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20 apresentar 20×2 álbuns de 1991 – Parte 5

Por Júlio Black

25/08/2021 às 07h00 - Atualizada 24/08/2021 às 13h29

 

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Oi, gente.

Chegamos à quinta parte de nossa série com os álbuns clássicos de 1991, que consideramos o melhor ano da história da música. Desta vez, ganham nossas devidas homenagens os trabalhos de Smashing Pumpkins, N.W.A., Seal, Sepultura e Mudhoney, que entram para a lista que já revisitou os álbuns de Nirvana, Teenage Fanclub, Beat Happening, The Orb, Massive Attack, Prince e R.E.M., entre outros.

São preciosidades musicais que, três décadas depois, ainda não perderam o brilho, então trate de colocar na vitrola (ou celular, computador…) enquanto lê a coluna.

Vida longa e próspera. E obrigado pelos peixes.

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The Smashing Pumpkins, “Gish”
O Smashing Pumpkins explodiu com “Siamese dream” (1993), mas isso poderia muito bem ter acontecido antes, em 28 de maio de 1991, quando “Gish” chegou às lojas de discos dos Estados Unidos. Afinal, a mistura de rock pesado, indie, pop e psicodelia que fez a fama do quarteto de Chicago (esse timaço formado por Billy Corgan, D’arcy, Jimmy Chamberlin e James Iha) já marcava presença. Com influências das mais diversas (Black Sabbath, The Cure, my bloody valentine, Led Zeppelin, Beatles, Siouxsie and The Banshees), “Gish” apresentou alguns dos clássicos imortais dos Pumpkins, como “I am one”, “Rhinoceros”, “Bury me” e “Siva”, além de “Daydream” e “Tristessa”, entre outros. O álbum foi produzido por ninguém menos que Butch Vig, o mesmo ser humano que ajudou a fazer de “Nevermind”, do Nirvana, a pedra fundamental do grunge.

N.W.A., “Niggaz4life” ou “Efil4zaggin”
Outro álbum lançado em 28 de maio de 1991 – e que teve muito mais repercussão e sucesso na época – foi “Niggaz4life” (ou “Efil4zaggin”), segundo e derradeiro álbum do N.W.A. Agora sem dois de seus membros originais (Ice Cube e Arabian Prince), Easy-E, Mc Ren, Dr. Dre e DJ Yella mantiveram o nível do arrebatador álbum de estreia, “Straight outta Compton”, que entrou na nossa lista de álbuns clássicos de 1988. A receita era a mesma: toneladas de samples para compor uma trilha sonora do gangsta rap e sua realidade repleta de letras sobre violência e hedonismo, e que também eram sexistas e misóginas. Entre os destaques do álbum estão a faixa-título e mais “Real niggaz don’t die”, “Alwayz into something” e “Findum, fuckum and flee”, entre outras. Pouco tempo depois, o N.W.A. implodiu com as saídas de Dr. Dre e do colaborador The D.O.C., que foram criar a gravadora Death Row Records. Mas aí a história já estava escrita.

Seal, “Seal”
Henry Olusegun Adeola Samuel, mais conhecido como Seal, era apenas um entre vários cantores de belíssima voz que ganhavam seus trocados como vocalistas de bandas que iam a lugar algum. A sorte do rapaz, porém, mudou no início de 1990, quando emprestou o vozeirão para o clássico “Killer”, de Adamski, que ficou em primeiro lugar na parada britânica. Como prêmio, assinou contrato com a ZTT Records e gravou seu álbum de estreia, que também chegou ao primeiro lugar dos charts e garantiu a ele os prêmios de melhor álbum, cantor e videoclipe britânico do British Awards de 1992. E tudo que o cantor inglês faturou foi merecido. “Seal” é um ótimo disco de pop, soul e rhythm and blues. Além de uma nova e igualmente matadora versão de “Killer”, seu trabalho de estreia inclui o mega hit “Crazy”, “Future love Paradise”, “Deep water” e “The beginning”. É desses discos que ouvimos e nos questionamos por que não colocamos mais vezes em nossas playlists diárias.

Sepultura, “Arise”
A maior banda de thrash metal do Brasil já estava no mapa com o lançamento de “Beneath the remains” (1989), porém foi com seu quarto álbum de estúdio que o Sepultura se aproximou da Premier League formada por Metallica, Slayer e outros titãs do metal superpesado. “Arise” ainda carregava muito das influências do thrash e death metal que marcaram os trabalhos anteriores, mas outros ritmos já faziam a cabeça dos integrantes do Sepultura: o punk hardcore e a chamada música industrial de grupos como Ministry e Young Gods, além de elementos de percussão, que ajudaram a mudar radicalmente a sonoridade da banda em “Chaos A.D.” (1993) e “Roots” (1996). Esse momento de transição legou às hordas metálicas algumas das músicas mais conhecidas do Sepultura, como “Dead embryonic cells”, “Desperate cry” e “Infected voice” e a faixa-título, que versavam sobre temas como guerra, morte, doença e fome, além da versão para “Orgasmatron”, do Motörhead.

Mudhoney, “Every good boy deserves fudge”
O Mudhoney é a banda com o maior senso de humor da turma que foi colocada no balaio de gatos chamado grunge, e seu segundo álbum de estúdio é boa prova do quanto uma banda pode ir longe sem se levar tão a sério. “Every good boy deserves fudge” foi lançado pela lendária gravadora Sub Pop em 26 de julho de 1991 e é considerado por muitos fãs como o melhor álbum do Mudhoney. Gravado em uma fita de baixa qualidade e em uma mesa de apenas oito canais, o disco tem pérolas do garage rock como “Good enough”, “Thorn”, “Into the drink”, “Shoot the Moon” e “Let slide”. Steve Turner, Mark Arm, Matt Lukin e Dan Peters fazem parte daquela turma que merecia ter ganhado muito mais dinheiro e fama do que ganhou, mas então.

Júlio Black

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