Donos de vários ideais

A banda retorna a Juiz de Fora com canções do novo trabalho, lançado em 2015, e sucessos (Marcos Hermes/divulgação)
Pode ser óbvio, mas, para quem segue a banda, não dá para deixar de perguntar como é que o Roupa Nova consegue se manter há mais de 35 anos com a mesma formação. Não há desentendimentos? “Impossível não brigar, mas quando há divergências é para resolver algo em prol do Roupa. Vez ou outra, tem uma discussão séria, mas, hoje em dia, com o tempo que estamos juntos, temos mais é que engolir o outro mesmo”, brinca Paulinho (voz e percussão), por telefone, na tarde da última quinta-feira. O vocalista deu uma pausa nos ensaios do novo show, programado para ganhar os palcos após as férias dos músicos, para conversar com a Tribuna sobre a apresentação do grupo neste sábado, às 23h, no German.
“Quero deixar um abraço e um beijo para essa galera mineira maravilhosa. Espero que esteja todo mundo lá, porque nós vamos com toda a garra e boa vontade de sempre”, avisa o vocalista. Nesse retorno à cidade, Paulinho conta que ele, Cleberson Horsth (teclados e vocal) , Ricardo Feghali (piano, teclados e vocal), Kiko (guitarra e vocal), Nando (baixo e vocal) e Serginho Herval (bateria e vocal) trarão a turnê que rodou Brasil afora em comemoração aos 35 anos de carreira, em 2015, quando saiu do forno o projeto “Todo amor do mundo”, cujo carro-chefe é a canção “É tempo de amar”, gravada originalmente em 1967 por Roberto Carlos. “Além dos sucessos, daremos uma pincelada nas músicas do novo projeto”, adianta o cantor, garantindo que “Dona”, “Linda demais”, “Seguindo no trem azul”, “Coração pirata”, “Volta pra mim” e “Whisky a go go” não podem faltar no setlist, ainda que, ao que parece, a decisão de mantê-las, não seja do próprio grupo.
“O problema é que, às vezes, a gente tenta mudar, trocar uma ou outra música para dar uma aquecida no show, mas escutamos reclamações. Tem música que não pode sair do repertório nunca, e não podemos tocar todos os sucessos porque teríamos quatro horas de show. O que fazemos, às vezes, é um arranjo diferente para algumas canções”, diz.
História do grupo em livro
O projeto “Todo amor do mundo” ganhou corpo em forma de dois CDs e um livro com roteiro assinado por Nando. A história se passa no final dos anos 60 no Rio de Janeiro e retrata as aventuras e romances dos jovens adolescentes que sonhavam viver o mundo da música naquela época. Para contar essa história, composta por 19 canções, entre clássicos dos anos 60 e 70, época em que os integrantes do grupo se conheceram, e narrações intercaladas, o baixista criou um menino chamado Roupa Nova. “Esse trabalho foi muito difícil de fazer. O livro tem ilustrações e até algumas páginas para colorir. O menino é a representação de nós seis.”
De acordo com Paulinho, o trabalho será registrado em um DVD, que se juntará aos 37 álbuns lançados, incluindo discos ao vivo e coletânea, com participação de Alexandre Pires, Angélica, Ed Motta, Tico Santa Cruz, Carol Feghali, filha de Ricardo Feghali, e Twigg, filho de Paulinho. “A parte de gravação está pronta. Agora, ele vai ser editado e sairá ainda no início do ano”, conta o músico, que ainda comentou sobre a ideia do amigo Feghali de resgatar algumas das parcerias do Roupa Nova em um DVD intitulado “Juntos.” A intenção da banda é ir até a cidade de cada um dos artistas que já gravaram com o Roupa Nova ao longo de todos esses anos de estrada para produzir esse material.
Nas trilhas de novela
Eles já foram Os Famks. Isso lá na década de 1970. Em 1980, transformaram-se em Roupa Nova, e o primeiro hit aclamado pelo Brasil foi “Canção de verão”. Desde então, o grupo vendeu mais de 20 milhões de cópias. Muito dessa notoriedade se deve às mais de 30 canções emplacadas como trilha sonora de novela. A partir do momento em que estourou em “Roque Santeiro”, em 1985, “Dona” tornou-se inesquecível para muitos casais apaixonados. “A viagem” (“A viagem”), “Começo, meio e fim” (“Felicidade”) e “Chuva de prata” (“Um sonho a mais”) engrossam a lista das composições que foram parar nas telinhas.
Já nos anos 2000, impulsionados pelas mudanças sofridas pela indústria fonográfica, os músicos resolveram criar o selo Roupa Nova Music, passando a gerenciar e distribuir o próprio trabalho. Foi já com o novo selo que vieram o CD e o DVD “RoupAcústico”, em 2004, o álbum comemorativo “Roupa Nova 30 anos”, em 2010, e o DVD “Cruzeiro Roupa Nova”, em 2012, além, é claro, do projeto “Roupa Nova em Londres”, gravado no célebre estúdio Abbey Road em Londres. Com essa empreitada, abocanharam o prêmio Grammy Latino na categoria álbum pop contemporâneo brasileiro.
ROUPA NOVA
Neste sábado, às 23h
German
(Rua Roberto Stiegert 10 – São Pedro). 3236-7890