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JF registra, em 11 dias, todas as chuvas previstas para janeiro

Em consequência às chuvas, a Defesa Civil registrou 132 ocorrências em três dias na cidade

Por Leticya Bernadete, Marcos Araújo e Michele Meirelles

11/01/2021 às 12h45- Atualizada 11/01/2021 às 22h33

As fortes chuvas registradas no fim de semana e na madrugada desta segunda-feira (11) foram responsáveis por inúmeros prejuízos, em Juiz de Fora e região. Como resultado desse acumulado de precipitação, a Defesa Civil local registrou 132 ocorrências em três dias, na cidade. Foram 17 no sábado, 22 no domingo e mais 93 nesta segunda até as 18h.

Parte da Estrada União e Indústria, na altura do Bairro Santo Antônio, Zona Sudeste de Juiz de Fora, cedeu na noite de domingo (Foto: Fernando Priamo)

Os estragos também deixaram rastros nas estradas. As chuvas das últimas horas provocaram um grande deslizamento, fechando parte da Estrada União e Indústria, na altura do Bairro Granjas Santo Antônio, na Zona Sudeste do município. Uma carreta passava pelo local, na hora, escorregou e tombou. Na MG-353, no trecho que liga Juiz de Fora a Coronel Pacheco, a queda de uma barreira deixou a pista parcialmente interditada.

O trecho em questão também ficou interditado, em 2020, quando uma cratera se abriu no asfalto, no km 66, no dia 5 de fevereiro, em razão de fortes chuvas. A interdição durou por cerca de um mês, e sua liberação aconteceu no dia 11 de março, depois das obras de recuperação realizadas pelo Departamento de Edificações e Estradas de Rodagem (DER-MG).

Chuva afeta todas as regiões da cidade

De acordo com a Prefeitura de Juiz de Fora (PJF), todas as regiões da cidade foram afetadas pela chuva. Ao todo, foram 33 situações de escorregamento de talude, 13 de desabamento de muro de divisa e cinco de desabamento parcial de edificação.

Para agilizar o atendimento, conforme a PJF, as demandas registradas na Defesa Civil, na Empresa de Pavimentação e Urbanização (Empav), no Departamento de Limpeza Urbana (Demlurb) e na Secretaria de Obras foram concentradas na Sala de Situação, onde o fluxo de urgência, organizado mediante análise técnica, ficou a cargo da coordenação da sala, que é de responsabilidade da Secretaria de Governo.

Segundo a PJF, nesta segunda, o objetivo foi atuar na vistoria de todas as situações de risco ocasionadas pelas chuvas. Durante a manhã, equipes da Defesa Civil atuaram nas zonas Sul, Sudeste, Norte e Leste da cidade.

Inundações nos bairros

As chuvas causaram alagamentos em diversos pontos da cidade. Na manhã desta segunda, o Corpo de Bombeiros atuava no Bairro Industrial, Zona Norte, no resgate de pessoas ilhadas no interior de suas residências. Na Rua Henrique Simões, uma família foi retirada de sua casa pelos militares.

No domingo, no mesmo bairro, o córrego Humaitá transbordou e deixou a Avenida Lúcio Bitencourt embaixo d’água. Os efeitos das precipitações ainda estavam presentes na manhã desta segunda, visto que o nível da água ainda era alto.

Córrego Humaitá transbordou e deixou a Avenida Lúcio Bitencourt alagada (Foto: Fernando Priamo)

Na localidade, a Avenida Garcia Rodrigues Paes, também conhecida como Acesso Norte, e as ruas Cônego Roussim e Mário Nogueira também estavam com pontos de alagamentos por conta da cheia do Rio Paraibuna. Durante a tarde, a equipe da Tribuna voltou ao Industrial, e o alagamento ainda podia ser observado.

Morador da Cônego Roussim, Washington Oliveira contou à reportagem que parte dos problemas na região está relacionada aos bueiros entupidos nas vias. “A rua estava enchendo por causa do bueiro jogando água para fora. Com a quantidade de chuva que caiu ontem (domingo), foi questão de horas para alagar a rua toda.”
De acordo com Washington, a água chegou a invadir várias casas. “Todo ano é a mesma coisa: deu janeiro, tempo de chuva, e começa a alagar as ruas. O bairro já tem um histórico de alagamento, não tem nem o que fazer, só a Prefeitura tomar as medidas possíveis porque todo ano é a mesma coisa”, espera.

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Outros transtornos

Outros bairros como Nova Era, Cerâmica, Benfica, Santa Cruz, Francisco Bernardino (Zona Norte), Igrejinha (Zona Rural) e Graminha (Zona Sul) sofreram com inundações e enxurradas. Os problemas também ocorreram em Filgueiras, na região Nordeste; Santo Antônio, Jardim Esperança e Terras Altas, no Sudeste, e Santa Luzia, na Zona Sul.

No Nova Era, a esquina da Rua Doutor Dias da Cruz com a General Almerindo da Silva Gomes alagou por volta de 22h, especialmente por conta do volume da correnteza que veio do alto do bairro. Alguns carros e ônibus ficaram parados no local por horas, visto que ficaram impedidos de acessar a Avenida JK. Por volta da meia-noite, o nível da água ainda estava alto.

Conforme a PJF, as equipes da Defesa Civil continuam de plantão, fazendo atendimentos externos de vistoria em toda a cidade. O telefone 199 também mantém o serviço 24 horas, para recebimento de notificações.

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Bairro Nova Era teve ruas inundadas após as chuvas (Foto: Renan Ribeiro)

Queda de árvores

O Corpo de Bombeiros, durante o período da manhã de segunda, trabalhou em quatro atendimentos devido à queda de árvores, sendo uma no Bairro Linhares, Zona Leste, uma na Vila Mello Reis, Zona Norte, uma no Bairro Granjas Primavera, Zona Sudeste, e outra no Salvaterra, Zona Sul. Outros seis chamados referentes à vistoria de risco de queda de árvore seriam realizados pelos militares ao longo do dia. Estes casos foram registrados nos bairros Ipiranga, São Mateus e Bom Pastor, na Zona Sul, no Bandeirantes, região Nordeste, e Vale do Ipê e Santa Helena, na região central.

Creche em Santo Antônio é afetada por alagamento

As chuvas ocorridas também causaram prejuízos ao Centro Educacional Adalberto Teixeira Fernandes Filho, creche comunitária localizada na Rua Pedro Trogo, Bairro Santo Antônio, Zona Sudeste de Juiz de Fora. De acordo com a coordenadora pedagógica da instituição, Joanita de Almeida, o espaço sofreu perdas materiais, e a preocupação, no momento, é conseguir angariar fundos para recuperação.

“Como nós estamos com a creche fechada desde março, no início da pandemia. Então, não temos recurso financeiro para nenhuma despesa. O convênio foi suspenso, as crianças não estão sendo atendidas e, com isso, não conseguimos nenhuma contribuição.” Por conta do alagamento, o espaço também deve passar por dedetização. Conforme Joanita, muitos animais peçonhentos, como ratos, lacraias e mesmo baratas acabaram aparecendo.

Frequentemente, a creche sofre consequências por conta das chuvas. O Bairro Santo Antônio já passou por intervenções para aumento da capacidade de escoamento da rede pluvial na região, entretanto, o problema persiste. “Não era para acontecer isso com a obra que foi feita”, comenta Joanita.

A PJF informou que uma equipe técnica da Secretaria de Educação (SE) esteve no local, na manhã desta segunda, dando todo o suporte necessário à coordenação da instituição. Além da presença da SE, para atender a demanda, foi enviado um caminhão pipa da Cesama que apoiou o serviço de limpeza do local.

Defesa Civil interditou moradia no Bairro Santa Helena após escorregamento de talude (Foto: PJF)

Casas interditadas no Santa Helena

Quatro casas no Bairro Santa Helena, na região Central, foram interditadas pela Defesa Civil, neste domingo (10), em função de um escorregamento de talude nos fundos de um imóvel localizado na Rua Visconde de Mauá. Por precaução, também foram interditadas outras três casas: uma na mesma via e outras duas localizadas na Rua Olímpio Reis. Os dois imóveis da Rua Visconde de Mauá abrigam quatro famílias.

A Defesa Civil, a Empav e o Corpo de Bombeiros atuam no local desde domingo. Uma árvore de grande porte no local já foi podada para evitar a queda e será feita a limpeza do material. Além disso, a Defesa Civil vai direcionar lona para o Corpo de Bombeiros a fim de possibilitar a instalação no terreno exposto e evitar erosão.

100% de chuva em 11 dias

Nesta segunda, o acumulado de precipitações em Juiz de Fora chegou a 100% do que era previsto para todo o mês de janeiro, de 322 milímetros. Só neste final de semana, choveu 113 milímetros na cidade, de acordo com informações do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet).

Além dos dados do Inmet, os pluviômetros do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), operados pela Defesa Civil, e espalhados por toda a cidade, também registraram índices significativos. Entre a manhã de sábado e desta segunda, choveu 103 milímetros em Igrejinha e em Ponte Preta, 104 no Floresta, 82 no Milho Branco, 77 em Filgueiras e 80 milímetros no Bairro São Pedro.

Paraibuna

Conforme a Defesa Civil de Juiz de Fora, devido ao grande volume de chuvas o nível do Rio Paraibuna chegou a 3,82m de altura, por volta das 4h30 da madrugada desta segunda. Às 14h30 já marcava 3,37m na estação hidrológica da Ponte de Santa Terezinha.

Nível de água do Rio Paraibuna chegou a 3,82 metros de altura, segundo a Defesa Civil (Foto: Fernando Priamo)

Defesa Civil treina engenheiros

A Defesa Civil de Juiz de Fora informou que recebeu reforço na equipe de engenheiros para atendimento às ocorrências geradas pelas chuvas. São profissionais remanejados de outros setores da Prefeitura, requisitados em caráter de excepcionalidade, com base no decreto 13.503/18, que prevê tal prática. A decisão foi um pedido do próprio órgão, como medida para amparar o grande número de vistorias a serem realizadas após os episódios de fortes chuvas.

Desde o dia 1º deste mês, a cidade já contabiliza 292 registros feitos pelo telefone 199 da Defesa Civil. O número já representa 62,9% do total de atendimentos de janeiro do ano anterior, quando a cidade também enfrentou um período de chuvas intensas, fechando com 464 demandas em toda a cidade. Ainda conforme o órgão, em dezembro de 2020, foi registrado o mesmo número de ocorrências ocorridas até agora em janeiro.

Limpeza, remoção de lama e lavação

Equipes do Demlurb realizaram, nesta segunda (11), raspagem com remoção de lama, limpeza e lavação em diversas ruas da cidade. As ações emergenciais foram necessárias em decorrência das chuvas.

Foi feita raspagem na Avenida Olavo Bilac, no Bairro Cerâmica, e lavação na Rua Senador Feliciano Pena, no Bairro Mariano Procópio. Também foram realizadas raspagem e lavação na Avenida Vereador Laudelino Schettino, no Bairro Democrata, e na Rua Pedro Ronzani, no Bairro Monte Castelo. Além disso, os profissionais do Demlurb auxiliaram moradores das ruas Vitória Fernandes e Antônio Júlio dos Reis, no Bairro Santa Cruz, a removerem móveis perdidos por conta de alagamentos.Ainda conforme a PJF, o programa “Boniteza” prossegue com os trabalhos na Rua Diva Garcia, no Bairro Linhares.

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