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Governo de Minas quer reverter decisão da Mercedes-Benz

Montadora transferiu, em julho, desembaraço das sprinters que ocorria em JF para Vitória

Por Gracielle Nocelli

30/10/2019 às 07h00- Atualizada 30/10/2019 às 07h33

Após quatro meses da transferência do desembaraço das sprinters da Mercedes-Benz para Vitória, no Espírito Santo, Juiz de Fora ainda não contabilizou os impactos econômicos da medida. Apesar da ausência de números, a perda da atividade representa redução na arrecadação de impostos. Por isso, a Secretaria de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais informou que ainda pretende reverter a situação. Já a Prefeitura, também procurada, não se posicionou a respeito.

De acordo com a montadora, a transferência ocorrida em julho foi motivada por “redução de custos e eficiência logística”. A assessoria da empresa afirmou que a mudança garantiu “uma operação muito mais ágil”, por ser realizada em “um porto especializado na distribuição de veículos”. Em nota, explicou que “antes o processo de desembaraço demorava 15 dias, hoje ocorre em cerca de dois ou três”.

Anteriormente, as sprinters que chegavam da Argentina pelo Porto do Rio iam para o Porto Seco de Juiz de Fora, de onde seguiam para o processo de nacionalização na fábrica local. Informações de bastidores estimam que o direcionamento da atividade para o Porto de Vitória representou economia de R$ 120 milhões por ano para a Mercedes. Procurada pela Tribuna, a administração do Porto Seco preferiu não se manifestar sobre os impactos da decisão da empresa.

O presidente do Sindicato dos Metalúrgicos, João César da Silva, diz que a medida não representou perda de empregos na fábrica juiz-forana. “O trabalho era logístico, envolvia o setor de transportes, não de metalurgia. Por isso, a decisão não acarretou em demissões. Mas, com certeza, é uma perda para a cidade, pois interfere na arrecadação do município.” Procurada pela Tribuna, a Secretaria da Fazenda (SF) não dimensionou os impactos na receita.

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A assessoria da Secretaria de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais declarou que “mantém contato com a direção da Mercedes-Benz, e a mesma trabalha para manutenção das atividades econômicas na região da Zona da Mata”. Por meio de nota, informou que o Governo do Estado está “trabalhando para que o processo possa ser revertido em médio prazo”. No entanto, não foram detalhadas quais ações estão sendo realizadas. A Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Turismo e Agropecuária (Sedeta) do município também foi procurada, mas não retornou até o fechamento desta edição.

Debate público

A possibilidade de transferência das sprinters para o Espírito Santo foi discutida em audiência pública da Comissão do Trabalho, da Previdência e da Assistência Social da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), realizada na Câmara Municipal de Juiz de Fora, em abril deste ano. A iniciativa partiu dos deputados Celinho Sintrocel (PCdoB), que preside a comissão, Betão (PT) e Coronel Henrique (PSL).

Naquela ocasião, o prefeito Antônio Almas (PSDB) destacou a importância da montadora para a cidade e a região e a preocupação com a arrecadação de impostos oriunda da empresa. Ele também relembrou que o protocolo de intenções, firmado junto à Prefeitura, havia terminado em 2014, mas que o Poder Público estaria disposto a conversar.

Durante a instalação, entre os benefícios concedidos à Mercedes, houve doação do terreno (uma parceria entre PJF e Estado), incentivo fiscal no valor de R$ 600 mil e isenção do IPTU por dez anos.



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