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Como será o amanhã? Escritora Juliana James responde

Leia o sétimo texto da seção “Como será o amanhã?” com utopias para tempos distópicos


Por Tribuna

24/04/2020 às 06h55

Seja amor

por Juliana James

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Fazia frio naquela manhã. A casa estava silenciosa. Levantei da cama sem fazer barulho para não acordar meu marido que dormia tranquilamente enrolado no edredom.
Fui até o quarto do meu filho, a luz da TV revelava que ele havia dormido com o filme rodando.
Desliguei a TV, vesti uma roupa quentinha e chamei a Naná que latiu animada sabendo que iríamos para a rua. Havia passado tanto tempo, tantos acontecimentos… Tristeza, medo, esperança, resiliência, solidariedade, gratidão.
Queria ser a primeira a sair de casa, apreciar o recomeço.
Pelo caminho fui cruzando com algumas pessoas desconhecidas que me olhavam sorrindo de um jeito tão honesto e bondoso que me sentia abraçada por elas! Vi gente estendendo lenços brancos nas janelas, acenando com alegria, como se estivessem agradecendo pelos primeiros raios de sol naquela manhã de inverno.
Entre os barulhos da cidade, havia música e gente comentando sobre um tanto de coisa boa que havia acontecido nos dias mais difíceis. Histórias de pessoas que foram ajudadas, de gente que estendeu a mão quando o outro mais precisava.
O semblante das pessoas que eu encontrava tinha uma ternura e a energia boa que pairava no ar era quase palpável.
Resolvi voltar pra casa. Naná ia feliz na frente sorrindo para todos, que se alegravam com sua presença. Estava mesmo tudo diferente! Pensei então que deveria ser verdade o que foi mostrado na TV, nos jornais e na internet nos últimos dias. Depois de tanto tempo em isolamento, vivendo de incertezas, privações, medo, perdas em todos os níveis, parte de nós havia se reinventando para um novo mundo e assumido seu lado mais humano e esses agora iriam contaminar o mundo com amor, paz, solidariedade, empatia, esperança, respeito e tudo aquilo que muitos de nós havíamos sonhado há tempos…
Cheguei ao portão de casa com uma sensação de paz e tranquilidade, com a certeza de que com amor nós podemos mudar a nossa caminhada e a de todos a nossa volta. Seja amor.

Juliana James é pedagoga, dramaturga, professora e escritora, autora de, entre outros, “Qual a cor da sua vida?” (Giostrinho, 2013), “Quem mora ao lado?” (Franco Editora, 2015) e “Céu de outono” (Edição do autor, 2018). Nasceu, vive e trabalha em Juiz de Fora.

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