Desafios do G-20

Com a chegada de Donald Trump à presidência dos Estados Unidos, os desafios, especialmente climáticos, se acentuam e devem ser pauta do G-20, que começa nesta segunda-feira


Por Paulo Cesar Magella

17/11/2024 às 06h00

Com a participação dos dirigentes das duas maiores potências do planeta – Joe Biden, dos Estados Unidos, e Xi Jinping, da China, além de tantos outros -, o Brasil será sede nos próximos dois dias da reunião do G-20, com o desafio de pautar o debate internacional em torno de bandeiras relevantes, como o combate à fome e à pobreza, o desenvolvimento sustentável nas três dimensões – econômica, social e ambiental – e a reforma da governança global.

As discussões vão ocorrer às vésperas de uma mudança de comando nos Estados Unidos, cujo próximo presidente é avesso a temas ambientais, por entender que a instabilidade climática é mais uma peça de ficção do que um dado real. E é aí que entra o Brasil. O país é um dos líderes da discussão e terá que se precaver para uma guinada abissal no debate internacional.

Quando se fala em redução no uso de combustíveis fósseis, Donald Trump vai no caminho inverso e já anunciou investimentos para aumentar a produção de petróleo. Há uma série de impasses pela frente, que, certamente, deve entrar no G-20. Há outros, como a economia global. O dirigente americano, quando defende uma “América grande outra vez”, aponta para investimentos internos, fechando a porta para o intercâmbio econômico.

Seu olhar isolacionista vê os parceiros de forma distinta da gestão Biden, com quem o presidente Lula deve se encontrar ainda neste fim de semana e na conferência que acontece nos próximos dias.

Além da economia, a questão ambiental é o dado mais preocupante, pois os sinais são nítidos de que há algo fora do lugar. Um deserto do Saara com novos oásis é uma boa notícia, mas indica que o clima mudou. Chuvas acentuadas já em outubro e setembro caminham pela mesma rota.

E aí, a despeito do que for decidido no G-20, é mister discutir o planejamento das cidades ante a chegada do período mais crítico de chuvas. Todas as previsões apontam para um verão de temporais, que, certamente, causarão danos nas regiões menos envolvidas em políticas de prevenção.

Na última quarta-feira, o rompimento de uma represa causou sérios danos na cidade de Venda Nova, que faz parte da Região Metropolitana de Belo Horizonte. A Região Sudeste tem recebido alertas que não podem ser desconsiderados, sobretudo pelo histórico de problemas fruto da topografia acidentada e da ocupação desordenada das encostas.

Os assuntos estão interligados. Ao mesmo tempo em que se avalia o ciclo das águas que ora começa, o G-20 é também uma oportunidade para captação de recursos para o saneamento das cidades e para a recuperação das áreas degradadas na Amazônia, resultado da ação humana.

 

Os comentários nas postagens e os conteúdos dos colunistas não representam a opinião do jornal; a responsabilidade é exclusiva dos autores das mensagens. A Tribuna reserva-se o direito de excluir comentários que contenham insultos e ameaças a seus jornalistas, bem como xingamentos, injúrias e agressões a terceiros. Mensagens de conteúdo homofóbico, racista, xenofóbico e que propaguem discursos de ódio e/ou informações falsas também não serão toleradas. A infração reiterada da política de comunicação da Tribuna levará à exclusão permanente do responsável pelos comentários.