Onze meses após anúncio de reformas, campos de várzea seguem em situação precária em JF

Tribuna constatou estado de abandono dos cinco locais que tiveram obras anunciadas pelo Executivo em 2023; não há prazo para execução das revitalizações


Por Davi Sampaio*

10/11/2024 às 06h00

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Campo do Cerâmica está sendo utilizado pelo Uberabinha, mesmo com más condições (Foto: Felipe Couri)

No dia 26 de dezembro do ano passado, a Prefeitura de Juiz de Fora (PJF) anunciou obras de melhorias em cinco campos de várzea da cidade, nos bairros Cerâmica, Linhares, São Benedito e Granjas Bethânia e Dom Bosco. Na última quinta-feira (7), quase onze meses depois do anúncio, a Tribuna visitou os locais contemplados e constatou a situação de abandono dos equipamentos esportivos. Entre as precariedades estavam arquibancadas e vestiários degradados – naqueles que tinham tal estrutura -, campos sem gramado, grades arrancadas e a presença de lixo e entulho.

Conforme divulgou a Prefeitura quando anunciou as reformas, os locais passariam a contar com gramado sintético, melhoria nos vestiários, banheiros e áreas de convivência. “Temos uma ótima notícia para dar a vocês. Isso tem a ver com a contratação dos projetos para que a gente, no ano de 2024, implante, modernizado e com as melhores condições, cinco campos de várzea”, anunciou a prefeita Margarida Salomão (PT), à época.

Dois meses depois do primeiro anúncio, em fevereiro, houve o primeiro avanço no processo de revitalização dos campos: foi publicado, no Diário Oficial do Município, o resultado do processo licitatório para a contratação da empresa responsável pela elaboração dos projetos de arquitetura complementares da revitalização dos locais. A vencedora do certame foi a Objetiva Projetos e Serviços Ltda, com a proposta de R$ 736.977,00 para a execução do serviço.

Questionada pela reportagem sobre a situação das intervenções, bem como sobre os motivos do atraso em relação à data inicialmente divulgada pela prefeita para a entrega dos campos, a PJF confirmou que os projetos de revitalização dos cinco locais foram concluídos e estão em fase de aprovação. O Executivo municipal informou, ainda, que o projeto de obras do equipamento esportivo do Bairro Cerâmica está em processo de licitação, que tem a abertura marcada para dezembro. Nenhuma das reformas tem previsão de entrega.

Confira a situação de cada campo

Lacet

  • Rua: Eugênio Nascimento, s/nº – Bairro Aeroporto

No campo do Lacet, no Bairro Dom Bosco, Cidade Alta, há um sofá logo na entrada. Sacolas e lixos estão espalhados em todo o campo, que possui grama alta nas laterais e terra no centro. Já no vestiário, foi flagrada uma grande quantidade de fezes, restos de comida, garrafas vazias e até colchões sujos, que conferem um odor forte ao local. As torneiras e chuveiros estão arrancados, e os vasos sanitários não podem ser utilizados pela falta de encanamento. As arquibancadas são as mesmas e estão sujas de lixo. Não há banco de reservas e partes das grades estão arrancadas.

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Fezes e restos de alimentos ocupam vestiário do Lacet (Foto: Felipe Couri)

CAEM Cerâmica

  • Av. Cel. Vidal, nº 636 – Mariano Procópio

Quando a reportagem chegou ao campo do Bairro Cerâmica, na Zona Norte, atletas do Uberabinha – que disputam a Primeira Divisão do Campeonato Mineiro de base – estavam treinando. Porém, as condições do campo não eram boas: grama sem poda nas laterais e terra no centro e nas áreas, além de grades soltas. Atrás dos gols, lixo acumulado, e os bancos de reservas bem antigos. A arquibancada está deteriorada, sem cobertura, com telhas e madeiras quebradas e ferros à mostra. Um dos vestiários estava com água parada e embalagens. Segundo um dos treinadores do Uberabinha, o próprio time tenta fazer as alterações necessárias para mitigar a precariedade do local.

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Arquibancadas quebradas no Cerâmica (Foto: Felipe Couri)

Campo do Granjas Bethânia

  • Rua: 09 de julho, s/nº – Bairro Granjas Bethânia

No campo do Bairro Granjas Bethânia, na Zona Nordeste, há somente terra e dois gols. Não há marcações no campo, tampouco vestiários ou arquibancadas. Onde deveria ser o gramado, estão diversas pedras e restos de construção. Há uma poltrona rasgada no canto esquerdo e até carros estacionados à beira do campo. Ao lado, há uma escola e uma creche.

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Restos de construção e terra tomam campo do Granjas Bethânia (Foto: Felipe Couri)

CAEM Linhares

  • Rua: Dr. Moacyr de Castro Xavier, 219 – Linhares

No Linhares, região Leste, a reportagem encontrou usuários de droga na entrada do campo. Lá, as paredes estavam pichadas e os vestiários trancados. Há lixo em volta, grama alta nas beiradas e terras na parte central. A arquibancada é composta por bancos sujos, sem cobertura.

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Linhares tem gramado em má qualidade (Foto: Felipe Couri)

CAEM São Benedito

  • Estrada Athos Branco da Rosa, 1.490 – São Benedito

No Bairro São Benedito, Zona Leste, o campo é totalmente de terra, sem qualquer pedaço de grama. Os vestiários estavam trancados. Nos bancos da arquibancada, há abundância de mato, o que, inclusive, dificulta a locomoção. No local também há roupas velhas descartadas.

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Matagal nas arquibancadas do CAEM São Benedito (Foto: Felipe Couri)

*Sob supervisão do editor Gabriel Silva

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