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Confira o discurso de posse de Margarida Salomão

Discurso foi proferido pela prefeita na Câmara Municipal durante solenidade realizada nesta sexta-feira


Por Tribuna

01/01/2021 às 19h33- Atualizada 01/01/2021 às 20h45

Senhor Presidente da Câmara
Vereador Juracy Scheffer
Senhor Vice-Prefeito Kennedy Ribeiro
Senhora Vereadora Cida Oliveira
Senhora Vereadora Laiz Perrut
Senhora Vereadora Tallia Sobral
Senhora Vereadora Katia Franco
Senhor Vereador Cido Reis
Senhor Vereador Julinho
Senhor Vereador Marlon Siqueira
Senhor Vereador Maurício Delgado
Senhor Vereador André Luiz
Senhor Vereador Antônio Aguiar
Senhor Vereador Tiago Bonecão
Senhor Vereador Bejani Júnior
Senhor Vereador Zé Márcio Garotinho
Senhor Vereador Pardal
Senhor Vereador João Wagner
Senhor Vereador Sargento Mello Casal
Senhor Vereador Vagner de Oliveira
Senhor Vereador Nilton Militão

Todas e todos que nos acompanham remotamente nessa transmissão. Povo de Juiz de Fora

Quero, nesse momento de tanta alegria, em que se inaugura um novo ano, um novo governo, uma nova legislatura, pedir licença para reconhecer a tristeza que nos envolve. Nossa cidade pranteia 504 óbitos pela Covid até ontem 31 de dezembro. Quero reverenciar a memória de todas essas pessoas, manifestar, como Prefeita, a solidariedade do município à dor de seus familiares e reiterar que continuamos a enfrentar uma situação sanitária muito preocupante com 13567 casos de COVID confirmados e 45091 casos em investigação desde o início da pandemia.

É nesse contexto de agravada dificuldade que me torno Prefeita, a primeira mulher na história da Cidade a desempenhar essa honrosíssima função, a primeira, espero eu, de muitas que me sucederão e poderão contribuir ao Município com a riqueza de suas lutas e de suas histórias. Trago comigo as dores e as descobertas no desbravamento desse caminho, que também trilhei quando me tornei a primeira mulher Reitora da Universidade Federal de Juiz de Fora e a primeira mulher eleita Deputada Federal na nossa cidade.

A minha chegada à Prefeitura coroa uma trajetória de três tentativas anteriores, que me prepararam, com os sempre preciosos ensinamentos da disputa, para chegar aqui com a vista mais ampla e o coração mais aberto. Dois registros, entretanto, é necessário fazer a bem da compreensão histórica. O primeiro: como ainda é difícil para as mulheres em nosso país, e também no mundo, virem a desempenhar funções que é seu direito humano exercer; a restrição da participação das mulheres na cena pública, uma condição conquistada há menos de um século, constitui uma perda para a vida humana, para a expressão política e cultural da humanidade. Um mal que é necessário, a todo custo, sanar.

O segundo registro que quero fazer é que nessa jornada desbravadora, afrontando todas as dificuldades do ineditismo, há pessoas que fizeram comigo essa luta desde o seu início, sem desalento nem desânimo. Homenageio essa virtude da persistência na pessoa da ex Vereadora Cidinha Louzada, uma guerreira inquebrantável; na participação da militância do Partido dos Trabalhadores, sempre esperançosa e altiva na defesa do povo brasileiro,
militância que homenageio na figura do Presidente do Partido dos Trabalhadores em Juiz de Fora, o Professor Juanito Vieira; homenageio também os afetos mais próximos, imprescindíveis quando se trava a luta, a Michelli, a Rafaela, o Pedro Henrique, todos os meus familiares, especialmente minhas irmãs e irmãos, que, em momentos mais sombrios, me lembraram sempre um forte ensinamento da nossa Mãe e do nosso Pai: que a gente, quando
cai, levanta, sacode a poeira e dá a a volta por cima.

Além de ser a primeira mulher Prefeita de Juiz de Fora, a investidura que hoje tanto me honra tem um outro caracter inaugural. É a primeira vez que o Partido dos Trabalhadores tem a responsabilidade de liderar o executivo municipal. Chegamos à Prefeitura numa coligação com Partido Verde, representado na chapa pelo ex Vereador Kennedy Ribeiro, a quem agradeço pela parceria. Saúdo o Partido Verde na pessoa de seu presidente municipal
Mariano na pessoa do Professor Pedro Leitão, presidente executivo da Rede Doctum e na pessoa do Presidente da Assembleia Legislativa do estado de Minas Gerais Deputado Agostinho Patrus.

Quero dizer que o legado petista de gestões municipais inovadoras e internacionalmente reconhecidas como nos casos de Porto Alegre, São Paulo, Fortaleza, Belo Horizonte, entre tantas outras, inspirou fortemente nosso programa de governo consagrado nas urnas no último dia 29 de Novembro.

A ideia de uma cidade onde “Tudo é para todos” responde ao compromisso de um governo que prioriza a inclusão social, que será praticado com participação popular de uma forma inédita na nossa cidade, que vai procurar um novo rumo para o nosso desenvolvimento com sustentabilidade ambiental, criação de novas oportunidades de trabalho e renda, expansão da riqueza do município no padrão contemporâneo. privilegiando os caminhos da economia do conhecimento, via ciência e tecnologia e via cultura, promovendo a inovação tecnológica , a saúde , a educação, o esporte, a gastronomia, o turismo, a agroecologia, para construir um novo parâmetro civilizatório, uma nova qualidade da vida civil, uma cidade viva, próspera e fraterna.

Há duas situações exemplares que desde logo nos convocam a praticar essas ideias; uma delas é a divisão no meio do bairro Poço Rico, produzida na ocasião de uma inauguração municipal recente. Vamos instalar imediatamente um fórum de discussão e busca de soluções para esse conflito. Quero dizer que entendemos que mobilidade é um
bem a ser assegurado a todas e a todos; não pode ser só para os trens ou para os carros; tem que ser também para as pessoas: para os pedestres, os ciclistas, os passageiros de ônibus.

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Outra situação que requer diálogo e compreensão de sua complexidade é a crise sanitária trazida pela pandemia. Crise sanitária gravíssima que tem também gravíssimos efeitos sociais e econômicos, que não podem ser negligenciados quando se busca uma estratégia de enfrentamento a essa enorme dificuldade. Segunda-feira estamos abrindo um ciclo de conversas e consultas, que, estou confiante, resultará em uma solução construída participativamente e que contemplará os melhores interesses da cidade.

Nesse momento em que assumo a Prefeitura ressalto o óbvio: a eleição acabou. Nosso governo está aberto para dialogar com todas as forças políticas da cidade, com todas as candidaturas que legitimamente se expressaram na última disputa eleitoral. Sou a Prefeita de todas e de todos que, como cidadãs e cidadãos merecem de mim todo o respeito constitucional e democrático.

Nessa linha, tão logo eleita, busquei contato com toda a representação parlamentar federal e estadual de nossa cidade. Com alguns parlamentares tive contato presencial como com o Deputado Charlles Evangelista, com o Deputado Lafayette Andrada, com a Deputada Sheila Oliveira, com o Deputado Noraldino Júnior, com o meu companheiro de partido, sempre parceiro, o Deputado Betão. Com o Deputado Júlio Delgado tive contato por
telefone e por zap. De todos recebi a expressão de completo interesse no desenvolvimento de interlocução em benefício de nossa cidade. No mesmo espírito, visitei o Governador Romeu Zema, seu Secretário de Saúde, nosso conterrâneo Carlos Eduardo e o seu Secretário de Desenvolvimento Econômico Fernando Passalio, no propósito de abrir caminhos para a promoção mais alta do interesse público.

Nesse processo de interlocução democrática, evidentemente toma precedência a relação com a Câmara de Vereadores de Juiz de Fora, poder que em conjunto com o Executivo responde pelo governo do Município. Na condição de parlamentar até ontem, quero dizer que teremos com a Câmara uma relação de respeito e cooperação construtiva também em benefício do povo de Juiz de Fora.

Saúdo a nova Mesa eleita, presidida pelo nosso companheiro de lutas, o competente Vereador Juracy Scheffer. Como já anunciei em reunião que fizemos ainda antes de nossa posse, a política da Prefeitura com a Câmara será uma política de portas abertas a todas as Vereadoras e Vereadores, independente de seu alinhamento político. Com transparência, buscaremos da viabilização dos legítimos reclamos da população, trazidos pelos seus
representantes.

Trago em mãos, para entregar à Presidência da Câmara, Projeto de Lei que introduz alterações na estrutura administrativa, sem nenhum acréscimo de gastos municipais, o que é, aliás, vedado por lei. Trata-se de um rearranjo para tornar exequível a realização de nosso programa de governo. Longe de oferecer uma proposta de reforma da Prefeitura, proposta que poderemos amadurecer e vamos oferecer a seu tempo, uma vez implementadas as profundas mudanças que queremos realizar, tornando aí sim a máquina administrativa mais leve, mais ágil, mais eficaz e mais enxuta.

Como já anunciado pela imprensa, iniciaremos o governo desencadeando três ações emergenciais, todas inadiáveis na calamidade que atravessamos: o Plano Municipal de Imunização contra a COVID, a ser implementada com urgência máxima; um choque de zeladoria na nossa infraestrutura urbana, o que estamos chamando de Projeto Boniteza; e ações no sentido de efetivar o Combate à Fome, adversidade que hoje aflige, segundo diagnóstico que realizamos, com dados públicos e dados ofertados pela sociedade, hoje aflige ( repito) a mais de 18 mil famílias juizforanas, uma situação eticamente intolerável.

Assumimos aqui hoje, pela vontade majoritária da população de Juiz de Fora, um desafio de grandes proporções. Já é uma agenda gigantesca cuidar da cidade, assumir como nossos os problemas de sua população, enfrentar o presente de olhos sempre postos no futuro.

Mas eu entendo que o nosso desafio é maior que esse. Um desafio para todos nós, Poder Executivo e Poder Legislativo. O desafio de restabelecer a confiança popular na esfera pública. Vencer a desesperança e o desalento com uma postura política fundada em quatro eixos: ética e transparência; participação social na tomada de decisões; austeridade nos atos e na representação do estado; e impacto real das políticas públicas na melhoria da vida das
pessoas.

Essa é a tarefa para a qual estão convocados os democratas: construir um estado de direito que seja verdadeiramente democrático: a partir da base; da periferia para o centro; com a perspectiva de assegurar com plenitude o direito dos mais fracos, dos mais excluídos, daqueles historicamente subrepresentados, daqueles que estão há séculos silenciados, e que, no entanto, tem a sua vez assegurada pela constituição brasileira e não podem ser
tratados como os deserdados da terra.

A Cidade na eleição de 2020 escolheu o sonho de escrever uma nova história. É nosso dever, com humildade, cumprir essa tarefa.

Tópicos: eleições 2020

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