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Sem planejar carnaval, JF deixa de faturar com turismo

Diferentemente de outros municípios mineiros, Belo Horizonte dá exemplo de organização e se prepara para receber 4,6 milhões de pessoas e lucrar com a folia

Por Gracielle Nocelli e Marcos Araújo

24/02/2019 às 07h00

Em 2018, o Carnaval movimentou R$ 641 milhões na capital. Este ano, a duas semanas da festividade, a rede hoteleira estava com uma média de 80% de ocupação. No comércio, 60% das empresas esperam aumento das vendas (Flávio Charchar/ Divulgação)

Cerca de 300 municípios mineiros cancelaram o Carnaval de 2019 por conta da crise econômica e o desequilíbrio nas contas públicas, ocasionado, sobretudo, pelo atraso no repasse de verbas por parte do Governo de Estado. Em Juiz de Fora, a festa será realizada em menor magnitude. Sem recursos da Prefeitura, não haverá desfile das escolas de samba, e a programação oficial contará com mais de 50 blocos que buscaram alternativas próprias para se viabilizarem. Diferente desta realidade, Belo Horizonte se prepara para viver o maior Carnaval de sua história. A expectativa é de que o evento atraia cerca de 4,6 milhões de pessoas, movimente mais de 600 milhões na economia e crie sete mil vagas de emprego.

A diferença entre a realidade belorizontina e dos demais municípios vai além da questão do porte. Para a realização do Carnaval, a Prefeitura de Belo Horizonte criou uma estrutura de organização e planejamento que envolve órgãos públicos, dirigentes de blocos e escolas e, também, o setor privado. “A principal estratégia foi trabalhar em integração com 40 órgãos públicos, para garantir segurança, limpeza urbana, fluxos de trânsito e saúde. Além disso, durante todo o ano, estamos próximos aos organizadores de blocos de rua para compreender as demandas. Outro ponto de atenção foi o fortalecimento do diálogo com as escolas de samba e os blocos caricatos, que são parte fundamental da nossa cultura carnavalesca. Nosso modelo também está ancorado em editais de patrocínio, que permitem que o setor privado invista na festa e possibilite a contratação de estruturas e pessoal sem que isso onere o orçamento público”, explica a assessoria da Empresa Municipal de Turismo de Belo Horizonte (Belotur).

O edital em questão, que é bienal e válido para os carnavais de 2019 e 2020, foi publicado em setembro do ano passado. “A proposta vencedora foi oferecida pela empresa Do Brasil Projetos e Eventos. A soma do patrocínio nos dois anos chega a R$ 27,16 milhões, o que gera uma economia significativa nos investimentos por parte da Prefeitura”, afirma a Belotur. “A cervejaria Skol assina a chancela de patrocinador master; a Uber de patrocinador; e a Do Brasil de patrocinador institucional. Também contamos com a parceria da BH Airport.”

O planejamento e a organização da Prefeitura de Belo Horizonte permitiram não só a realização do Carnaval na cidade em meio ao atual cenário de crise financeira do Estado, como também, a inserção da festa no calendário dos maiores eventos do país. Nascido em 1897 com os bailes dos clubes carnavalescos, foi nos últimos anos que o evento ganhou força e transformou a capital mineira em um dos destinos mais procurados por turistas. Em 2017, foram 149 mil visitantes. Em 2018, este número cresceu 15,7% e chegou a 173 mil. Para 2019, a expectativa é de novo crescimento. “Cada vez mais, queremos que as pessoas venham para Belo Horizonte, porque sabem que o nosso Carnaval é alegre, bem planejado, bem executado, tem liberdade, ordem e, principalmente, segurança”, declarou o prefeito Alexandre Kalil (PHS), durante coletiva de imprensa sobre a programação oficial do evento, que contará com 515 blocos de rua, desfiles de escolas de samba e oitos palcos para shows.

Folia se reverte em impactos econômicos positivos

A movimentação dos foliões vai além das ruas de Belo Horizonte e ganha dimensões econômicas. Bares, restaurantes, comércio e rede hoteleira têm aumento significativo da demanda, promovendo a geração de emprego e renda. Em 2017, o Carnaval movimentou R$ 531 milhões na capital mineira. No ano passado, a cifra subiu para R$ 641 milhões, um aumento de 20,7%. Embora a Belotur não trabalhe com projeções, a expectativa é de que o valor seja ainda maior este ano.

De acordo com o presidente da Federação de Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares do Estado de Minas Gerais (Fhoremg), Paulo César Pedrosa, a rede hoteleira chega a 100% de ocupação no período do Carnaval. “Há duas semanas para a festividade, já tínhamos dez estabelecimentos com a capacidade esgotada, e os outros estavam com a média de 80% de ocupação.” Com relação aos bares e restaurantes, ele diz que a demanda também é muito maior nos dias de festa. “Há alguns anos, muitos estabelecimentos não funcionavam. Agora, todos querem abrir as portas porque sabem que é lucrativo. O carnaval ganhou uma grande importância econômica, pois traz retorno financeiro para diferentes segmentos. Além do nosso setor, também movimenta as lojas, os shoppings, os táxis, os sistemas de transporte por aplicativo”, enumera.

A analista de pesquisa da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo de Minas Gerais (Fecomércio-MG), Elisa Castro, diz que o setor está otimista, e que mais de 60% das empresas esperam aumento das vendas em relação ao ano passado. “A permanência de moradores na cidade e a vinda de turistas para curtir as festas movimentam segmentos como vestuário e acessórios, produtos alimentícios e artigos farmacêuticos.” Estudo feito pela entidade apontou que 66% das empresas que funcionam no Carnaval irão realizar algum tipo de investimento, como aumento do estoque e treinamento dos funcionários.

Sete mil temporários

Para conseguir atender os foliões, os estabelecimentos abrem vagas temporárias. A estimativa do Sindicato dos Empregados do Comércio de Belo Horizonte e Região Metropolitana é de que o Carnaval seja responsável pela abertura de 7 mil postos em lojas, bares, restaurantes e hotéis, com salários a partir de R$ 1.200. Já o número de ambulantes cadastrados pela Belotur para comercializar bebidas e adereços durante a festa ultrapassa os 13 mil.

Em 2018, o Carnaval movimentou R$ 641 milhões na capital. Este ano, a duas semanas da festividade, o rede hoteleira estava com uma média de 80%de ocupação. No comércio, 60% das empresas esperam aumento das vendas

Carnaval segue como desafio

Devido à crise financeira, a Prefeitura de Juiz de Fora informou que não investiria no Carnaval deste ano e assumiria apenas o papel de ordenação pública, garantindo o fechamento de ruas, o desvio do trânsito, o controle dos horários dos eventos, a limpeza dos locais e a disponibilização de banheiros químicos. Diante disso, a Liga Independente das Escolas de Samba de Juiz de Fora (Liesjuf) declarou que não seria possível realizar o desfile das agremiações. Nos últimos quatro anos, esta foi a terceira vez que o evento não aconteceu. Já os mais de 50 blocos que integram a programação oficial usam recursos próprios para ir às ruas.

Na avaliação do professor do Departamento de Turismo da UFJF, Marcelo do Carmo, a dependência exclusiva do Poder Público é prejudicial à realização de grandes eventos. “Infelizmente, quando falamos de turismo, observamos uma dificuldade enorme do trabalho em conjunto. O exemplo de Belo Horizonte é bastante claro: houve uma integração de todos os lados. O prefeito vestiu a camisa, e o empresariado apoia a realização do Carnaval.” Para isso, ele destaca a necessidade de planejamento. “O ideal seria que, em março, já começássemos a pensar para 2020 e, assim, criar este envolvimento. No entanto, o que vemos aqui é o sucateamento do nosso Carnaval, que a cada ano perde mais. O que ainda existe é por conta de um esforço aguerrido de algumas pessoas, como é o caso do Zé Kodak, com a Banda Daki.”
O especialista alerta que a cidade está deixando de ganhar dinheiro. “Se não é para fortalecer a nossa festa, poderiam vender a imagem de Juiz de Fora como uma cidade de descanso, como muitos locais fazem. Infelizmente, há uma inércia, um silêncio quando o assunto é turismo.” Ele se preocupa com a realização de outros grandes eventos. “Como será feito o Festival de Música Antiga, o Minas Láctea e os eventos LGBTQ?”, indaga. “O turista precisa se preparar para viajar. Turismo é planejamento com antecedência.”

Funalfa diz que tentou articular parcerias

Zezinho Mancini,
superintendente da Funalfa (Marcelo Ribeiro/ Arquivo TM)

Destacando a importância econômica dos eventos de grande porte, o secretário de Desenvolvimento Econômico, Trabalho e Turismo, Rômulo Veiga, afirma que a cidade está ciente da necessidade de parcerias. “Desde 2017, as conversas neste sentido se intensificaram, mas Juiz de Fora ainda não está no radar das grandes empresas. É preciso fortalecer o nosso Carnaval primeiro para, então, atrair este interesse.”

Sem a possibilidade de investimentos da Prefeitura neste momento, ele acredita que o incentivo aos apoiadores é o caminho. “O poder público se manteve como estruturador e financiador do Carnaval de Juiz de Fora, mas agora não conseguiu fazê-lo por motivos que não controla, como é o caso da crise e o desequilíbrio fiscal no Estado. Neste contexto, torna-se ainda mais importante disseminar a informação de que tanto pessoas físicas quanto empresas podem apoiar projetos culturais.”

O superintendente da Funalfa, Zezinho Mancini, confirmou que, nos últimos dois anos, houve a intensificação de busca por parcerias para projetos culturais, dentre eles o Carnaval. “No ano passado, fomos para Belo Horizonte entender como era viabilizada financeiramente a festa. Vimos que as cervejarias eram o foco da Belotur na busca por patrocínio. Tentamos as cervejarias locais, mas não tivemos sucesso dos empresários entrarem por meio da Lei Rouanet. Mas vimos que muitos deles estão patrocinando os principais blocos da cidade, o que mostra que estas conversas já geraram frutos.”
Na avaliação de Zezinho, o trabalho de buscar parceiros que podem usar a lei de incentivo fiscal deve ser contínuo. “Estamos desbravando um caminho novo, que é o estímulo ao empresário, para que ele entenda que há benefício não só para a cultura, a Funalfa e a Prefeitura, mas também para o próprio negócio dele. Estimular a economia criativa é estimular o desenvolvimento da cidade, e isso reflete para todos. Na cidade, temos a Unimed-JF e o Instituto Albert Sabin que já trabalham neste sentido.”

A gestora de comunicação e marketing da Unimed-JF, Flávia Rocha, diz que há alguns anos, a cooperativa buscava meios para investir em cultura. “Estudamos o modelo do Instituto Unimed de Belo Horizonte para a realização desse tipo de evento e, no ano passado, conseguimos participar do edital da Funalfa para patrocínio do Corredor Cultural.” O diretor de relacionamento e mercado da Unimed-JF, Glauco Araújo, destaca a importância da iniciativa. “Investir em cultura é investir em bem-estar. É uma forma de deixar o dinheiro na cidade, criar vínculo com a comunidade e se tornar uma referência neste tipo de ação.” Ele destaca que não há a possibilidade de patrocinar o Carnaval. “Nós não podemos, mas temos total interesse em ampliar a parceria com outros projetos.”

Criado em outubro de 2018 Instituto Albert Sabin tem a proposta de coordenar ações de responsabilidade social em Juiz de Fora e região. “No Hospital Albert Sabin, acreditamos que as pessoas vêm em primeiro lugar, e o Instituto surge como um desdobramento dessa crença na capacidade de transformar quando nos comprometemos a olhar de uma maneira cuidadosa para o outro”, diz o diretor-presidente do hospital e diretor do Instituto Albert Sabin, Célio Carneiro Chagas. “Estamos desbravando um caminho novo, que é o estímulo ao empresário, para que ele entenda que há benefício não só para a cultura, a Funalfa e a Prefeitura, mas também para o próprio negócio”

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Integração e organização  para garantir segurança

Trabalhar para ter o melhor carnaval do país e não o maior. Essa é a motivação que faz a Prefeitura de Belo Horizonte investir nas festividades de Momo. Para tanto, a gestão aposta em um trabalho integrado e planejado com 40 órgãos municipais, estaduais, federais e privados, garantindo infraestrutura, mobilidade, limpeza e conforto. Para garantir a segurança, o Centro de Operações da Prefeitura (Cop-BH) vai trabalhar 24 horas por dia, nos sete dias da semana, com 14 instituições em uma Sala de Controle Integrada.

Para este ano, a expectativa é de que o público seja 20% maior do que o registrado em 2018. Segundo estimativa da Prefeitura, o carnaval belo-horizontino vai contar com mais de 600 cortejos de blocos de ruas, shows e desfiles de escolas de samba, além dos eventos privados.A folia na capital começou no último dia 16 e vai terminar somente no domingo, 10 de março, somando 23 dias programação.

De acordo com a Empresa Municipal de Turismo (Belotur), o planejamento é compartilhado com o Centro Integrado de Comando e Controle (Cicc) da Secretaria de Estado de Segurança Pública. O esquema de segurança ainda conta com o Posto de Comando e monitoramento em tempo real, que tem o objetivo de monitorar o planejamento e responder, de forma integrada, aos eventuais problemas ocorridos.

O Posto de Comando deste ano funcionará 60 horas a mais do que o de 2018, que permaneceu de plantão durante 126 horas, com a utilização de 1.400 câmeras para monitoramento em tempo real. Haverá ainda equipes volantes, que vão circular nas ruas entre 10h e 4h da madrugada e serão acionadas para coibir contravenções e problemas nos desfiles dos blocos. Cada grupo contará com dois guardas municipais, dois agentes da BHTrans, dois fiscais e dois policiais militares.

A Defesa Civil também realizou levantamento dos diversos riscos que podem estar nas rotas dos blocos de rua e irá repassar as informações para as regionais responsáveis. Durante todo o período oficial do carnaval, o órgão fará monitoramento por 24 horas. Os foliões poderão ter acesso às informações sobre clima e tempo pelas redes sociais: Facebook, Twitter, Instagram e canal público do Telegram.

Já a Guarda Municipal passou por curso de capacitação, com foco em direitos e cidadania para mulheres, LGBTs, crianças, adolescentes e jovens. A meta foi instrumentalizar os guardas para que possam realizar um atendimento qualificado das populações que são alvo das principais violações de direitos em grandes eventos.

Integrantes

O Cop-BH será composto por Batalhão de Trânsito da Polícia Militar, Centro de Coordenação Operacional da Polícia Militar, Gasmig, Copasa, Cemig, Corpo de Bombeiros, Empresa de Transportes e Trânsito (BHtrans), Guarda Municipal, Polícia Civil, Empresa de Informática e Informação do Município de Belo Horizonte (Prodabel), Subsecretaria de Proteção e Defesa Civil, Subsecretaria de Fiscalização, Samu e Superintendência de Limpeza Urbana.

Crescimento do carnaval desafia autoridades


“Associar a realização de uma festa puramente à violência, é não contribuir para que ela seja fortalecida. Aliás, o que vemos é cada vez mais um sucateamento do carnaval de Juiz de Fora” (Arquivo pessoal)

As ações adotadas em Belo Horizonte são exemplos de medidas que podem ser implementadas em outras cidades de grande porte no interior do estado, avalia o doutor em sociologia Luís Flávio Sapori, professor de Ciências Sociais na PUC Minas e ex-secretário adjunto de Segurança Pública de Minas Gerais (2003-2007). Na opinião de Sapori, o fortalecimento e o crescimento do carnaval em Minas Gerais representam um desafio adicional para as forças municipais e estaduais de segurança pública.

“A experiência de Belo Horizonte tem mostrado como isso vem funcionando bem. O planejamento operacional deve articular forças municipais e estaduais, e elas devem estar funcionando o tempo inteiro, 24 horas, com monitoramento de tudo que estiver acontecendo na cidade com imagens em tempo real, informações, tomadas de decisões e gerenciamento imediato de crises”, pontua Sapori.

No último dia 19, a Comissão de Segurança Pública da Câmara Municipal junto com representantes da administração municipal e de órgãos de segurança de Juiz de Fora criaram uma força-tarefa destinada a coibir eventos de carnaval que não contam com alvará da Funalfa para funcionamento. O presidente da comissão, vereador Carlos Alberto de Mello (Casal, PTB), na ocasião, afirmou que a medida não tem a intenção de criminalizar as manifestações culturais, nem de impedir o uso adequado do espaço público, mas evitar que encontros marcados pela internet resultem em aglomerações clandestinas, com desordem e vandalismo em via pública, como aconteceu nos bairros Bom Pastor e Santa Terezinha, onde também houve denúncias de tráfico de drogas e apreensão de arma de fogo. No Bom Pastor, até a Polícia Militar chegou a ser alvo de pedradas e garrafadas durante tentativa de dispersar o tumulto.

Planejamento prévio

Durante a reunião na Câmara, a tenente Sandra Jabour, assessora organizacional da 4ª Região da Polícia Militar (RPM), enfatizou que, quando há planejamento prévio da programação, fica mais fácil a criação de ações de segurança pública, com o objetivo de diminuir os riscos. Na mesma oportunidade, a delegada-geral da Polícia Civil, Patrícia Ribeiro, confirmou que uma equipe extraordinária da Polícia Civil será colocada à disposição da força-tarefa para atendimento do plantão e que o setor de inteligência vai participar do trabalho, com a identificação, nas redes sociais, de onde os chamados dessas aglomerações estão partindo, além de verificar a ocorrência de crime nestas divulgações.

Festa é espontânea e não deve ser  reprimida

Para o sociólogo Luís Flávio Sapori, o carnaval é uma festa espontânea e popular e que é preciso ter cuidado ao qualificá-la como clandestina. “Muitas vezes, um grupo de amigos de um bairro, de uma rua, resolve cantar, tocar e se fantasiar, e não há como reprimir essa manifestação. Mas quando falamos de blocos que saem com grande contingente de pessoas pelas ruas e não é monitorado ou controlado pela Prefeitura, é um problema. Todo e qualquer grupo que se autodenomina bloco e quer sair pelas ruas deve fazer um cadastro, definir trajeto com antecedência e solicitar as medidas adequadas de segurança, não só da polícia, mas da Defesa Civil e de toda a logística de atendimento e de trânsito, pois são fundamentais. Esse tipo de controle é decisivo e, certamente, não se pode deixar que os blocos cresçam de forma indefinida e ocupem a cidade durante o carnaval sem controle, sem proteção do patrimônio público”, avalia. Mas ela enfatiza que “jamais essas manifestações espontâneas de festa, de alegria em um bairro ou uma rua podem ser reprimidas, pois são o que há mais rico no carnaval brasileiro”.

 

“Associar a realização de uma festa puramente à violência, é não contribuir para que ela seja fortalecida. Aliás, o que vemos é cada vez mais um sucateamento do carnaval de Juiz de Fora” (Foto:Marcelo Ribeiro/ Arquivo TM)

Professor do Departamento de Turismo da UFJF, Marcelo do Carmo, considera que, curiosamente, o carnaval de Juiz de Fora está sempre associado à violência, enquanto que as outras cidades favorecem e otimizam os eventos carnavalescos como uma festa de confraternização. Para ele, essa percepção funciona como um entrave. “Simplesmente não posso acreditar que sempre que tiver um grupo reunido para assistir um show, vai ter violência. Sabemos que em aglomerações podem acontecer tumultos, e isso é em todo lugar. Por isso, é necessária uma segurança adequada. Mas, associar a realização de uma festa puramente à violência, é não contribuir para que ela seja fortalecida. Aliás, o que vemos é cada vez mais um sucateamento do carnaval de Juiz de Fora”, afirma.

 

 

Tópicos: carnaval 2019



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