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O prédio caiu!

Por Walber Gonçalves de Souza, professor e membro das academias de Letras de Caratinga (ACL), Teófilo Otoni (ALTO) e Maçônica do Leste de Minas (AMLM)

10/05/2018 às 07h00

Recentemente um prédio, ou melhor um imenso prédio, pegou fogo e em chamas veio a desmoronar na maior metrópole da América Latina: a capital paulista São Paulo. O acontecido poderia ter sido cena de um roteiro cinematográfico de um filme de ficção ou terror, pela tragédia ocorrida, mas infelizmente se tratava de cenas da vida real.

O que talvez não tenhamos notado, pela nossa inércia ou alienação social, é que aquele prédio já havia desmoronado há muito. Se, na gíria popular, quando dizem que a “casa caiu” é porque alguém é pego e/ou descoberto pela polícia, metaforicamente ousarei dizer que “o prédio caiu”, representa, em pequena escala, tudo aquilo que vem acontecendo de mais podre e sórdido com a nossa nação e que também se desmascarou no triste episódio.

O prédio desmorona a cada dia quando, no jogo do empurra-empurra dos poderes públicos, ninguém tomava de fato uma providência para resolver o problema. No Brasil da burocracia e do politicamente correto, tapar o sol com a peneira vem sendo sempre o caminho escolhido.

O prédio desmorona a cada dia quando a contribuição mensalmente paga, ou poderíamos chamar também de “propina ilegalizada do lar”, era desviada para atender as intenções do(s) líder(es) e seus parceiros no dito movimento social também envolvido na questão.

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O prédio desmorona a cada dia quando a sociedade não quer resolver seus problemas, quando de excluídas aquelas pessoas se tornam invisíveis sociais. Portanto, se aquele prédio não tivesse caído, ninguém se importaria com aquelas pessoas. Continuariam ali como indigentes, como invisíveis, como “ninguém” pelo resto das suas vidas. Simplesmente alimentando a riqueza de alguns que vivem justamente da miséria deles.

O prédio desmorona a cada dia quando, de fato, não observamos no país um projeto decente de habitação pública que não tenha por objetivo ser uma forma de lavagem de dinheiro para financiar a maldita corrupção. Dinheiro que vai para o ralo sem nenhum retorno social.

O prédio desmorona a cada dia quando as construções públicas ficam abandonadas, à mercê da sorte, das intempéries, das invasões, da má utilização, gerando prejuízos aos cofres públicos e deixando de ser melhor aproveitadas.

O prédio desmorona a cada dia quando fingimos que somos uma nação. Uma nação rica que trata aquele que deveria ser o centro das atenções, o cidadão, como um nada.

O prédio caiu! Agora, o pior de tudo é saber que, depois da comoção, que, por ser no Brasil, vai passar muito rápido, um esperto vai aproveitar para tirar alguma vantagem de tudo isso e rapidinho a vida voltará ao normal como se nada tivesse acontecido, e todos nós na expectativa de qual e como será a próxima tragédia nacional, para começar a lenga-lenga toda outra vez.

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