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Na volta do Mineiro, Tupynambás decide a vida contra a Caldense

Empate em Poços de Caldas, no duelo marcado para as 16h, já rebaixa o Baeta; técnico Guiba vê grupo com quase 60% das capacidades físicas, técnicas e táticas

Por Bruno Kaehler

26/07/2020 às 06h30

Luta fora de campo contra a retomada do Campeonato Mineiro e pela anulação do rebaixamento, impedimento de treinar e atuar em Juiz de Fora, formação do elenco às preces, quarteto afastado pela infecção do coronavírus e dificuldade de conseguir um estádio para jogar. Em síntese, estes foram os principais acontecimentos que conturbaram o Tupynambás no período de mais de quatro meses desde a paralisação do Estadual e a última partida – um 0 a 0 com a URT em Patos de Minas, no dia 15 de março. Sem contar, ainda, a situação delicada do Baeta na competição. Neste domingo (26), o Leão do Poço Rico, último colocado, encara a Caldense, quarta melhor na tabela, às 16h, no Estádio Municipal Dr. Ronaldo Junqueira, o Ronaldão, em Poços de Caldas, pela penúltima rodada da fase classificatória do Módulo I. Somente a vitória juiz-forana mantém as esperanças matemáticas do clube permanecer na elite em 2021.

Com 3 pontos, só podendo chegar aos 9 na tabela, o Tupynambás precisa vencer a Caldense, que luta pelo G4 com 17 pontos, e o Boa Esporte na última rodada, em Varginha. Além disso, precisa torcer por tropeços do Villa Nova, penúltimo lugar com 4 pontos, Coimbra, primeiro fora do Z2, com 7 pontos, e o próprio Boa, nono com 8 pontos – equipes que ainda possuem chance de rebaixamento. O Leão do Bonfim visita o Uberlândia, às 10h, o Coimbra recebe o Tombense, às 21h30, e o Boa Esporte encara o Patrocinense, fora, às 16h.
Não fosse o bastante, o Baeta é o único time que ainda não venceu no Mineiro, que vai para sua 10ª rodada.

Elenco que treinou em Xerém, na parceria com a empresa DSG Sports Group (Foto: Reprodução/Instagram DSG Sports Group)

O técnico Guiba, que chegou ao clube justamente antes do duelo contra a URT, afirmou que os atletas precisam pensar na paralisação de forma positiva por conta deste cenário. “Ficamos em casa cerca de quatro meses e estamos tendo a oportunidade de voltar e mudar a história do Tupynambás. Sabemos que o mundo vive um momento atípico, um vírus que parou tudo e não vai ser a mesma coisa nunca mais. Temos que nos adaptar e isso também vale para a nossa profissão. Agora precisamos aproveitar a oportunidade de mudar o que não vinha dando certo no começo do ano”, destaca à Tribuna.

O comandante, ao lado do auxiliar Zé Luis Peixoto, teve apenas nove dias de treinos para preparar o grupo. “Tentamos condicionar os atletas o máximo possível. Trabalhamos um pouco fisicamente, além de técnica e taticamente pra chegar de 50% a 60% das capacidades nesses quesitos, porque sabemos que não vamos atingir os 100%. Mas nos preparamos para tentar nos posicionar bem, ter a posse de bola e buscar vencer. A Caldense está treinando há 13 dias, quatro a mais que nós, e ainda viajamos seis horas, então vem um desgaste maior. Mas temos que vencer para seguir vivos. Dependemos de outros resultados também, mas primeiro devemos pensar no nosso jogo e, depois, ver o que a tabela nos proporcionou”, projeta Guiba.

Grupo conhecido

Com apenas 19 dias para montar o grupo e regularizar os profissionais contratados, desde a oficialização do retorno do Estadual em reunião entre a Federação Mineira de Futebol (FMF) e os clubes participantes do Módulo I, o Tupynambás reuniu base de atletas que já disputava a competição pelo clube até a parada, mais jogadores indicados pela empresa parceira DSG Sports Group, de Petrópolis (RJ), que tem ajudado o Leão nos custos da nova pré-temporada como na estadia em estrutura de Xerém, em Duque de Caxias (RJ), para realizar os treinos, e nos exames médicos obrigatórios pelo protocolo de segurança da FMF.

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Foram regularizados no Boletim Informativo Diário (BID) da CBF, até o fechamento desta matéria, os goleiros André Zuba, Bruno Hargreaves e Paulo Victor Ferreira Ribeiro, os laterais-direito Henrique, Arthur Bastos, os zagueiros Adriano, Vinícius Leonel (também volante) e Arthur Lopes, os volantes Léo Salino e Albert, o meia Sávio e os atacantes Fabinho Alves e Ygor Vinícius. O lateral-direito Lucas, da base, o zagueiro e volante Matheus, ex-Corinthians sub-20, e os meia-atacantes Bruno Vieira e Gabriel Sá, também de Juiz de Fora, já possuíam condição de jogo, com vínculo até o final do ano com o clube. Desta lista, Paulo Victor, 25 anos, ex-Juventus (SC), e Arthur Lopes, 24, ex-Serrano (RJ), não são remanescentes do primeiro semestre.

Atacante Ygor Vinícius, titular em parte da campanha do primeiro semestre, é um dos atletas que segue no Baeta (Foto: Leonardo Costa)

“Já fiz um jogo com a maioria dos atletas que estão aqui e os que chegaram também têm ajudado. Mas a maioria é a base da equipe que fiz uma partida e já sabe a minha ideia de jogo e outras preferências, um dos fatores que não nos prejudicou tanto e pode nos ajudar”, reforça Guiba.

Há ainda o trio formado pelo atacante Ademilson, contratado pelo Baeta, além dos atletas Kaíque e Marlon, da DSG Sports Group, que testaram positivo para Covid-19 e foram imediatamente isolados, estando fora do Mineiro. O volante Léo Franco também testou positivo, mas realizou contraprova e pode pintar entre os relacionados para o jogo, dependendo do resultado. O lateral-esquerdo Gustavo, trazido pelo clube já pensando na Série D do Brasileiro, que começa em setembro, dividia o quarto com Léo Franco, teve resultado negativo no teste, mas foi afastado do elenco por medida de segurança.

Mando do Baeta

Apesar do duelo deste domingo ocorrer na casa da Caldense, o mando de jogo é do Tupynambás. Vice-presidente de Futebol do Baeta, Cláudio Dias explicou à Tribuna que, já ciente da proibição das atividades em Juiz de Fora pela Prefeitura, tentou atuar em Muriaé, Tombos, Varginha e Pouso Alegre. Neste último, chegou a ter um acordo com o prefeito da cidade, mas acabou tendo o evento vetado no Estádio Municipal Irmão Gino Maria Rossi, o Manduzão, pela Vigilância Sanitária. A última alternativa, logo, foi pensar em uma estratégia logística, pela menor distância entre Poços de Caldas e Varginha – local do último duelo -, de aproximadamente 150 quilômetros.

Esperança na Justiça

Paralelamente ao Villa Nova, o Tupynambás chegou a dar entrada com liminar na Justiça requerendo o cancelamento do Campeonato Mineiro e a anulação do descenso nesta temporada. O presidente do Tribunal de Justiça Desportiva de Minas Gerais (TJD-MG), Bruno Dias Cândido, negou os pedidos. Contudo, nesta terça-feira (28), às 19h, o TJD-MG agendou, em evento virtual, o julgamento do mérito da questão do rebaixamento da competição. O Tupynambás se diz otimista em função, sobretudo, da decisão do TJD-RJ, que cancelou as quedas no Campeonato Carioca, e da Federação Gaúcha, com resolução no mesmo sentido.



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