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Sobe para 19 o número de casos suspeitos de intoxicação por dietilenoglicol

Pessoas que ingeriram cerveja da Backer desde outubro devem procurar unidades de saúde


Por Marcos Araújo

17/01/2020 às 19h54

Dezenove casos suspeitos de intoxicação exógena por dietilenoglicol foram registrados pela Secretaria de Estado de Saúde (SES-MG), conforme divulgado pela pasta nesta sexta-feira (17). O novo caso contabilizado no boletim da SES é relacionado a um homem do município de Capelinha, na região Nordeste de Minas Gerais. No entanto, não foram repassados detalhes sobre ele, como idade ou data de início dos sintomas.

Do total, 17 pacientes são do sexo masculino e duas do feminino. Quatro casos foram confirmados, e os 15 restantes continuam sob investigação, uma vez que apresentaram sinais e sintomas com relato de exposição à substância após consumo da cerveja Belorizontina, da Cervejaria Backer. Quatro casos evoluíram para óbito. Um desses óbitos está entre os quatro casos em que foi confirmada a presença da substância dietilenoglicol no sangue. Trata-se do bancário aposentado de Ubá, Paschoal Demartini Filho, 55 anos, que faleceu em Juiz de Fora no último dia 7, depois de permanecer internado na Santa Casa.

Já os outros três óbitos estão entre os 15 casos em investigação. Trata-se de um homem, que faleceu em no último dia 15, em Belo Horizonte; um homem, que faleceu nesta quinta (16), em Belo Horizonte; e uma mulher, que faleceu em 28 de dezembro, em Pompéu, no Centro-Oeste de Minas. Estes pacientes estão entre os casos suspeitos e a confirmação sobre a causa da morte depende do resultado de análises laboratoriais.

Em BH, 16 pessoas que ingeriram Belorizontina procuraram atendimento

Nesta sexta-feira (17), em entrevista coletiva à imprensa, autoridades de Saúde ligados à SES afirmaram que as pessoas internadas com suspeita de intoxicação pelo dietilenoglicol, com sintomas da síndrome nefroneural, estão em estado grave e correm risco de morte. Além disso, todas as pessoas que consumiram as cervejas Belorizontina e Capixaba, da Cervejaria Backer, desde outubro, devem procurar uma unidade médica caso se sintam mal e devem ser observadas. A informação foi divulgada pelo superintendente da Vigilância Sanitária de Minas Gerais, Filipe Laguardia, ao jornal O Tempo. “A rede de saúde do estado já está preparada para atender essas pessoas”, afirmou Laguardia ao jornal da capital. O subsecretário ainda ressaltou que o número de casos da síndrome nefroneural causada pela ingestão de cerveja contaminada pode aumentar, já que outras 16 pessoas que teriam ingerido a cerveja Belorizontina no período teriam procurado a rede municipal de Saúde de Belo Horizonte.

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De acordo com a assessoria da SES, ainda durante a conversa com os jornalistas, Laguardia apresentou uma linha do tempo com todas as ações desenvolvidas pelo sistema público de saúde. “O Centro de Informações Estratégicas em Vigilância em Saúde do Estado de Minas Gerais (CIEVS-MINAS), que funciona 24 horas por dia recebendo notificações de agravos, recebeu em 30 de dezembro a primeira notificação de caso de insuficiência renal aguda e alterações neurológicas de etiologia até então a esclarecer. Posteriormente, com o registro de novos casos, a Vigilância Sanitária e a Vigilância Epidemiológica foram a campo para investigação, fazendo coleta de alimentos e avaliando as possibilidades de doenças infecciosas ou alguma intoxicação exógena”, explicou Filipe Laguardia.

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O Superintendente de Vigilância Sanitária explicou, ainda, que em 9 de janeiro a confirmação da presença de dietilenoglicol nas amostras de sangue de pacientes fortaleceu a suspeita de intoxicação por essa substância. “Diante disso, a SES imediatamente elaborou nota técnica voltada a todos os profissionais de saúde com o objetivo de orientá-los quanto ao tratamento”, afirmou Filipe Laguardia.

Site

Ainda nesta sexta, com o objetivo de organizar as informações sobre a intoxicação exógena por dietilenoglicol, a Secretaria de Estado de Saúde (SES) criou um site onde serão postadas todas as informações pertinentes ao agravo de saúde. Todos os boletins, notas técnicas, apresentações e demais documentos serão publicados no endereço www.saude.mg.gov.br/intoxicacaodeg. A publicação dos boletins também será mantida no próprio site da pasta: www.saude.mg.gov.br.

Como identificar casos suspeitos

Ainda conforme o que foi divulgado pela SES, está definido como caso suspeito todo quadro de indivíduo residente ou visitante de Minas Gerais que ingeriu cerveja da marca Backer a partir de outubro de 2019 e iniciou, em até 72 horas, sintomas gastrointestinais (náuseas e/ou vômitos e/ou dor abdominal) associados a, pelo menos um dos seguintes quadros: alterações da função renal, sinais e sintomas neurológicos (paralisia facial, borramentovisual, amaurose, alterações de sensório, paralisia descendente e crise convulsiva).

O secretário adjunto da SES, Marcelo Tavares, destacou que a instituição vem empenhando-se para atuar de modo a atender às necessidades características da atual situação. “Já foi feito contato com a Polícia Civil para que seja feita a transferência para a Fundação Ezequiel Dias (Funed) da tecnologia necessária para investigar a presença de dietilenoglicol. Essa transferência tornará mais ágil o processo de investigação realizado por parte da secretaria”.

Sindicato divulga lista de empresas que declaram não usar substâncias

Em nota publicada nesta sexta, o Sindicato das Indústrias de Cerveja e Bebidas em Geral do Estado de Minas Gerais (Sindbebidas) informou os nomes de cervejarias associadas ao órgão que declaram que não usam o dietilenoglicol ou monoetilenoglicol em seus processos e afirmam o compromisso de continuar não usando. Além disso, as empresas aprovam resoluções que regulamentam o uso exclusivo de substâncias de grau alimentar nos sistemas de refrigeração das fábricas (confira).

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