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Juiz de Fora não registrava casos de sarampo há pelo menos 18 anos

Até esta semana, quando foi constatado que dois moradores de Juiz de Fora foram infectados, sistema de dados criado em 2001 nunca tinha registrado ocorrências da doença

Por Leticya Bernadete e Vívia Lima 

04/09/2019 às 20h48- Atualizada 05/09/2019 às 12h35

Nesta quarta-feira (4), a Secretaria de Saúde (PJF) informou que Juiz de Fora contabiliza dois casos confirmados de sarampo. Outras duas suspeitas seguem em investigação, elevando para quatro o número de possíveis casos da doença na cidade. Até esta terça, quando a pasta confirmou que um adolescente de 16 anos foi infectado com a doença, além de divulgar a suspeita de que uma criança de 1 ano e 9 meses também estaria com sarampo, o município não registrava ocorrência da doença há, pelo menos, 18 anos. De acordo com a pasta, o segmento que trata sobre sarampo no Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan), banco de dados sobre notificações e investigações de casos de doenças e agravos, foi implantado em Juiz de Fora em 2001. Desde então, a cidade não tinha registrado casos da doença.

Além do adolescente, morador do Bairro Novo Horizonte, na Cidade Alta, foi divulgado nesta quarta que uma bebê de 1 ano, moradora do Bairro Aeroporto, mesma região, também foi infectada com sarampo. Assim como o primeiro paciente, a criança esteve em São Paulo, onde há surto da doença. De acordo com a secretaria, ela teria sido atendida na rede de saúde particular em Juiz de Fora e, após suspeita, foi efetuada coleta de material biológico e envio da amostra para laboratório em Belo Horizonte. “Essa testagem é aceita pela Secretaria Estadual de Saúde (SES), portanto não será necessário refazer o teste via Fundação Ezequiel Dias (Funed)”, disse, em nota, a SS. O resultado do exame foi positivo, e, conforme os padrões de avaliação do Ministério da Saúde, o caso foi considerado como importado, visto que a bebê teria adquirido a doença no estado de São Paulo.

Sob investigação

O segundo caso ainda considerado suspeito, divulgado nesta quarta, é relacionado à mãe do adolescente cuja doença foi confirmada. A mulher tem 41 anos e também teria viajado com o filho, assim como o filho. De acordo com protocolo, uma amostra biológica da paciente foi enviada para Fundação Ezequiel Dias (Funed), em Belo Horizonte.

A hipótese de que ela tenha contraído sarampo segue em investigação, assim o caso da criança de 1 ano e 9 meses internada no Hospital Universitário da Universidade Federal de Juiz de Fora (HU/UFJF). Foi verificado que a criança tem apenas uma dose da vacina tríplice viral. Na tarde desta terça, a instituição de saúde havia descartado clinicamente a suspeita, já que os exames preliminares apontavam a presença do vírus Citomegalovírus, cujos sintomas são semelhantes ao sarampo. Porém, o HU aguardava a realização de novos exames para que as suspeitas da doença fossem descartadas totalmente.

Exames são aguardados

Em entrevista à Rádio CBN na manhã desta quarta, a médica responsável pelo atendimento à criança internada com suspeita de sarampo, Rayssa Reis Crispim, explicou que, quando o bebê deu entrada no HU, em 27 de agosto, apresentava quadro de febre alta, manchas no corpo e congestão nasal. Alguns dos exames realizados apontaram, na terça, “suspeita forte para sarampo”. Nesta quarta, a equipe médica ainda aguardava a liberação de outras avaliações para confirmar se a criança foi contaminada pelo vírus.

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“Existem dois tipos de exames que fazemos: uma sorologia qualitativa, que mostra apenas se o resultado é positivo ou negativo, e uma sorologia quantitativa, que dosa os valores, e aí conseguimos avaliar se realmente há infecção”, explicou Rayssa. “Essa sorologia qualitativa veio positiva (para sarampo), e a quantitativa veio positiva apenas em uma parte, e nós estamos aguardando a outra. Realmente, tem uma forte inclinação para que a criança tenha sido, sim, infectada pelo vírus e, talvez, por ter tido uma dose da vacina, tenha recebido sintomas mais leves e mais brandos.”
Até o fechamento desta edição, o caso era tratado como descartado pelo HU. Ambos os episódios suspeitos foram enviados para a Fundação Ezequiel Dias (Funed), em Belo Horizonte, para descartar ou comprovar os casos por meio de exames mais complexos, como o de sorologia, segundo informou a secretaria de saúde.

Vacinação e dose zero

De acordo com a Secretaria de Saúde, na última campanha de vacinação contra o sarampo, realizada no ano passado, a cobertura vacinal no município atingiu o índice de 95,68%. A vacina contra a doença, conhecida como tríplice viral, integra o Calendário Nacional de Vacinação, com disponibilidade durante todo o ano nas salas de imunização (ver quadro). “São necessárias duas doses da vacina para a pessoa estar imunizada por toda a vida, ou seja, as doses administradas no passado são válidas e não há necessidade de se vacinar novamente”, informou a pasta.

Ao procurar uma unidade de saúde para se imunizar, é preciso que os pacientes estejam com a caderneta vacinal.

“Quem não tiver em mãos o cartão vacinal, e não souber se já foi imunizado, deve procurar a UBS de referência para análise do caso e vacinação, quando o profissional de saúde responsável pelo atendimento entender como necessário”.

No mês passado, o Ministério da Saúde publicou uma recomendação que visa a vacinação contra o sarampo em crianças na faixa etária de 6 meses a menores de 1 ano, chamada de “Dose Zero”. Em Juiz de Fora, de acordo com a Secretaria de Saúde, a imunização está disponível nas 63 UBSs, no Departamento de Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente e na sala de vacinas do Posto de Atendimento Médico (PAM Marechal, 3º andar). A Dose Zero não é válida para fins do Calendário Nacional de Vacinação. Desta forma, ainda assim, com 1 ano a criança deverá tomar a primeira dose da tríplice viral e, com 1 ano e 3 meses, a segunda, para que seja considerada imunizada.

Tópicos: sarampo / saúde



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