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Cinco contos sobre a onça feitos por escritores locais

A arte inspira a vida, e a onça inspira a arte: Tribuna convida escritores para criarem narrativas sobre o animal que movimentou a cidade nas últimas semanas

Por Mauro Morais

18/05/2019 às 16h59- Atualizada 18/05/2019 às 18h24

Ilustração: Monique Oliveira/Riso Leve

“Foi no tempo da onça!”, “Fulano é amigo da onça!”, “Nossa, que bafo de onça!”, “Agora é hora da onça beber água!”, “Vou cutucar a onça com a vara curta!”. Ainda que símbolo das Américas, a onça-pintada existe mais na linguagem do que nas vistas dos brasileiros. Em Juiz de Fora, existia, até que um exemplar da espécie em extinção foi registrado, pela primeira vez, no recém-inaugurado Jardim Botânico da UFJF, em Santa Terezinha. Durante pouco mais de duas semanas, o animal ganhou popularidade e tornou-se alvo das maiores curiosidades da cidade. Virou uma estrela. E encantou-se no último domingo, 12, quando foi capturada e levada, pelo Instituto Estadual de Florestas (IEF), a uma área florestal distante da área urbana.

Temida e admirada, indicadora de qualidade ambiental e também das destruições do homem, a onça é presente no imaginário do brasileiro e, sobretudo, nas narrativas afetivas. Maria Apparecida Bruck, aos 82 anos, preserva um caderno já com as marcas do tempo, onde registrou com a própria letra as histórias que o pai contava antes de ela dormir. Tramas como a da Sá Onça que cria um açude e permite que toda a fauna se divirta no lugar, exceto o Seu Coelho. Esperto, o animal saltitante se lambuza de mel e gruda folhas secas no corpo, despistando o felino e entrando na água. Ou o caso do coelho que aposta com os outros bichos que faria da onça seu cavalo. Num dia de festa, todos seguem, menos o coelho, que se faz de vítima e diz sentir fortes dores, numa tristeza de dar dó. Sensibilizada, a onça se oferece para carregar o coelho, que, esperto, consegue levar um arreio e um chicote, vencendo a aposta.

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“Nunca senti medo”, diz Maria Apparecida. “A onça, para mim, representava um bicho bravo, mas preguiçoso, porque nas histórias ela levantava tarde e o coelho levantava cedo. Hoje entendo que ela é um animal noturno, mas desde a infância aprendi que ela não era esperta, tanto que o coelho passava ela para trás toda vez”, ri a senhora, que ao avistar o felino no noticiário retomou seu interesse em conversar as narrativas. Agora, sua irmã reescreve as histórias que rumam à posteridade. “Elas me trazem muitas lembranças. Sempre gostei de contá-las para as crianças da família”, conta, reafirmando a força de um animal cuja existência ganha outros contornos através das palavras.

Ilustração: Monique Oliveira/Riso Leve

A onça, que fez morada em Juiz de Fora e, por isso, fez barulho, retorna às páginas da Tribuna em cinco narrativas entre o riso e ácida crítica. A convite da Tribuna, escritores com diferentes atuações reverenciam o bicho que é alerta e também metáfora. Enquanto a professora e pesquisadora em comunicação Aline Andrade Pereira escreve pela ótica do animal, o escritor e professor Ulisses Belleigoli cria uma distopia na qual todo mundo vira onça, o escritor e humorista Gueminho Bernardes faz uma crônica em defesa do bicho, e o escritor e músico Knorr traça uma crítica social a partir da vizinha onça. Já o professor, publicitário e dramaturgo Tarcízio Dalpra Jr. escreve uma narrativa sobre homens às voltas com a caça, baseando-se na experiência mental do Gato de Schrödinger, que demonstra que a presença ou ausência de um gato pode depender da observação. E da onça, era preciso ver para crer?

Confira as crônicas: 

Tópicos: onça-pintada

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