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Tragédias anunciadas

A falta de investimentos e topografia comprometida, alvo de invasões, contribuem para as estatísticas de mortes no período das chuvas


Por Tribuna

01/06/2022 às 07h00

Depois da tragédia de Petrópolis veio a de Angra dos Reis. Agora, já perto dos cem mortos, o país acompanha o drama da população do Recife, fruto dos temporais que assolam a capital pernambucana desde a semana passada. A maior parte das ocorrências foi registrada em áreas degradadas, de grande risco, como uma tragédia anunciada ante a falta de investimentos, sobretudo na contenção de encostas.

As chuvas de verão ocorrem no Sul e no Sudeste e já pelo meio do ano migram para o Norte e Nordeste, mas nem por isso os municípios se preparam para proteger a população. Hoje, com a atualização dos equipamentos meteorológicos, é possível fazer previsões mais seguras e de prazo mais extenso, mas as demandas das metrópoles são de longo prazo ante a falta de recursos e de projetos.

Os acontecimentos de Petrópolis eram fatos previsíveis por conta da topografia da cidade e da ocupação desordenada das encostas, muitas vezes provocada por políticos que facilitam as construções irregulares em troca de apoio nas eleições. Quando a conta chega, somente as famílias das vítimas computam o prejuízo.

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Nos gabinetes de Brasília o que se diz – e faz sentido – é que há recursos; o problema são os projetos que são barrados pela burocracia em decorrência de sua precariedade. A maior parte dos municípios brasileiros não tem técnicos para atuarem com eficácia na produção de projetos que convençam os técnicos da importância dos repasses. Os políticos costumam cortar caminho, mas são demandas de viés permanente, já que as chuvas ocorrem todos os anos e, normalmente, em períodos determinados.

A discussão desses dilemas anuais deve ser permanente das instâncias de poder e não apenas pauta de período de eleições. Em Juiz de Fora, depois de uma série de intervenções nas encostas, a cidade parou de contar vítimas de deslizamentos, mas ainda há áreas que carecem de ação, como é o caso da Rua Rosa Sfeir, que vem desafiando o poder público desde os anos 1970, quando registrou uma das principais ocorrências. O desabamento no seu topo chegou à Rua Júlio Modesto, no Bairro Vitorino Braga, causando a morte de uma família inteira, incluindo crianças.

Vários gargalos já foram resolvidos, mas o avanço da ocupação irregular urbana tem um ritmo cada vez mais acentuado, que carece de monitoramento e fiscalização. Hoje, os personagens que se beneficiam desse processo podem ser as vítimas de amanhã se não houver acompanhamento e controle em tais regiões.

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