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Dia dos Namorados: as histórias de amor que Juiz de Fora conta

Casais relembram momentos marcantes que viveram em locais simbólicos da cidade


Por Mariana Floriano e Nayara Zanetti, estagiárias sob supervisão da editora Rafaela Carvalho

11/06/2021 às 07h00- Atualizada 11/06/2021 às 10h57

Todos os dias, centenas de pessoas passam pelo Calçadão da Rua Halfeld. Outras tantas andam próximas ao Museu Mariano Procópio. Milhares cruzam as ruas de Juiz de Fora. Em raros momentos, os caminhos dessas pessoas são marcados para além de um simples olhar para quem passa ou para a arquitetura. Entretanto, há histórias que se entrelaçam com a história da cidade. É o caso dos casais que a Tribuna ouviu nesta matéria especial do Dia dos Namorados, comemorado neste sábado (12).

Juiz de Fora marca fortemente a história de José Luiz Ribeiro e de Maria Lúcia Campanha, casal de jornalistas que se conheceu na década de 60. Foi na época do vestibular que ele a viu pela primeira vez. José Luiz estava conversando com os amigos sobre a prova que haviam entregado há pouco e avistou Malu – apelidada carinhosamente por ele – nas escadarias da antiga Fafile, atual Casa de Cultura. “Quando eu olhei para cima vi uma pessoa com um óculos imenso e nariz em pé no alto da escada. Na hora eu pensei que era uma pessoa pouco afável. No entanto, estamos juntos até hoje. A gente nunca sabe o que a vida nos reserva”, conta José Luiz.

Ambos ingressaram no curso de jornalismo, e junto com outros amigos, se reuniram para estudar teatro. Ao longo do tempo, o projeto foi ganhando forma, nome, local e, cada vez mais, novos integrantes, até se tornar o conhecido Grupo Divulgação. “O grupo era um sonho dele. Eu gostava muito de teatro e acompanhava de perto o teatro universitário, mas não tinha grandes ambições. Comprei o sonho dele porque sempre gostei muito de literatura, de dramaturgia e, principalmente, de poesia, e o Zé também”, explica Malu. Dessa maneira, o casal uniu a paixão pela poesia ao desejo de se aventurar no teatro. “Nosso primeiro espetáculo foi ‘Amor em verso e canção’. Constava de poemas de Neruda, Vinicius de Moraes, Manuel Bandeira, Cecília Meireles e Thiago de Mello”, os dois relembram.

Em novembro de 2019, o grupo de teatro ganhou o título de patrimônio imaterial de Juiz de Fora. As apresentações presenciais, antes da pandemia de Covid-19, eram realizadas no Fórum da Cultura da Universidade Federal de Juiz de Fora, na Rua Santo Antônio, local eternizado na memória afetiva e na identidade cultural da cidade. “A gente sempre esteve ligado à cidade, e o teatro fez essa ligação ficar mais forte, porque o nosso trabalho era de levar o teatro para o maior número de pessoas possível, e acho que conseguimos fazer isso”, afirma José Luiz.

‘Minha namorada’

Assim como Juiz de Fora, a canção “Minha namorada”, de Vinicius de Moraes, marcou a caminhada de Zé e Malu, que neste ano completam 50 anos de casados. O verso final da música, “Minha amiga e companheira no infinito de nós dois”, marca a relação de cumplicidade do casal de namorados.

A respeito do Dia dos Namorados, Malu conta que o hábito de comemorar a data surgiu após o casamento. “A gente sempre trocou presentes no Dia dos Namorados, desde que nos casamos. Antes não fazíamos isso, porque não namoramos. Éramos amigos, e ninguém acreditava, mas primeiro fomos só amigos. Depois, ficamos noivos, nos casamos, e hoje nós namoramos. Invertemos a ordem dos acontecimentos”, diz Malu.

Ela revela ainda que o segredo para tantos anos juntos é o respeito. “A ciência é o respeito, respeitar o outro acima de tudo, mais do que qualquer outro sentimento e nunca ferir o outro, nem de leve. Essa é uma lição que aprendi com a minha mãe. Quando você faz isso, aí você deve ter uma vida junto”.

Ao olhar para os próximos anos, José Luiz espera permanecer ao lado de sua companheira: “Estamos juntos e vamos continuar juntos. Agora nós recebemos, como presente de bodas de ouro, a nossa netinha, que veio aos 45 do segundo tempo. Maria Luiza nos uniu mais ainda! Nós temos um caminho para observar, para rir e ficar feliz”.

José Luiz e Maria Lúcia se uniram ainda mais com a chegada da neta Maria Luiza (Foto: Arquivo Pessoal)

História de amor na tela do Cine Palace

Ter uma história de amor digna de ser contada nas telas de cinema é um sonho para muita gente. Na 15ª edição do Primeiro Plano, já tradicional no cinema juiz-forano, um roteiro, em especial, não estava na programação no festival de 2016. O “filme” começou três anos antes, em 2013, também nos bastidores do festival, quando Lara Toledo e Jéssica Delgado se conheceram. “Lara trabalhava na produção do festival, e eu, como assistente em oficinas. Um dia sentamos na mesma mesa no almoço e começamos a conversar sobre fotografia. Depois percebemos que tínhamos mais coisas em comum”, conta Jéssica. “Tudo começou assim. Foi uma amizade que, com o passar do tempo, virou algo maior”.

Foi também durante o Primeiro Plano que o pedido mais importante aconteceu. Em 2016, no dia de encerramento do festival, Lara criou um vídeo para ser projetado no telão do antigo Cine Palace pedindo Jéssica em casamento. “Foi emocionante ver a nossa história passando em uma tela de cinema, com a presença de tantos amigos e pessoas queridas. Ter o Palace como cenário foi grandioso, por tudo o que ele sempre significou e significa para nós e para a cidade”.

Hoje, depois de quase oito anos juntas, Jéssica vê o Dia dos Namorados como uma oportunidade de reafirmação “das escolhas, do carinho, do respeito, da dedicação. É uma celebração por ter alguém do lado que te faça sorrir todos os dias”. Quando pensam sobre o que mais gostam uma na outra, Jéssica não hesita: “Eu amo o sorriso e o abraço da Lara, seja com os amigos, família, com os nossos ‘dogs’ ou comigo”. Para Lara, é o companheirismo que fala mais alto. “Sabe quando você olha para a pessoa do seu lado e pensa: não me vejo mais sem ela? Eu não sei quanto tempo vai durar, se vai ser pra sempre – espero que sim – mas é tudo tão intenso, tão prazeroso. É tão necessário estar com a Jéssica e viver esses momentos juntas, que o tempo não importa. Isso, para mim, é amor”.

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Lara e Jéssica estão há oito anos juntas e valorizam cada momento de companheirismo (Foto: Arquivo Pessoal)

A caminho do ‘sim’ em frente ao Central

Era um dia típico do mês de novembro, e Tainá Santos não imaginava que, no Calçadão da Rua Halfeld, lugar onde ela caminhava habitualmente, um verdadeiro plano de ação estava sendo executado. A preparação havia começado semanas antes, coordenada por seu namorado, Matheus Castro, com ajuda de uma grande amiga do casal. A ideia era fazer do pedido de casamento uma data inesquecível, tanto para Tainá como para quem cruzava o Calçadão naquele dia, contando com a ajuda de outras pessoas.

Desta forma, partindo da esquina da Rua Batista de Oliveira com a Halfeld, se iniciou o percurso que tinha como destino o Cine Theatro Central, onde Matheus esperava a futura noiva com as alianças na mão no dia 25 de novembro de 2019. “Eu fui subindo o Calçadão e vinha uma pessoa de cada galeria me abordar. Eram sete pessoas ao todo, representando os sete anos de namoro que a gente tinha”, conta Tainá. O momento também contou com trilha sonora. Para embalar um dos momentos mais especiais de sua vida, a música “Porque eu te amo”, da dupla Anavitória, tocava em fones de ouvido que foram entregues a Tainá e a acompanharam durante todo o trajeto.

Ao se dirigir ao Cine Theatro Central, trazendo consigo balões vermelhos em formato de coração, entregues pelos amigos e familiares ao longo do caminho, Tainá finalmente chegou ao seu destino final. Ali, não apenas o olhar de Matheus estava voltado para ela, mas também os olhos e as câmeras de diversas pessoas que pararam suas rotinas para também viver aquele momento. “Na época saiu em várias redes sociais. Quando as pessoas viram que era um pedido de casamento, já pararam para acompanhar”.

Pedido de casamento foi feito em frente ao Cine Theatro Central, com a presença de amigos e familiares do casal (Foto: Arquivo Pessoal)

‘Renovação’

Grandes atos como esse, para Tainá, têm o potencial de renovar um relacionamento. “Eu não precisava de nenhuma prova grandiosa de que ele me amava, mas fiquei muito feliz, foi um momento especial. Na época, o vídeo teve grande repercussão, e nos comentários havia pessoas elogiando, dizendo que o mundo precisava ver coisas assim, até pessoas nos criticando, desacreditadas, achando que era algum tipo de marketing”.

Mas, para ela, o pedido foi uma mensagem também para a toda a sociedade: um ato grandioso, mostrando que o amor ainda existe, e dando um ar de esperança na vida de todo mundo. “Acho que a nossa história vale para mostrar que ainda vale a pena, que ainda existem pessoas boas nesse mundo complicado que a gente vive”.

Pequenos ou grandes gestos

O amor e suas maneiras de demonstrar afeto são marcos importantes de uma geração. Para o psicólogo Fred Alvim, saber lidar com as diferentes formas de demonstrar esse sentimento é a chave para viver uma relação saudável, principalmente em tempos em que ser presente ganhou novos significados. “Há um certo momento em que a paixão se transmuta. Ela não some, o que o outro ainda tem para apresentar como mistério atrai. Mas depois que a cumplicidade é consolidada, não existe mais esse mistério. No entanto, casais que estão há mais tempo juntos tem uma cumplicidade maior, feita pelo envolvimento um com o outro. É um amadurecimento da paixão, uma confiança plena no outro. Não deixa de ser uma forma de paixão, mas não essa à qual estamos culturalmente condicionados”.

Da mesma forma que uma cidade é composta por fragmentos de espaços, pessoas, arte, trânsitos e outras formas de ser vista, o amor também se entrelaça por diferentes vielas e galerias, escolhendo singulares caminhos. “Não podemos nos esquecer que o amor é algo individual e subjetivo. Precisamos entender e respeitar que cada um tem a sua forma de amar, de se expressar. Há pessoas que vão querer gritar para o mundo ouvir o grande amor que existe ali. Já outras escolherão pequenos gestos, mas com frequência, conseguem grandes impressões”, finaliza o psicólogo.

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