Acusada da morte de Brunna Letycia contrai tuberculose, e julgamento é adiado
Audiência do Tribunal do Júri estava marcada para ocorrer na próxima semana; nova data ainda não foi informada
O julgamento em júri popular que decidiria o caso de Renata Alexandre Sant’Ana e Herick Patrick Soares Dornelas, acusados de matar Brunna Letycia em janeiro de 2024, foi adiado após a acusada apresentar diagnóstico de tuberculose, conforme informou o Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) à Tribuna. A audiência, antes prevista para ocorrer na próxima terça-feira (2), ainda não foi remarcada.

Em consulta ao processo, que corre em primeira instância, consta o pedido de prisão domiciliar da ré. Renata atualmente está na penitenciária José Edson Cavalieri, onde diversos casos de tuberculose foram denunciados pela Comissão de Direitos Humanos da Câmara Municipal e da OAB.
Em setembro, 13 casos de tuberculose, cujos surtos teriam sido agravados pela superlotação do local, foram discutidos na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), bem como outras condições consideradas degradantes dentro do sistema prisional de Juiz de Fora.
Em maio do ano passado, uma audiência de instrução já havia adiado o júri popular, após a defesa de Renata alegar insanidade mental, argumento rejeitado pela Justiça. À época, João Batista, pai de Brunna, relatou decepção pela suspensão temporária da condução do julgamento do caso. João morreu em janeiro de 2025, próximo à data que marcaria um ano do crime que vitimou sua filha – e que ele não viu a conclusão.
Em contato com a Tribuna, a Defensoria Pública, que representa Herick, informou que, como representante processual, não comenta sobre casos criminais concretos, a não ser que seja alguma crítica ou argumentação quanto à sua própria atuação, como órgão. Já Eleonora Barbosa Nogueira, advogada de Renata, esclarece que não há confirmação de um diagnóstico, mas a ré se encontra “altamente debilitada, situação que inviabilizaria o adequado exercício do contraditório e da ampla defesa”.
Além disso, ela ressalta que novas informações serão prestadas nos autos do processo. “A decisão foi pautada por cautela e responsabilidade, visando
resguardar a regularidade do devido processo legal”, completa.

O crime
Brunna Letycia foi morta na madrugada de 3 de janeiro de 2024, na casa do casal indiciado pelo crime, no Bairro Previdenciários, Zona Sul de Juiz de Fora. Nos autos, os promotores de Justiça que atuam no caso sustentam que a jovem, de 24 anos, foi assassinada por motivo torpe, em um homicídio que teria sido motivado por ciúmes e praticado mediante recurso que dificultou a defesa da vítima.
Segundo a investigação, Brunna foi morta por asfixia e, em seguida, teve o corpo colocado em uma mala pelo casal. Eles utilizaram um carro de aplicativo para levar a vítima até a Rua Roldão Rodrigues da Silva, no Bairro Milho Branco, onde o corpo foi desovado e parcialmente queimado.

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