades ou, então, fazer uma área para que possamos vê-la. A onça não ataca ninguém.” Dos responsáveis pelo monitoramento da espécie por armadilhas fotográficas, Artur Andriolo, professor do Departamento de Zoologia do Instituto de Ciências Biológicas (ICB) da UFJF, entretanto, ressalva. “O Jardim Botânico, mais a Mata do Krambeck, é insuficiente para o animal. É uma espécie que necessita cerca de 100 quilômetros para caminhar.”

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Acompanhamento da onça-pintada

Informações colhidas sobre a onça-pintada, conforme o professor Artur Andriolo, em até uma semana, serão suficientes para embasar eventual decisão sobre a permanência ou o deslocamento da espécie. Amostra das fezes do felino foram levadas por Elildo Alves de Ribeiro Carvalho Junior, analista ambiental e biólogo do Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Mamíferos Carnívoros (Cenap/ICMBio), para Atibaia (SP), a fim de analisar o DNA em busca de identificar sua origem populacional. “Salvo engano, vão fazer a análise de elementos presentes nas fezes, como ossos, pelos e penas, isto é, quaisquer achados que indiquem a alimentação mais recente do animal.”

Para monitorar o felino, entretanto, é desnecessário o contato presencial com a onça-pintada, conforme Andriolo. “Não buscamos contato direto. Logicamente, estamos monitorando as áreas onde o animal deixa rastros para encontrar mais informações de fezes, pegadas, e assim por diante. As armadilhas fotográficas nos dão somente informações sobre determinados lugares. Caminhando por outras áreas, encontramos outras informações.” Além do especialista, a pró-reitora de Extensão, Ana Lívia Coimbra, participou do encontro.

Reuniões
Durante esta segunda, reuniões ocorreram entre integrantes da UFJF e de setores do meio ambiente para relatar as informações colhidas neste fim de semana. Já nesta terça (30), Andriolo também apresentará, na UFJF, a integrantes de entidades ambientais e de segurança pública, tais informações. “Estarei disposto a complementar coisas que não foram suficientemente divulgadas. As informações são bastante simples. Não estão extremamente elaboradas. Temos informações sobre rastros e pegadas. Estamos refletindo sobre o comportamento do animal dentro da área, quando e como ele pode estar a ocupando”, explica Andriolo.

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