PF mira esquema de venda de vagas em presídios de Minas

Entre as unidades investigadas, está a de Muriaé. Organização criminosa seria integrada por advogados e funcionários públicos


Por Tribuna

08/10/2020 às 09h45

A  Força Integrada de Combate ao Crime Organizado de Minas Gerais (Ficco- MG), coordenada pela Polícia Federal e composta ainda pela Polícia Civil de Minas Gerais, Polícia Penal de Minas Gerais e Departamento Penitenciário Federal, deflagra nesta quinta-feira (8) uma operação que investiga a corrupção no Sistema Penitenciário do Estado de Minas Gerais.  As investigações revelaram uma organização criminosa. Ela seria comandada por funcionários públicos e advogados responsáveis pela venda de vagas em presídios do sistema e também pela entrada de objetos ilícitos nas cadeias. Entre os presídios que ocorria a prática criminosa está o de Muriaé.

Conforme a PF, estão sendo cumpridos 29 mandados de prisão preventiva e 45 mandados de busca e apreensão em 15 cidades de Minas Gerais: Belo Horizonte, Betim, Contagem, Fervedouro, Francisco Sá, Lagoa Santa, Matozinhos, Muriaé, Ouro Preto, Passo, Patrocínio, Ribeirão das Neves, Uberaba, Uberlândia e Vespasiano.

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De acordo com a Polícia Federal, as apurações apontaram que detentos de alta periculosidade eram transferidos indevidamente de presídios. Além disso, havia um esquema para a inserção deles em alas ou pavilhões com benefícios. Como a possibilidade de trabalhar, mesmo no caso de presos sem direito. O pagamento era repartido entre os líderes da organização criminosa.

Foram identificados, conforme a Polícia Federal, inúmeros eventos de corrupção praticados pela organização criminosa, envolvendo, principalmente, dois estabelecimentos prisionais na região metropolitana de Belo Horizonte. A operação foi batizada de “Alegria”. Trata-se de uma alusão à forma jocosa como os membros da organização criminosa referiam-se ao Complexo Penitenciário de Segurança Máxima Nelson Hungria, chamando-o de “Nelson Alegria”.

Os presos são investigados pelos crimes de participação em organização criminosa, corrupção ativa, corrupção passiva e concussão. Combinadas, as penas podem chegar a 20 anos de reclusão.

 

Tópicos: polícia federal

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