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Ameaça feita por aluno via WhatsApp leva polícia à UFJF

Estudante do curso de medicina veterinária enviou mensagem aos colegas dizendo que iria armado à aula

Por Daniela Arbex

29/10/2018 às 17h47- Atualizada 29/10/2018 às 20h36

Pró-reitor de Graduação da UFJF, Cassiano Caon Amorim disse que episódio será apurado também no âmbito da instituição (Foto: Fernando Priamo)

A Polícia Militar foi acionada na manhã desta segunda-feira pela Reitoria da UFJF após um aluno de 21 anos, do terceiro período do curso de medicina veterinária, postar um áudio no grupo de WhatsApp dos estudantes anunciando que iria armado para a faculdade com um revólver calibre 22 na cintura. No áudio, veiculado pela primeira vez no domingo, o aluno diz que vai “meter bala” em quem fizer muita raiva nele. “Relaxa. Só quem fizer muita raiva que eu vou meter bala. Quem for meu amigo, tá de boa. Tá tranquilo. O 22 já está aqui na cintura. Amanhã eu já estou na faculdade com ela (a arma).” Ouça o áudio abaixo:

A mensagem ameaçadora foi compartilhada dezenas de vezes, deixando estudantes e professores preocupados com o conteúdo violento. A PM chegou ao campus no horário do almoço, mas o universitário não compareceu à aula, cujo início estava marcado para as 13h. Entre os estudantes do Instituto de Ciências Biológicas, o clima era de medo.

“O que ele postou pode até ser brincadeira, mas isso é fora dos limites aceitáveis”, comentou um aluno de biologia que prefere não ser identificado. Outro afirmou que a postura do aluno é muito grave, “ainda mais no atual momento político do país”, comentou.

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O pró-reitor de Graduação da UFJF, Cassiano Caon Amorim, esteve pessoalmente com a direção do curso de medicina veterinária e, em reunião com os alunos, anunciou que todas as medidas cabíveis estavam sendo tomadas pela universidade. Em entrevista à Tribuna, ele contou ter ficado surpreso com o áudio do estudante, sendo este o primeiro caso desta natureza que chegou ao conhecimento da pró-reitoria. Segundo o pró-reitor, é a primeira vez que ele recebe uma queixa contra esse aluno. Amorim disse, no entanto, que não tem conhecimento se há alguma denúncia contra ele na ouvidoria. Ele explicou que diante do áudio do estudante, a primeira ação da administração superior foi convocar uma reunião para discutir medidas sobre o episódio.

Pensamento diverso e discussão democrática

A Polícia Federal foi procurada e orientou a universidade a acionar a Polícia Militar, junto com a segurança da instituição. “Estive na faculdade, fiz uma fala com os estudantes da turma, no sentido de tranquilizá-los, informando que a universidade tomou a medida necessária de precaução. Pode ser talvez uma brincadeira de muito mau gosto, mas que a gente não pode desconsiderar a gravidade. Independente do contexto político, qualquer ação de violência ou que incite a violência é preocupante”, ponderou.

O pró-reitor lembrou que a universidade é um espaço de pensamento diverso, da convivência plural e de discussão democrática, e que qualquer ação que tente inibir essa pluralidade e a diversidade de pensamento é preocupante e inadequada. “A gente vive em um país democrático, a universidade é um espaço da pluralidade, um espaço do pensamento diverso, de fomento e defesa da democracia, não é um espaço para a gente viver sob ameaça, nem a universidade, nem lugar nenhum. É isso que a gente precisa reforçar: a não violência, a não intimidação, a coexistência pacífica e a pluralidade de ideias e diversidade de pessoas”, afirmou.

A Tribuna conseguiu localizar o estudante, mas o pai dele disse, por telefone, que a família não vai se pronunciar sobre o episódio. No final da tarde, o aluno usou novamente o WhatsApp para se desculpar pela postagem anterior. “Galera, gostaria de esclarecer algumas coisas sobre o áudio de ontem (domingo). Devido à exaltação pela vitória do candidato que apoio (o que não justifica o que falei no áudio) e, em resposta aos ataques que recebi, gostaria primeiro de pedir desculpas a todas as pessoas que se sentiram ofendidas com a minha fala. O áudio, na verdade, foi dito de forma irônica sobre o que as pessoas pensam em relação à qualquer pessoa poder andar armada caso o Bolsonaro fosse eleito, o que, na verdade, não é o que vai ocorrer. Além de eu nem ter arma, não tenho idade para tal, tenho uma família que não apoiaria essa atitude, tenho caráter e pensamento ético e moral”, escreveu nas redes sociais.

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