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Luto no samba: morre em Juiz de Fora o compositor Carioca

Letrista nascido São Gonçalo e juiz-forano de coração deixa esposa, quatro filhos e nove netos


Por Luiza Sudré, estagiária sob supervisão da editora Juliana Netto

14/05/2021 às 21h50- Atualizada 14/05/2021 às 22h35

Faleceu nesta sexta-feira (14), aos 78 anos, o compositor Walter Moura Garcia, conhecido carinhosamente como Carioca. De acordo com a família, ele foi vítima de um infarto. Anderson Garcia conta, filho do artista, informou à Tribuna que o pai sentiu muita dor nas costas na madrugada desta sexta (14), foi conduzido à Santa Casa de Misercórdia, mas acabou falecendo por volta das 17h15.

Carioca nasceu em São Gonçalo, Região Metropolitana do Rio de Janeiro, e veio para Juiz de Fora em 1978, incialmente para passar um carnaval na cidade. De forma inusitada, acabou ficando. Um dos principais compositores do tradicional Bloco do Beco, pertencia ao Trio de Ouro, junto com Mamão e Toinho Gomes.

Walter trabalhou também como chaveiro durante muito tempo na cidade. Ele deixa esposa, quatro filhos – Cláudio de Andrade, Aldrin Moura Garcia, Anderson Garcia e Estraldison Moura Gardia – e nove netos. O velório será na capela 4 do Cemitério Municipal, de 7h às 16h, e o sepultamento logo depois.

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Compositor e sambista faleceu nesta sexta, aos 78 anos, vítima de um infarto

Amigos do samba

Grande compositor e letrista, Carioca estava sempre na ativa, produzindo, fazendo e enviando músicas para amigos, principalmente pelo momento de precisar recluso em casa, devido à pandemia de Covid-19. “Ele já mandava áudio cantando trechos de samba, tinha mania de falar que estava ‘mandando um boi para colocar de pé’. É o papo de um samba ser boi com abóbora. Então, ele dizia. Colocar o boi em pé é deixar o samba arrumado”, lembra o amigo e também músico Roger Resende.

Além de músico, chaveiro, marido, pai e avô, era um grande amigo. Os músicos Roger e Carlos Fernando Cunha contam que Carioca “era um cara livre” e passava a sensação de liberdade para todos. E que sua presença era garantia de companhia até o fim da noite. “O mundo vai perder graça demais. Um cara como Carioca vai fazer muita falta. Em todo lugar em que ele chegava, todo mundo o sacaneava. Todo mundo gostava dele. É esse o Carioca. Um ‘bon vivant’. Ele era chaveiro. Trabalhava como chaveiro todo sério. Chegava na hora e você não o reconhecia. A postura dele no comércio dele era de uma pessoa mais séria. ‘Vou ver se dou uma passadinha lá no samba.’ Quando chegava, já pedia um copo, puxava uma cadeira e contava alguma coisa”, relembra Roger.

Mamão e Toinho, seus parceiros do Trio de Ouro, bem antes da partida do amigo, demonstraram a amizade compondo para Carioca o samba ‘Cidade iluminada’. Confira abaixo:

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