Reflexo nas urnas

O eleitor deve estar atento às informações, pois o uso incorreto pode ter influência direta na hora do voto


Por Tribuna

04/09/2024 às 06h00

Dados levantados pelo Instituto de Pesquisa DataSenado indicam, de forma preocupante, que metade dos brasileiros considera difícil identificar se uma notícia é verdadeira ou falsa na internet. Também revela que 62% dos entrevistados acreditam ter recebido notícias falsas nos últimos seis meses, e 81% acham que as fake news podem afetar significativamente o resultado das eleições. Sob supervisão da editora Júlia Pessoa, a estagiária Maria Luiza Guimarães foi a campo buscar as opiniões dos especialistas ora publicada nesta edição.

A maioria concorda com a possibilidade de as fake news terem influência na escolha do eleitor e sugere que ele busque uma informação de qualidade. E este é um dos desafios. Especialmente em ambientes polarizados, a manipulação da informação por meio de fake news coloca em xeque as instituições e até mesmo o jornalismo, já que são muitas as fontes que ocupam as redes sociais.

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) tomou uma série de providências para enfrentar essa questão neste período de campanha eleitoral. Pelo país afora, a ocupação de câmaras municipais e prefeituras dá margem para todo tipo de ação, inclusive não republicanas, que, ao fim e ao cabo, influenciam a opinião pública.

Tal discussão se acentua quando o Supremo Tribunal Federal trava uma disputa intensa com o bilionário Elon Musk, dono do X (antigo Twitter), ante a negativa deste de acatar os termos da legislação brasileira. O debate se intensificou ao sair dos autos e se apresentar como uma questão quase pessoal entre Musk e o ministro Alexandre de Moraes.

O ministro conseguiu respaldo de seus pares na primeira turma, que endossaram a tese de que ninguém está acima da Constituição Federal e se recusa a cumprir as leis nacionais. Existem controvérsias nesta situação devido à firmeza do ministro, que assume um papel semelhante ao de um inquisidor. No entanto, ele se beneficia do fato de Musk querer ser visto como alguém que não segue regras, agindo como se estivesse acima do bem e do mal.

Cria-se um cenário propício para todo tipo de notícia, sobretudo no X, cujo ambiente é marcado por hostilidade contínua entre os seus usuários, e preferido para o embate político sem regras.

Musk deve respeitar a lei e o ministro precisa compartilhar suas ações com colegas, como ocorreu neste caso, para assegurar que é um projeto da Corte, não pessoal.

No contexto das fake news, o jornalismo de qualidade é defendido por especialistas. Ele segue protocolos de verificação de dados e garante espaço ao contraditório. Isso é vital, especialmente quando a desconstrução de biografias se torna comum, particularmente durante a intensa busca por votos.

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