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Como será o amanhã? Poeta Renata de Aragão Lopes responde

Leia o terceiro texto da seção “Como será o amanhã?” com utopias para tempos distópicos

Por Tribuna

17/04/2020 às 06h55- Atualizada 17/04/2020 às 07h37

a manhã

por Renata de Aragão Lopes

quando, depois de tantas noites,
o sol me convidar à rua,
talvez, por hábito, eu ainda me cubra,
talvez, por ímpeto, eu saia nua,
mas o mais provável
é que eu chore
por largar minha casa,
que me cuidou sob asas,
por voltar ao passeio
: meu chão.

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andarei pela cidade
não como quem passa.
serei estrangeira
com motivos para ficar.
irei a igrejas, museus e feiras.
visitarei minha praça preferida
como se fosse outro lugar.
e verei amarelo o ipê
antes das flores
: a cor dentro do olhar.

e, ao me aproximar de você,
sei que o sol estará sob nuvens,
para que fiquemos a sós.
conhecerei você finalmente,
mesmo que já conheça
sua história, rosto e voz.
e amarei você novamente,
toda vez pela primeira vez.
tudo antes terá sido sonho
: deixarei o sono de mais de um mês.

2 de abril de 2020

Renata de Aragão Lopes é advogada, servidora pública federal e escritora, autora de, entre outros, “Doce de Lira” (Funalfa Edições, 2012) e “Queria ficar por aqui” (Chiado Books Kids, 2019). Nasceu, vive e trabalha em Juiz de Fora.



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