Turmas de Medicina questionam na Justiça possíveis desvios de fundos de formatura

Empresa fechou as portas nesta quinta e afirmou, em comunicado, que vai se pronunciar até segunda


Por Sandra Zanella

05/12/2024 às 18h56

Pelo menos três turmas de Cursos de Medicina – uma da Faculdade Suprema e duas da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) – entraram com ações judiciais nesta semana, na Comarca de Juiz de Fora, questionando a administração de fundos de formatura pela empresa Phormar, que atua há mais de duas décadas nesse segmento na cidade e região. Segundo o advogado das possíveis vítimas,  Lucas Vaz de Mello Martins Teixeira, do escritório Mello e Teixeira Advogados Associados, em dois dos casos os valores supostamente devidos giram em torno de R$ 200 mil, enquanto, no terceiro, o montante ultrapassa R$ 500 mil.

A situação também foi divulgada nas redes sociais, causando uma corrida de vários responsáveis por fundos de formatura de diversos cursos em busca de informações na empresa, que acabou fechando as portas nesta quinta-feira (5). Em comunicado fixado na sede, na Rua São Sebastião, no Centro, a Phormar esclarece: “Tendo em vista os acontecimentos recentes envolvendo o nome dessa empresa, visando garantir a integridade dos seus colaboradores, optamos por retornar na segunda-feira (9) no horário normal, prazo esse que teremos para um comunicado oficial e a entrega dos eventos do mês de dezembro normalmente. Estamos trabalhando em home office.”

Segundo o advogado Lucas, a Phormar realizou diversas transferências unilaterais de valores pertencentes a fundos para contas das empresas rés e do próprio dono, contrariando as normas estatutárias, que exigem autorização conjunta da Comissão de Formatura. “As rés admitiram manter sob sua posse valores pertencentes aos fundos, sendo parte desses valores investidos e parte em conta corrente, mas não devolveram o valor integral, mesmo após insistentes cobranças.”

Conforme Lucas, foram realizadas reuniões e, apesar de promessas de devolução total dos valores, apenas parte foi devolvida e somente para alguns fundos. “Ajuizamos as ações judiciais demonstrando todos os fatos com provas e, na primeira ação, já conseguimos deferimento de uma tutela de urgência para que o valor exato fosse bloqueado nas contas da empresa.”

O advogado acrescenta que o representante da Phormar informou que suas contas estão bloqueadas, o que estaria impedindo a devolução de valores e a realização de festas. “Porém, é bom ressaltar que não houve pedido de bloqueio de contas, mas tão somente a penhora do valor que deve ser devolvido. Além disso, estamos pedindo prestação de contas detalhada sobre todas as movimentações financeiras realizadas. Torcemos para que tudo se resolva da melhor maneira e que a empresa continue em funcionamento e honre com seus compromissos.”

Phormar Reproducao Redes sociais
Empresa fechou as portas nesta quinta e afirmou, em comunicado, que vai se pronunciar até segunda (Foto: Reprodução Redes sociais)

Repercussão deixou outros fundos de formatura em alerta

A primeira ação teria motivado outros fundos a também questionarem a administração do dinheiro, destinados aos eventos de formatura. A repercussão dos casos também deixou em alerta outras comissões de formatura. Além de fechar as portas nesta quinta, a Phormar não estaria respondendo aos contatos. “Estamos sem retorno por parte da empresa e não temos a transparência do que está acontecendo na nossa conta”, afirma Gabriela Schneider, 21 anos, secretária de um fundo da Faculdade de Comunicação (Facom) da UFJF, com festa prevista para fevereiro/março de 2026.

“Nós estávamos conversando com eles sobre agendamentos de fotografia e de fechamento de contratos com fornecedores. Mas, nesta semana, entramos em contato para ter transparência sobre as nossas contas, justamente pela repercussão”, conta Gabriela. “Tentamos contato por e-mail, WhatsApp, telefone, e a sede está fechada”, lamenta, preocupada com o futuro. O temor de não ter a festa e perder esse momento tão aguardado pela família é acrescido pelo risco de perder o valor que já foi investido pela turma, superior a R$ 90 mil. “Nossa indignação é mesmo com a falta de retorno e transparência.”

Funcionários da firma ouvidos pela Tribuna também estão apreensivos e aguardam o pronunciamento oficial da direção. A reportagem tentou contato com a Phormar e com o proprietário, mas não obteve retorno até o fechamento desta matéria. O espaço segue aberto à manifestação.

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