Viagem a destinos com neve: o que levar na mala e como se vestir

Por Viajei Bonito

21/08/2017 às 22:46hs - Atualizada 24/08/2017 às 14:26hs

Olá, caro leitor! Não sabemos se você notou, mas pulamos duas semanas de colunas aqui na Tribuna de Minas. Foi por uma boa razão: estávamos no Fim do Mundo coletando material para uma série de artigos e vídeos que produziremos para o Viajei Bonito. Durante 17 dias estivemos percorrendo cidades argentinas e chilenas com temperaturas abaixo de zero e pudemos aprender muito sobre como se vestir nesses lugares. Não estamos falando aqui de moda, mas sim de como se proteger para não congelar.

As temperaturas nas cidades que visitamos – Ushuaia, Punta Arenas, Puerto Natales e El Calafate – variavam entre 3°C e -3°C, chegando a -7°C em alguns tours e trekkings que participamos, muitas vezes em locais de altitude elevada ou espaços abertos. O que matava era a sensação térmica, uma vez que a região é coberta constantemente por ventos cortantes.

Seja o objetivo de sua viagem esquiar, curtir paisagens das quais não estamos acostumados a ver no Brasil, trabalhar, ou qualquer outro que o faça querer/precisar viajar para regiões com frio rigoroso, com neve, aqui vão algumas dicas que já havíamos aprendido em outras viagens e que aperfeiçoamos nas três últimas semanas. 

Aprenda agora a se agasalhar em lugares de frio intenso. Agarre seu cobertor e boa leitura!

Camadas

Em lugares de frio intenso, vista-se em camadas com roupas que dissipem o suor e mantenha o calor e use botas impermeáveis
Em lugares de frio intenso, vista-se em camadas com roupas que dissipem o suor e mantenha o calor e use botas impermeáveis. Créditos: Gisele Rocha

Talvez esta seja a dica mais importante: vista-se com camadas! Não adianta ter um casaco pesado e superpoderoso se ele não é impermeável ou se não absorve bem seu suor. Ainda, não é necessário comprar o melhor casaco do mundo se você fizer um bom uso das camadas de roupas, o que não quer dizer que você deve sair vestindo um monte de roupas aleatórias. Isso te deixaria desconfortável e não ajudaria muito a mantê-lo aquecido.

Para começar, a primeira camada é de roupas térmicas: aquelas que parecem grudar na pele e que ficam justinhas.  Escolha blusas com gola mais alta e colada ao pescoço para evitar a entrada de ar frio. Alguns modelos são flanelados por dentro e ajudam a manter o corpo aquecido. Invista em peças com tecnologia dry fit, que não são caras e evitam que o suor se acumule na roupa e resfrie seu corpo após atividades físicas, como trekkings, esqui, caminhadas com raquetes, entre outras.

Já a segunda camada era composta de roupas de lã (calça e blusa), mas também podem ser usados moletons flanelados ou fleece. Dê preferência às roupas finas, afinal de contas você não quer parecer um barril ambulante. A ideia da segunda camada é manter seu corpo aquecido, enquanto a primeira camada é para dissipar o suor e evitar mau cheiro depois de longas caminhadas (sim, você pode ficar suado mesmo com o mundo ao seu redor congelando).

Com as duas camadas vestidas, é hora de colocar a terceira e última delas, que deve ser uma corta vento. Acredite em nós, toda roupa é pouco quando se venta forte em lugares com temperatura abaixo de zero. É altamente recomendável que a camada de cima seja impermeável. Em lugares quentes é muito comum deixar que a roupa seque com a temperatura do corpo caso você pegue uma chuva rápida na rua. No frio rigoroso você não tem esse luxo e as doenças que virão depois de ter seu corpo praticamente congelado depois da chuva vão estragar a viagem. Particularmente não tínhamos calças impermeáveis, muitas vezes quebrando o galho com jeans. Funcionou também, mas a parte de cima era toda impermeável: necessário!

Obs.: o jeans atrapalha muito trekking e outras atividades que exijam caminhadas longas. Nesses casos as calças cargo nos salvavam.

Ainda está com frio? Então coloque coloque mais uma blusa de lã por baixo do casaco corta vento e aqueça as suas extremidades com acessórios.

Acessórios

Luvas, cachecóis e gorros são indispensáveis para superar o frio intenso da Patagônia
Luvas, cachecóis e gorros são indispensáveis para superar o frio intenso da Patagônia. Créditos: Adriano Castro

Depois de vestir as três camadas é crucial ter acessórios para cobrir as extremidades do corpo que ainda estão expostas (mãos, pés e cabeça).

Começando pelos pés: sua bota precisa ser impermeável e com solado antiderrapante! Você até sobreviverá com um tênis, mas precisará evitar pisar na neve ou em qualquer coisa que se pareça com uma poça (mesmo que congelada) na rua.  Como a neve e o gelo escorregam, é importante que o calçado tenha solado emborrachado antiderrapante. Ruas congeladas são extremamente perigosas e podem não somente lhe dar tombos engraçados, mas fazê-lo deslizar para onde os carros estão passando! Aprenda a escolher botas de trekking com bom custo-benefício.

Além das botas, nós nos equipávamos com um par de meias térmicas e, dependendo da temperatura do dia, um par de meias de lã por cima.

Para as mãos, obviamente, luvas. Caso você vá fazer atividades na neve, use também luvas impermeáveis. Mesmo com a temperatura amena, os dedos podem congelar depois de uma inocente guerra de bolinhas de neve. Em um de nossos passeios, ao andar sobre um lago congelado em Ushuaia cuja temperatura era de -7°C as mãos mal saíam do bolso porque estávamos com luvas de pano e não com luvas térmicas. Isso atrapalhou parte do passeio, já que a mobilidade e sensibilidade dos dedos estavam comprometidas.

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Um protetor de pescoço ou cachecol é necessário, mas certifique-se de usar um daqueles que você consegue esticar e tampar o nariz. Manter o ar quente entrando nos pulmões é essencial. Na cabeça, obviamente touca! Essa não tem muito o que detalhar, mas recomendamos aquelas estilo Chaves que tampam a orelha também.

E a mala, como fica?

Malas compactas para o frio intenso da Patagônica. Créditos: Gisele Rocha Malas compactas para o frio intenso da Patagônica. Créditos: Gisele Rocha Malas compactas para o frio intenso da Patagônica. Créditos: Gisele Rocha
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Malas compactas para o frio intenso da Patagônica. Créditos: Gisele Rocha

No limite! E é aí que entra a dificuldade de conciliar o planejamento do que levar com as restrições impostas pelas companhias aéreas e também com a disposição de carregar peso nos deslocamentos. Em nosso caso optamos por levar a menor quantidade de peso possível não somente para economizar, mas porque faríamos grande parte do trajeto de ônibus. Economizamos nas roupas, levando as camadas que descrevemos antes, mas em compensação tínhamos pouquíssima variedade. Então muitas vezes nos pegávamos enjoados de estar sempre utilizando a mesma roupa.

Lembre-se: estamos falando de temperaturas extremas e não daquele friozinho gostoso que exige apenas um bom agasalho. Vale ressaltar também que partimos de um país quente (relativamente falando) e era impossível ir vestindo isso tudo para economizar espaço na mala: estaríamos derretidos antes mesmo de chegar ao Galeão.

Nessa hora você precisará colocar no papel o quanto de peso está disposto a carregar, o quanto isso acarretará no momento de despacho no aeroporto e também a variedade de roupas que você quer usar em sua viagem. Uma outra solução para impasses como esses é alugar roupas de frio, mas falaremos disso no blog futuramente.

O tira e põe dessas camadas

Frio congelante no Parque de los Glaciares, na Argentina
Frio congelante no Parque de los Glaciares, na Argentina. Créditos: Viajei Bonito

Um outro ponto que vale a reflexão aqui é a paciência para tirar e colocar uma ou mais camadas a cada estabelecimento que você entra. Imagine a situação: você está caminhando pela rua com as mãos no bolso, nariz pra dentro do cachecol, se encolhendo ao máximo em uma temperatura girando em torno de -5°C na rua e resolve parar para tomar um café. Ao abrir a porta da cafeteria você está em um ambiente aquecido onde a temperatura foi ajustada para se manter em 25°C.

Em poucos minutos a quantidade de roupas que você está usando se torna insuportável. E suar constantemente só vai complicar ainda mais para que você mantenha sua temperatura estável ao voltar pra rua.

Será necessário então tirar os acessórios e camadas mais superficiais dessas roupas ao entrar em cada restaurante, loja, shopping ou qualquer outro estabelecimento durante seus passeios. Até mesmo em caminhadas por locais frios é comum sentir calor.

Por isso uma dica valiosa é saber montar as camadas mas de forma a facilitar também sua remoção rápida. Roupas com zíper ajudam nesses casos.

Mantenha-se sempre aquecido e seja prudente

Por fim, evite passar o dia inteiro fora se a temperatura estiver rigorosa. Faça pausas para cafés, chás e chocolate quente de forma a manter sua temperatura aquecida. É prudente se vestir ainda dentro dos estabelecimentos antes de voltar para a rua, mesmo que você sinta um pouco de calor até que saia pela porta, uma vez que o choque térmico pode te pegar de jeito.

É muito comum acordar em ambientes com calefação e se arrumar considerando a temperatura interna de onde você se encontra. O primeiro contato com o frio não é parâmetro para saber se é necessário colocar mais ou menos roupa. Em outras palavras, para saber o quanto de roupa colocar não adianta apenas “dar um pulinho ali fora” e checar a temperatura. Em alguns casos, somente depois de sair de casa e passar mais tempo no frio é que você se dará conta que podia ter se protegido melhor, quando seu corpo começar a esfriar.

Ande sempre com uma mochila, peças de roupas e acessórios nela para que você vá se “equipando” à medida que a noite se aproxima.

Acompanhe nosso blog para mais dicas sobre o frio extremo e também sobre outros destinos no Brasil e no mundo.

Até breve!

Viajei Bonito

Viajei Bonito

Somos duas pessoas apaixonadas por movimento. Para nós, cair na estrada é mais importante do que um projeto futuro de estabilidade e quaisquer oportunidades de novas viagens, por mais remotas e loucas que pareçam ser, a gente tá pegando!

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