Professor e músico: saiba quem era a vítima da tragédia com marquise no Centro

Velório de Thiago Ramon acontece desde a manhã desta sexta-feira, na capela 1 do Cemitério Parque da Saudade; sepultamento ocorre à tarde


Por Pâmela Costa

22/11/2024 às 12h10- Atualizada 22/11/2024 às 19h59

Professor e músico: saiba quem era a vítima da tragédia com marquise no Centro
Thiago Ramon deixa esposa, dezenas de alunos, três irmãos e familiares (Foto: Reprodução Redes sociais)

Era uma quinta-feira como outra qualquer, quando o professor e músico Thiago Ramon, 38 anos, estacionou sua moto na Rua Floriano Peixoto, no Centro de Juiz de Fora, e ia para o Conservatório Estadual de Música Haidée França Americano (CEMHFA), onde daria aula de música às 15h40. A rotina do docente, que lecionava no local todas as segundas, quartas, quintas e sextas-feiras pela tarde, desta vez foi interrompida pela queda de uma marquise, que ocorreu justamente no momento em que ele passava.

O velório acontece desde a manhã desta sexta-feira (22), na capela 1 do Cemitério Parque da Saudade. O sepultamento está programado para ocorrer a partir das 14h.

A tragédia aconteceu em um prédio localizado na Rua Floriano Peixoto, número 171, próximo à esquina com a Rua Batista de Oliveira. Quando a estrutura de concreto caiu, algo que levou segundos, Thiago, o único pedestre no local naquele momento, foi atingido com um golpe fatal na cabeça.

Além de vítima deste acidente – que possui a responsabilidade apurada, uma vez que o imóvel em questão não possuía Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros (AVCB), uma das licenças que atestam as condições de segurança nas edificações, e nem laudo de estabilidade – Thiago era também filho, irmão de três pessoas, tio de quatro crianças, esposo de Arielly Rayssa, professor de muitos jovens, músico e líder de louvor na Igreja Caverna do Rock.

tragedia marquise foto leonardo costa
Local da tragédia permanece interditado nesta sexta-feira (Foto: Leonardo Costa)

De aluno a professor de música

No Conservatório (CEMHFA), Thiago fez curso técnico em guitarra e, mais tarde, tirou sua licenciatura em música pela Universidade Federal de Juiz de Fora. Em 2020, ele retornou ao local onde aprendeu seus riffs, desta vez, como professor de guitarra, história da música e história da arte.

A professora de canto lírico e assessora de comunicação do conservatório, Júlia Jorge, conta que esteve presente nessas duas etapas tão diferentes da vida de Thiago. “Ele foi meu aluno e depois de formado se tornou meu colega de trabalho, na mesma disciplina, informática da música. Um rapaz íntegro e um excelente profissional”, relembra. Ela conta também que chegou a ser professora e colega de trabalho da esposa de Thiago, também musicista e com quem estava casado há 11 meses. 

Ana Luísa, 26 anos, ex-aluna de Thiago, revela que além de habilidoso, a preocupação com os alunos era prioritária. “Ele tentava trazer coisas novas e diferentes para as aulas. Ensinou pra gente um pouco de produção musical, saindo do escopo das aulas, porque nós (alunos) pedimos. Da mesma forma foi com a disciplina de teoria musical, que ele saía do objetivo da aula para passar o que os alunos queriam. Ele ouvia a gente e as aulas dele eram as melhores”, diz Ana. 

Evelise Alvarenga, diretora do CEMHFA, falou à reportagem que o trabalho de Thiago fez a diferença. “Responsável, dedicado, atencioso, muito talentoso e que é um orgulho da instituição”, destaca, à medida que acrescenta que “ele lecionava para alunos de todas as idades, crianças, jovens, adultos e idosos – e com certeza fez a diferença na vida de todos que o tiveram como professor”, finaliza.

Ações sociais e atividade em igreja ao lado da esposa

Thiago também era membro ativo da igreja Caverna do Rock. No local, ele tocava guitarra enquanto sua esposa cantava. Como parte de seu trabalho junto ao cristianismo, ele participava de ações sociais, como a distribuição de refeições à noite para as pessoas em situação de rua. O pastor da igreja que ele frequentava, Simon Caverna, postou um vídeo de pesar. Também emitiram nota de luto a Superintendência Regional de Juiz de Fora e a Prefeitura de Juiz de Fora.

Uma amiga da família, com quem a Tribuna conversou, destacou que “ele era uma pessoa maravilhosa e querido por todos.” A reportagem questionou se o proprietário do imóvel onde a marquise caiu procurou a família para prestar algum tipo de assistência. Contudo, segundo a mesma, somente amigos e familiares estão prestando apoio até o momento.

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