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Funalfa abre processo de tombamento do Estádio Salles Oliveira, do Tupi

Pedido partiu de torcedor e pode dar fim ao acordo do clube com construtora, que irá buscar a impugnação; espaço completou 89 anos e já teve tombamento considerado


Por Bruno Kaehler

24/06/2021 às 19h21

O Estádio Salles Oliveira, do Tupi, em Santa Terezinha, pode virar patrimônio de Juiz de Fora. A pedido de um torcedor do clube, foi aberto, na Prefeitura, por meio da Fundação Cultural Alfredo Ferreira Lage (Funalfa), o processo de tombamento do espaço. A busca pela preservação do campo pode inviabilizar o acordo de permuta do local entre a agremiação alvinegra e a Construtora Rezende-Roriz.

A informação foi divulgada, inicialmente, pelo globoesporte.com. A princípio, como confirmado pelo diretor da Rezende-Roriz, Marcos Rezende, nesta quinta-feira (24) à Tribuna, o Tupi e a empresa possuem contrato que envolve a construção de um novo centro de treinamento para o clube e um campo para jogos de menor demanda pública, com capacidade de 5 mil a 7 mil torcedores, localizado entre os bairros Barreira do Triunfo e Benfica, Zona Norte. Em contrapartida, o espaço do Salles Oliveira será repassado à construtora, que também tem arcado com o pagamento de parte das dívidas trabalhistas do Alvinegro, com valores mantidos em sigilo.

O torcedor e historiador Humberto Ferreira Silva foi o responsável pelo pedido junto à Funalfa. Assim que aberto o processo de tombamento, o Tupi foi notificado, no dia 10 de junho, e encaminhou o documento à construtora. O diretor Marcos Rezende confirmou o recebimento e garantiu, ainda, que já prepara a tentativa de impugnação, o que deve ser feito no período de até 30 dias após o conhecimento da agremiação.

“Contratamos uma historiadora para fazer o relato de que não existe motivo de tombamento”, afirma Marcos. Ele reitera, ainda, que a estrutura do estádio carijó corre riscos. “Na verdade, a obra está caindo. Se tombar, vai cair. Estamos fazendo um estudo da não necessidade e possibilidade do tombamento e também do impacto benéfico dos futuros empreendimentos na comunidade.”

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As obras do novo CT do Tupi ainda não começaram, visto que o projeto se encontra em fase de aprovação dos órgãos públicos. “Hoje, se tiver um jogo em Santa Terezinha, ninguém chega e ninguém sai. Estamos levando o campo do Tupi para um lugar com uma mobilidade urbana muito melhor, próximo da BR-040, assim como as condições de alojamento. E também terá transporte público na porta.”

Estádio Salles Oliveira recebe treinamentos dos times adulto e de base do Tupi, sem jogos oficiais da categoria profissional (Foto: Fernando Priamo/Arquivo TM)

Tombamento foi pensado em 2007

O Salles Oliveira acaba de completar 89 anos, tendo sido inaugurado em 19 de junho de 1932, com um confronto entre Tupi e Vasco da Gama, clube então campeão do Torneio Início do Campeonato Carioca, finalizado no empate de 1 a 1. O espaço herdou o nome do principal responsável pela construção, o então presidente do Tupi, Francisco de Salles Oliveira.

O processo de tombamento já chegou a ser cogitado em 2007, quando o clube vivia situação econômica também fragilizada, mas por dívidas com o INSS. O Salles chegou ser penhorado pela Justiça federal, que chegou a leiloar a praça esportiva. Nenhum comprador apareceu, e uma nova data seria marcada. Foi então que surgiu a hipótese de tombar o campo. O processo chegou a ser iniciado, mas não prosseguiu. Em 2009, a dívida federal do Tupi foi paga com dinheiro apurado da venda de parte do terreno da sede social, e o Salles Oliveira deixou de correr risco.

O processo

Conforme a Funalfa, em nota enviada para a Tribuna, “recebendo ou não o pedido de impugnação, é obrigação legal da Funalfa, enquanto gestora da cultura no município de Juiz de Fora, subsidiar a solicitação apresentada, produzindo pesquisas que abordem aspectos como relevância história e arquitetônica do clube, além de sua relação com a sociedade, através dos tempos.” Ainda segundo a pasta, “antes de ir à votação no Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Cultural (Comppac), o pedido de tombamento e a pesquisa produzida pelo Departamento de Memória e Patrimônio Cultural da Funalfa são analisados por um relator (integrante do Comppac), que se posiciona em relação à pertinência ou não da proteção patrimonial. Por fim, os conselheiros votam para definir se acatam ou rechaçam a solicitação de tombamento, não havendo prazo máximo legal estipulado para a conclusão do processo.”

Tópicos: tupi

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