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Como será o amanhã? Escritora Magda Trece responde

Leia o segundo texto da seção “Como será o amanhã?” com utopias para tempos distópicos

Por Tribuna

16/04/2020 às 06h55


Janelas

por Magda Trece

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Amanhã serei acordada por suaves batidas de borboletas coloridas na vidraça da minha janela.
Os passarinhos da Cinderela estarão perfilados no peitoril, cantando a mais linda canção já ouvida na Terra.
Amanhã, um arco íris vai derramar suas cores nas flores, no céu e no sol, bem diante dos meus olhos… através da minha janela…e o indecente laranja escorrerá pintando um pôr do sol jamaaaaais visto.
Amanhã, eu assistirei o vento maroto desarrumando o cabelo das árvores e tirando para dançar folhas cansadas e secas jogadas ao chão… ahhhh… e elas dançarão como se fosse a última valsa de suas vidas…e em seguida, ele vai tirar o meu fôlego, acariciando meu rosto…e eu me entregarei de olhos fechados à força do vento, deixando ele me levar para o mundo da imaginação, onde há fadas de luz, onde a dor não existe, onde o bem já venceu o mal.
Amanhã, eu sentirei a provocação do cheiro do café vindo do vizinho, como um convite para um abraço…e o meu coração indomável abraçará o coração dele, antes mesmo que eu possa fazê-lo…
Quero dormir mais cedo, pois amanhã eu tenho muitas possibilidades para desvendar, da janela da casa da minha mãe.
Mas… e se amanhecer chovendo?
E… se o mundo ainda estiver cinza e triste?
Se amanhecer chovendo… as borboletas e passarinhos estarão gratos pelo delicioso banho de chuva.
O arco-íris virá com muito mais força e cor.
O vento? Ele virá mais frio, mas me levará, assim mesmo, para o mundo da imaginação, onde as fadas estarão brincando de amarelinha nas poças da água da chuva.
Amanhã, se amanhecer chovendo, eu farei um pão de queijo para que meu vizinho saiba que eu estou me preparando para um dia tomarmos nosso café juntos, onde nossos abraços serão demorados, encostando um coração ao outro…
Agora…se o mundo amanhecer cinza e triste, cantarei debruçada na janela e o vento maroto levará meu canto a cada coração triste, convidando-os para a mais linda serenata feita por corações esperançosos… e quando a noite chegar, as janelas se iluminarão como um enooooorme pisca pisca natalino, anunciando a chegada de um novo tempo…tempo de amor e de caridade… e nós estaremos felizes por um dia de paz, regado a café com pão.

Magda Trece é pedagoga, contadora de histórias e escritora, autora de, entre outros, “O livro amarelo” (Funalfa Edições, 2008), “Vó Filó: a caçadora de maravilhas” (Griphon Edições, 2015) e “Nasce uma estrela” (Griphon Edições, 2018). Nascida na cidade mineira de Mar de Espanha, vive e trabalha em Juiz de Fora.



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