A arte de se fantasiar


Por Ana Paula Calixto

12/02/2021 às 06h58

Esse ano não vai ser igual aquele que passou… com o carnaval cancelado por causa da pandemia, os dias de folia serão ressignificados. Ficar sem a maior de todas as festividades do Brasil é um cenário inédito mas totalmente necessário diante da situação tão delicada que estamos vivendo.
Oficialmente não terá carnaval, mas a maneira que cada um irá passar por este período varia muito, de acordo com a realidade e a vontade de cada um. Há quem esteja se movimentando para encontros virtuais, há quem irá viajar e há quem não irá se privar de brincar até em festas clandestinas, e também há aqueles que irão ignorar solenemente a data! Mas não vamos entrar no mérito da questão, pois aqui não cabe julgamentos, o nosso papo é sobre a arte de vestir e de se fantasiar.

Fantasiar-se é devanear, imaginar, idealizar, sonhar. E durante o carnaval, a capacidade de criar com imaginação é um ótimo exercício de inventividade. No carnaval, a liberdade de expressão através das roupas, dos acessórios, da maquiagem, permite extravasar muito da essência de cada um.

CALIXTO Ilustração Tribuna Semana 12 2

Quantos sonhos não realizamos nos fantasiando? Desde as fantasias da infância, quando realizamos os sonhos de “sermos” as nossas heroínas e de vestirmos papéis que sonhávamos exercer, até a liberdade de se vestir do jeito que quiser, com toda a licença poética, afinal, é carnaval!
No artigo “Por que no carnaval as pessoas soltam as fantasias nas fantasias?”, Marcos Bueno afirma que “a fantasia é criar roupagens aparentemente absurdas, mas que o desejo dá vida.”

O carnaval é um grande palco que permite a vivência de fantasias nas fantasias que vestimos. Ele cria oportunidades para a pessoa expressar a criatividade e, num exercício de estilo, muitas vezes experimentando novas versões de si mesmas, através dessa magia que o carnaval traz.
Na cultura brasileira, as fantasias criaram suas próprias tradições e, ao longo dos carnavais, os modismos foram dando o ritmo da folia. Assim como as roupas contam a nossa história, as fantasias também fazem parte da nossa narrativa. Aqui cabe um depoimento pessoal: o carnaval sempre ocupou uma parte importante na minha vida.

Meu pai sempre amou o carnaval e tenho lembranças ótimas da minha infância em Bicas. A animação do bloco da meninada da rua,
os desfiles nas escolas de samba da cidade e os bailinhos no clube, as fantasias idealizadas pela minha mãe estão bem guardadas na minha memória afetiva. Havaiana , índia , Mulher-Maravilha, bailarina, marinheira, colombina, odalisca fizeram os carnavais da minha infância até a adolescência. Na vida adulta tive a oportunidade de realizar o maior dos sonhos carnavalescos: desfilar numa escola de samba do Rio de Janeiro. Minha fantasia foi de Santo Expedito no carnaval campeão da Mangueira. Tive o sonho realizado, fantasiada como o santo das causas impossíveis. Carnaval tem cada uma! Gosto de curtir o carnaval, gosto do samba e de tudo de lúdico que ele traz e também gosto de brincar com a minha imagem.

Em 2021 não vai ter carnaval de rua, não vai ter festa, mas o espírito carnavalesco vai estar no paticumbum do meu coração. E na minha cabeça também, pois não vou deixar de inventar uma moda e brincar de me fantasiar.

E se você quiser se inspirar e não deixar este carnaval em branco, fica de olho nas dicas da DaniBrito, responsável pelas ilustrações da coluna, que, além de designer, é expert em produções carnavalescas. Responsável pela identidade visual do bloco Parangolé Valvulado, ela criou opções para o carnaval virtual. Para Dani, uma make bem colorida misturando vários tons de cores, acessórios de cabeça e brincos exagerados compõem uma excelente produção para brilhar na tela.

O saber transformar tudo em brincadeira é uma das premissas do carnaval! Bom carnaval a todos!

Ficha técnica:
Ilustração DaniBrito @mercadodasalvacaostudio

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