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Creche estima prejuízo de R$ 20 mil após alagamento

Entidade localizada no Santo Antônio é uma das maiores da cidade e atende 250 crianças. Local ainda não tem previsão para ser reaberto. Na manhã desta segunda, Defesa Civil contabilizou 85 ocorrências em JF, e equipes do Plano de Contingência seguem atendendo casos em toda a cidade.

Por Bárbara Riolino

12/03/2018 às 12h42 - Atualizada 12/03/2018 às 14h49

A creche comunitária pertencente à Associação Assistencial Adalberto Teixeira Fernandes Filho, no Bairro Santo Antônio, região Sudeste de Juiz de Fora, amanheceu nesta segunda-feira (12) sem o movimento habitual das crianças. As atividades no local, porém, foram intensas, já que funcionários e a própria comunidade trabalharam para contabilizar os danos depois da forte chuva que caiu sobre a cidade no último sábado (10), que correspondeu a 70% do volume de precipitações previsto para este mês e foi considerada umas das maiores dos últimos anos. A água invadiu a creche, chegando a uma altura de 60cm, atingindo alimentos, materiais de trabalho, colchões, lençóis e documentos. Um prejuízo estimado em, aproximadamente, R$ 20 mil, segundo a entidade.

“Toda vez que chove, a água invade a creche e sempre temos perdas. Desta vez, recebemos o material na sexta, e, por conta da chuva, perdemos tudo, praticamente. Tudo o que seria para o mês de março foi perdido”, relata a coordenadora da creche, Joanita de Almeida. Segundo ela, desde a construção de uma escola, localizada na Rua Manoel Alves, uma das manilhas instaladas na via para captação da água da chuva teria sido fechada. A que restou não seria suficiente para atender a essa região do bairro, principalmente quando chove mais forte. Já a captação da Rua Pedro Trogo, onde a creche está construída, fica comprometida.

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Carro da creche (em primeiro plano) boiou na água, que chegou a uma altura de 80 cm na Rua Pedro Trogo (Foto: Divulgação/Creche)

A coordenadora conta que, em janeiro desse ano, a creche passou por uma reforma e, entre as intervenções, foram colocadas portas de alumínio e mesas cuja bases foram construídas em tijolos. “Não podemos mais colocar portas e móveis de madeira, pois sempre que chove muito é esse problema”, ressalta ela, acrescentando que nesta segunda, o local será limpo, mas que ainda precisa ser dedetizado, já que as águas trouxeram muitos animais, como ratos e baratas, que furaram os sacos de mantimentos. Ainda não há previsão para o local ser reaberto. A creche atende a 250 crianças, dos 4 meses aos 12 anos de idade.

Um veículo recém-adquirido pela creche para auxiliar no transporte de doações foi atingido e boiou na via durante a chuva, somando mais um prejuízo à creche. Entretanto, no final da manhã desta segunda, um amigo da creche se prontificou a arrumar o carro e arcar com as despesas.
A instituição está recebendo doações, principalmente de colchões para berços, material de limpeza e mantimentos, de preferência leite, açúcar e Nutribom. Joanita pede que as doações sejam entregues direto à creche, que fica na Rua Pedro Trogo, 60. Outras informações podem ser obtidas pelo telefone 3235-5500.

Defesa Civil registra 85 ocorrências

Em novo boletim divulgado nesta segunda-feira (12), a Defesa Civil informou ter registrado 85 ocorrências relacionadas às chuvas do final de semana, dentro do Plano de Contingência da Prefeitura de Juiz de Fora (PJF) para tentar minimizar os danos. Foram 30 ocorrências na região Sudeste, 20 na Leste, 15 na Norte, nove na Nordeste, cinco na Oeste, e três no Centro e três na Sul. Os atendimentos estão relacionados a deslizamentos de taludes, ameaças de deslizamentos de taludes, trincas em piso, ameaças de queda de árvore, infiltração em piso, enxurradas, alagamentos, rua danificada e queda de árvore.

Além disso, como medida preventiva, cerca de 30 pessoas foram desalojadas devido aos deslizamentos de taludes nos bairros Bela Aurora, Filgueiras, Santo Antônio e Nossa Senhora de Lourdes. O órgão informou que o serviço social realizou o atendimento a essas pessoas, que, no momento, estão acolhidas nas casas de parentes e amigos.

Em entrevista à Tribuna, o prefeito Bruno Siqueira (MDB) disse que acompanha os trabalhos da Defesa Civil e das demais pastas envolvidas – Secretaria de Obras, Demlurb, Settra e Cesama – para que os problemas sejam resolvidos rapidamente. Ele avalia que, na comparação com anos anteriores, como 2013, o número de ocorrências foi menor.

“Essa redução é muito em função das obras de contenção que foram executadas nas encostas e da remoção famílias residentes em área de risco para programas habitacionais que a PJF, em parceria com o Governo Federal, entregou à população. Mas temos problemas a serem resolvidos em relação a obstrução de vias, limpeza de residências, locais que tiveram inundações. Vamos trabalhar a semana inteira para minimizar os problemas causados pelas fortes chuvas”.

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Já o Corpo de Bombeiros realizou, no domingo (11), 19 atendimentos, entre eles dez deslizamentos, quatro cortes de árvores, quatro vistorias de árvore e deslizamento e um afogamento. Entretanto, a corporação reiterou que esse afogamento, ocorrido em Torreões, não teve relação com as chuvas e informou que o corpo da vítima foi encontrado boiando às margens da represa em uma fazenda próxima desta região. Nesta ocorrência, segundo os Bombeiros, a vítima, que não teve seu nome e sua idade divulgados, teria saído no sábado para procurar gado no pasto.

 

Volume de chuvas

Conforme a Defesa Civil, o pluviômetro da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) chegou a marcar o acumulado de 140mm, índice que corresponde a 70% do previsto para todo o mês de março. Deste total, 90 milímetros caíram entre 21h e 22h. Já os equipamentos do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), instalados em diversos pontos da cidade, mostraram o índice de 74.38mm na Represa, 69.39mm em Ponte Preta, 64.34mm em Santa Rita de Cássia, e 55.62mm em Igrejinha. O nível Rio Paraibuna estava em 3m29, sendo que entre meia noite e três horas da madrugada deste domingo (11), o curso d’água subiu quase dois metros.

De acordo com a Cesama, duas elevatórias de água foram atingidas pelas chuvas, e os reparos já foram concluídos, fazendo com que o abastecimento fosse retomado na tarde do próprio domingo. As equipes da companhia estão empenhadas ainda em reparos de redes de esgoto rompidas e entupidas. Os casos onde há risco estão sendo priorizados, e os atendimentos estão sendo feitos por meio do telefone 115. Na manhã desta segunda, segundo dados da Cesama, o nível da Represa Dr. João Penido variou entre 85,5% e 78,1%, sendo que na última quinta-feira, o índice era de 61%.

 

Trabalhos

A Secretaria de Obras realizou a retirada de barreiras que caíram em diversos pontos na Estrada da Lagoa, na estrada de Torreões, e em Sarandira. Nesta segunda, a pasta ainda atua no conserto de erosões nas ruas Luiz Fávero, no Bom Jardim; Henrique Dias, em Benfica; e Rua Goiás, no São Bernardo. A Settra, por sua vez, interditou totalmente as ruas Rosalina Praxedes de Albuquerque, no Bairro Santos Anjos, e a Monte Líbano, no Bandeirantes. Além disso, estão com trânsito parcialmente impedido a Diva Garcia, no Linhares, próximo ao Ecoponto do Demlurb, e a Henrique Dias, em Benfica. Ainda no domingo, o Demlurb realizou atendimentos emergenciais em toda região Central e nos bairros Borboleta, Jardim Esperança e Mariano Procópio. A retirada da barreira que deslizou no Borboleta foi concluída, e, na manhã desta segunda, o departamento dará continuidade aos atendimentos de limpeza e capina no Jardim Esperança e no Mariano Procópio, que tiveram início no domingo. Vale lembrar que a Defesa Civil atende 24 horas por dia pelo telefone 199.

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