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Funalfa fará rearranjo na estrutura administrativa

Com segundo escalão já nomeado, diretora-geral da Funalfa, Giane Elisa fará mudanças nos departamentos para alinhar fundação à concepção de cultura e território

Por Gabriel Ferreira Borges

19/02/2021 às 07h00

Em busca de alinhamento à gestão da prefeita Margarida Salomão (PT), a estrutura administrativa da Funalfa deve ser rearranjada ao longo dos cem primeiros dias da direção de Giane Elisa Sales de Almeida. Embora a equipe à frente do segundo escalão já tenha sido nomeada, os departamentos de Acesso à Cultura, Fomento à Cultura, Coordenação de Espaços, Manutenção e Suporte, e Execução Instrumental passarão a ser conhecidos de outra maneira, mudanças semelhantes àquelas realizadas por Margarida na Administração direta. Entretanto, conforme a própria Giane explicou à Tribuna, o rearranjo não se trata de um reforma administrativa, ou seja, novos cargos não serão criados. Há a possibilidade de que as mudanças sejam formalizadas no Diário Oficial Eletrônico do Município ainda em fevereiro.

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Giane Elisa assumiu em 1º de janeiro e ainda está, segundo ela, “arrumando a casa” (Foto: Fernando Priamo)

A mudança buscará alinhar a Funalfa à lógica de planejamento territorializado adotada por Margarida ao atribuir, por exemplo, as funções da antiga Secretaria de Planejamento e Gestão à Secretaria de Planejamento do Território e Participação Popular. “Os nomes (dos departamentos) não existem por conta dos próprio nomes, mas ligados a uma ação que representa algo, ou seja, o modo como podemos dinamizar a relação da Funalfa com a classe artística de Juiz de Fora e como os artistas podem se ver reconhecidos dentro da Funalfa. A filosofia que carrega cada departamento será mais importante do que o nome, como a gente pensa em cultura e território.” Questionada sobre os novos nomes, Giane, no entanto, manteve o sigilo. “Não estamos escondendo nada, não. Apenas quando sair o decreto. Neste momento, a mudança filosófica é mais importante.”

Ainda que os departamentos passem por mudanças, os novos titulares já são conhecidos ao menos desde 22 de janeiro. Como já registrado pela Tribuna, o roteirista, produtor, diretor e ator Gueminho Bernardes é o gerente do Departamento de Coordenação de Espaços. Já os departamentos de Acesso e Fomento à Cultura são agora chefiados por, respectivamente, Silvânia Aparecida Santos, antes vinculada à Secretaria de Assistência Social, e Fernanda Barbosa Santos, advogada e mestre em Direito. Giovana Pereira Bellini, que, sob a gestão do ex-prefeito Antônio Almas (PSDB) chefiava o Departamento de Acesso à Cultura, agora responde por aquele de Manutenção e Suporte. Por fim, Melissa Procópio Simões Valle está à frente do Departamento de Execução Instrumental, no qual já atuava, mas não como gerente.

Os supervisores da Administração de Almas, por sua vez, foram mantidos em sua maioria, como Marco Aurélio de Assis, no Museu Ferroviário; Leonardo Costa Fernandes, na Casa de Leitura Delfina Fonseca; Maria de Fátima Araújo de Aguiar, na Biblioteca Municipal; e Daniel de Souza Carvalho Rodrigues, no Centro Cultural Bernardo Mascarenhas (CCBM). Fernanda Amaral Almeida também permanece à frente do Programa Cultural Murilo Mendes. Dentre os espaços, apenas o Teatro Paschoal Carlos Magno está sob nova administração: Vanessa Cupertino assume a supervisão no lugar de Érica Dias Nascimento. Ao contrário das funções de gerência, que são comissionadas, os cargos de supervisão são restritos aos servidores de carreira, neste caso, gratificados.

Gestão colegiada

Questionada sobre o que já foi possível viabilizar em pouco mais de 45 dias à frente da Funalfa, Giane aponta que o período é similar à “arrumação da casa”. “Não por conta de que a casa estivesse totalmente desarrumada, mas por conta de a gente estar chegando. Quando a gente muda para um lugar novo, obviamente vamos colocar a nossa cara, colocar do nosso jeito, colocar a decoração que a gente quer etc”, pondera. “A gente chegou tentando compreender as diversas ações que estavam ali colocadas. A gente chegou pegando projetos, enfim, questões que vinham da outra administração. Algumas questões que não conseguiram ser concluídas.” Giane, inclusive, integrava a administração anterior como supervisora de Avaliação e Monitoramento de Contratos.

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“Eu assino e ordeno as despesas, mas tudo isso feito de maneira coletiva. Isso é um processo, porque nem sempre é assim que as administrações públicas estão acostumadas a trabalhar.”

Além disso, conforme a diretora-geral, a busca é a implementação de uma gestão colegiada em que as decisões sejam tomadas junto aos gerentes de departamento da fundação. “Eu sou a responsável pela pasta; eu assino e ordeno as despesas, mas tudo isso feito de maneira coletiva. Isso é um processo, porque nem sempre é assim que as administrações públicas estão acostumadas a trabalhar. Então, quando pensamos a coletividade, já é um desafio por si só. As decisões passam por mim, mas são socializadas com toda a equipe. A ideia é que a gente faça desta forma para que seja algo que também exista enquanto não estivermos mais aqui.”

A integração, no entanto, deve superar a dinâmica interna da Funalfa, já que, como aponta Giane, a fundação estará alinhada à Secretaria de Turismo, cuja estrutura física, aliás, funcionará também no Paço Municipal. “O Turismo é uma secretaria que é extremamente importante, porque gera emprego, renda etc. E a ideia da prefeita com a criação da Secretaria de Turismo é que ela possa dinamizar outras relações, como as econômicas e, neste caso, especificamente, a dinamização cultural, ou seja, como o turismo pode contribuir com o carnaval e vice-versa, até mesmo como um circuito de festas juninas e folia de reis, por exemplo, pode incrementar a economia do Município, o que, consequentemente, reflete em quem está fazendo cultura.”

‘A Funalfa não pode ser apenas produtora cultural’

Nos rumos de democratizar o acesso aos recursos dispendidos pela Funalfa, Giane admite que o órgão da Administração indireta não pode apenas se limitar a ser uma produtora cultural, mas, sim, uma fazedora de políticas públicas. “Um desejo que sempre existiu na fundação e com o qual estamos agora bastante comprometidas – o que não quer dizer que os outros não estivessem – é a questão de que a Funalfa precisa ser fazedora de política pública de cultura. Ela não pode ser produtora cultural.”

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No entendimento da diretora-geral, as políticas públicas dão uma capilaridade maior ao setor do que a própria produção cultural daria. “O espaço da produção cultural também é importante, não desprezo a função da Funalfa também produzir, mas esta não pode ser a prioridade. A prioridade tem que ser a política pública, porque ela vai criar ações que vão estruturar um modo de fazer cultura em Juiz de Fora, e não algo que seja para um ou outro grupo, ou, então, para alguém que saiba muito fazer edital, enquanto outro não tem nem acesso à internet.”



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