Silêncio em apartamento evitou novo ataque após homem matar cinco da mesma família
Delegada relata depoimento do suspeito à Polícia Civil; audiência de custódia do acusado será realizada nesta sexta-feira
O homem que matou o pai, a madrasta, duas irmãs e o sobrinho de cinco anos na manhã da última quarta-feira (7), no Bairro Santa Cecília, Zona Sul de Juiz de Fora, também tentou invadir o apartamento onde morava o irmão, a cunhada e os dois sobrinhos pequenos, localizada no mesmo prédio. Segundo as investigações, ele não conseguiu abrir a porta e, como não ouviu qualquer barulho no interior da residência, acreditou que o local estava vazio e deixou o imóvel.
A informação foi revelada pela delegada titular da Delegacia Especializada de Homicídios, Camila Miller, responsável pela investigação do caso que tem até dez dias para ser concluído, durante entrevista à Tribuna de Minas. Na tarde desta sexta-feira (9) uma audiência de custódia vai decidir se Jonathas dos Santos Souza, 42 anos, permanecerá preso.
O início da audiência está previsto para as 14h. Ela será realizada por videoconferência, segundo o Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG). O suspeito, que não tem advogado, será representado pela Defensoria Pública de Minas Gerais. O caso foi colocado em segredo de Justiça.

Homem tentou abrir porta da casa do irmão
Antes de ser encaminhado ao Centro de Remanejamento do Sistema Prisional (Ceresp), no Bairro Linhares, Zona Leste de Juiz de Fora, na quarta-feira (7), o suspeito prestou depoimento à Polícia Civil. Segundo a delegada Camila Miller, ele detalhou toda a dinâmica do crime, desde a decisão de ir à casa dos familiares até os acontecimentos que se seguiram.
Ao entrar na residência da família, o homem atacou inicialmente a irmã de 44 anos, e a outra, de 47. Em seguida, a madrasta, 63, também foi golpeada. Na sequência, o agressor foi até o quarto do pai, 74, que estaria dormindo quando foi esfaqueado. Na parte superior do imóvel, o sobrinho de 5 anos foi morto na cama. Todas as vítimas teriam sofrido múltiplas facadas, inclusive no rosto.
Durante a ação, o homem teria tentado abrir a porta do apartamento do irmão, que fazia parte do último andar do conjunto residencial da família. A delegada explica que no local dormiam o irmão do suspeito, que era pastor, junto com a esposa e os dois filhos pequenos.
Apesar das casas serem juntas, o apartamento do irmão, além de mais distante, tinha vidros e toldos que diminuíam a passagem de sons – o que fez com que a família não escutasse o crime que ocorria no andar de baixo, e nem o suspeito ouvisse a família.
“Ele tentou abrir a porta, mas não conseguiu. A casa estava em silêncio, então ele pensou que não tinha ninguém e foi embora. Mas se o irmão tivesse saído porque ouviu algum barulho seria mais uma vítima, não tenho dúvida disso. Ele não continuou porque não teve oportunidade, quem ele encontrasse pela frente, ele ia exterminar”, explica Miller.
O discurso do homem, até então organizado, conforme constatou a delegada, mudou a partir do momento em que foi questionado sobre a motivação. A partir daí, a fala do homem aparece confusa e os relatos foram classificados como “fantasiosos”, segundo a responsável pela investigação.
A Polícia Militar havia apurado, ainda na cena do crime, que o homem vinha apresentando um comportamento diferente nos últimos tempos, conforme relatos dados à corporação. Entretanto, não há informações oficiais, até o momento, como laudos que atestem o estado mental do suspeito.
O homem trabalhou durante a vida toda, não tinha passagens criminais e residia sozinho em um apartamento no Bairro Santa Terezinha, na região Nordeste de Juiz de Fora. Após assassinar a família, no Bairro Santa Cecília, na Zona Sul, ele retornou para casa, onde lavou a faca e a roupa usada durante o crime. No apartamento dele foram encontrados outras facas, além de canivetes e bota tática.
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