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Necropsia de paciente morto em JF por doença desconhecida leva mais de 6 horas

Corpo de bancário aposentado que morreu em JF será sepultado em Ubá; Polícia Civil esteve em fábrica de cervejaria em BH

Por Sandra Zanella

09/01/2020 às 17h00- Atualizada 14/01/2020 às 09h59

Durante mais de seis horas, médicos-legistas necropsiaram o corpo do bancário aposentado Paschoal Demartini Filho, 55 anos, morto na última terça-feira (7) na Santa Casa de Misericórdia de Juiz de Fora, em decorrência de parada cardiorrespiratória relacionada a uma doença desconhecida que atinge mais sete pessoas na Região Metropolitana de Belo Horizonte. Segundo a assessoria da Polícia Civil de Minas, o exame começou às 21h de quarta e terminou às 3h30 da madrugada desta quinta (9). Os trabalhos também foram realizados por peritos criminais, investigadores e técnicos da instituição. A análise dos fragmentos coletados durante a necropsia será auxiliada por um médico-legista da Universidade de São Paulo (USP), e o laudo fica pronto em até 30 dias. Paschoal será velado e sepultado no município de Ubá, a cerca de 110 quilômetros de distância, onde ele morava com a família. A previsão é de que o corpo só chegue na cidade no fim da noite desta quinta. O velório está previsto para começar a partir das 23h. O enterro está agendado para esta sexta, às 10h.

Nesta quinta, a Polícia Civil esteve na fábrica da Cervejaria Backer, em Belo Horizonte. Desde quando surgiram os primeiros sete casos da doença misteriosa – sendo um desses descartado na última quarta, quando mais dois foram notificados – surgiram rumores, sobretudo nas redes sociais, de que todos os pacientes teriam consumido cerveja da marca e que os sintomas apresentados posteriormente seriam de intoxicação por alguma substância.

Em nota, a Backer informou estar colaborando com os órgãos públicos de saúde que estão realizando perícias em todo o seu processo de produção. “No dia 7, terça-feira, a fábrica recebeu em suas instalações agentes do Ministério da Agricultura que realizaram uma inspeção completa na mesma. Autoridades de saúde investigam, igualmente, outros produtos consumidos e que possam ter provocado a hospitalização de oito pessoas, todas com os mesmos sintomas. Reafirmamos nossa confiança em todas as etapas de produção dos nossos produtos. Manteremos nossos consumidores e a sociedade em geral informada, tão logo tenhamos acesso aos laudos periciais, ora em curso.”

Além dos exames laboratoriais realizados na Fundação Ezequiel Dias (Funed), sem resultados conclusivos por enquanto, uma força-tarefa composta por técnicos da Secretaria de Estado de Saúde (SES), Secretaria Municipal de Saúde de Belo Horizonte, do Ministério da Saúde e da própria Polícia Civil atua na investigação do caso. “Ainda é muito prematuro falar em crime, visto que os laudos referentes às análises ainda não estão prontos. Em momento oportuno, a PCMG, em conjunto com as Secretarias de Saúde, divulgará informação mais detalhada”, afirmou a Polícia Civil, em nota. Enquanto a instituição trabalha no levantamento de informações para verificar se há indícios de crime, amostras de bebidas foram encaminhadas ao Instituto de Criminalística em Belo Horizonte e estão sendo examinadas.

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Buritis

Até o dia 6, foram notificadas sete ocorrências suspeitas, todas de vítimas do sexo masculino, com idades entre 23 e 76 anos. Além do morador de Ubá, um é de Nova Lima, na grande BH, e cinco são residentes na capital mineira, mas um desses casos acabou sendo descartado. Os dois últimos pacientes também são homens, de 56 e 64 anos, moradores do Buritis, bairro de classe média alta e alta da região Oeste da capital, que tem concentrado a maioria das notificações. Apesar de Paschoal ser morador de Ubá e ter sido atendido em Juiz de Fora, ele também teria contraído a doença ou sido contaminado em Belo Horizonte. Desde antes do Natal, ele esteve junto com uma filha e parentes em um condomínio no Buritis. O genro dele está entre as sete pessoas que permanecem internadas. Outro morador do mesmo residencial em que a filha de Paschoal mora no Buritis também seria um dos pacientes que apresentaram sintomas da doença ainda desconhecida.

Os primeiros sintomas são gastrointestinais, como náuseas, vômitos e/ou dores abdominais, associados a insuficiência renal aguda grave de evolução rápida (até 72 horas), seguida de uma ou mais alterações neurológicas. Conforme familiares de Paschoal, a Vigilância Sanitária de Belo Horizonte compareceu à casa da filha no início do mês e recolheu amostras de gêneros alimentícios, que foram encaminhadas para análise.

A SES confirmou monitorar os casos e investigar os aspectos clínicos, epidemiológicos e sanitários que envolvem a ocorrência. “Essa investigação abrange, inclusive, ação dos fiscais sanitários na coleta de alimentos e demais produtos, para análise laboratorial, além de vistorias nos locais de aquisição desses produtos.”

O primeiro relato de insuficiência renal aguda com alterações neurológicas foi notificado no dia 30 de dezembro em hospital privado de BH, seguido pelo homem atendido em Juiz de Fora no dia 31. Os sintomas com início mais precoce surgiram em 19 do mesmo mês. As autoridades de Saúde afirmam que não é preciso entrar em pânico, mas orienta para serem imediatamente notificados, em até 24 horas, os Centros de Informações Estratégicas em Vigilância em Saúde (Cievs), de Minas e Belo Horizonte, sobre casos ocorridos a partir de dezembro, iniciados com sintomas gastrointestinais (náusea e/ou vômito e/ou dor abdominal) associados a insuficiência renal aguda grave de evolução rápida, seguida de uma ou mais alterações neurológicas: paralisia facial, borramento visual, amaurose (perda parcial ou total da visão), alteração de sensório e paralisia descendente.



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