Dono da Phormar presta depoimento à Polícia Civil e entrega passaporte
Procon também abriu investigação preliminar, por risco de ‘calote’ geral em fundos de formatura, e intimou proprietário a prestar esclarecimentos

O proprietário da empresa Phormar, que administra fundos de formatura em Juiz de Fora e região e está na mira de ações judiciais e de denúncias de possíveis desvios de dinheiro, prestou depoimento à Polícia Civil na manhã desta segunda-feira (9). A informação foi divulgada pela assessoria da própria instituição, que não revelou detalhes da oitiva, prevista para às 14h30 e adiantada, provavelmente, para evitar tumulto, devido ao vazamento do horário. “O investigado apresentou espontaneamente o passaporte e se comprometeu a não sair da comarca”, destacou a Polícia Civil, que também apreendeu celular pessoal, computadores da empresa, documentos e contratos. Conforme a PC, as contas da Phormar já foram bloqueadas por forma de decisão judicial de natureza cível, e a sede, na Rua São Sebastião, no Centro, permanece fechada. “A PCMG não descarta outras ações investigativas. As vítimas (representantes dos fundos) em breve serão intimadas para prestar depoimento na delegacia.”
O procedimento investigativo foi instaurado pela 7ª Delegacia, após os registros de cerca de dez boletins de ocorrência, quando o caso veio à tona, na semana passada. Nesta segunda, o Procon – Agência de Proteção e Defesa do Consumidor da Prefeitura de Juiz de Fora (PJF) – também abriu investigação preliminar e notificou a Phormar “a prestar esclarecimentos sobre irregularidades em fundos de formatura, por risco de um ‘calote’ geral”. Informações não oficiais dão conta de que, atualmente, 145 contratos estariam ativos, somando cerca de R$ 22 milhões.
Segundo a Polícia Civil, foram registradas denúncias de estelionato e falsidade ideológica, entre outras, em desfavor da empresa. “A PCMG realiza oitivas e diligências, visando à elucidação do caso.” O delegado responsável, Samuel Neri, ouviu o proprietário da empresa Phormar e afirmou que novas ações estão sendo realizadas pela 7ª Delegacia. Os documentos apreendidos serão analisados, e as investigações seguem sob sigilo. “Várias ocorrências foram registradas, mas, a princípio, todas serão juntadas em um único procedimento. Já apuramos que a empresa administrava fundo de formatura também no Estado do Rio de Janeiro, e este fato também será alvo de apuração.”
O Procon, por sua vez, atuou com base em acusações públicas e registro de reclamação fundamentada junto ao órgão. “O sócio-administrador, enquanto representante da empresa, foi notificado e deve prestar esclarecimentos em até 72 horas.” Ainda conforme a PJF, foi exigida a apresentação da quantidade e das especificidades dos contratos de fundos de formatura ativos; a identificação daqueles em que houve movimentações bancárias não autorizadas; além do valor total que se encontra pendente de restituição, com as formas de pagamento e os prazos detalhados. “A atuação imediata do Procon, especialmente em casos de repercussão coletiva, é fundamental para prevenir danos irreparáveis aos consumidores, garantindo a proteção de direitos, a promoção de um mercado mais justo e transparente e a efetiva entrega da prestação do serviço público”, destacou a superintendente do Procon, Tainah Marrazzo, por meio da assessoria.
O órgão orienta os consumidores com problemas como esse ou afetados por outras irregularidades em contratos ou prestações de serviço a acionar o Procon pelos telefones 3690-7610 e 3690-7611, ou pelo Prefeitura Ágil. Quem preferir também pode ir à sede da agência, localizada na Avenida Itamar Franco, 992, no Centro.
A Tribuna tentou novamente contato com o proprietário da Phormar, mas não obteve retorno até o fechamento desta matéria. Também não houve pronunciamento oficial nesta data, até o início da noite, conforme comunicado afixado na porta da empresa na semana passada, quando a mesma fechou as portas, informando: “Tendo em vista os acontecimentos recentes envolvendo o nome dessa empresa, visando garantir a integridade dos seus colaboradores, optamos por retornar na segunda-feira (9) no horário normal, prazo esse que teremos para um comunicado oficial e a entrega dos eventos do mês de dezembro normalmente. Estamos trabalhando em home office.”
Funcionários da Phormar estão apreensivos
A informação do home office inclusive foi contestada pelo advogado Vinicius Moreira, que representa nove dos 12 funcionários da Phormar. Segundo ele, poucas respostas foram dadas aos colaboradores em um grupo de WhatsApp, do qual o proprietário faz parte. “Eles não tiveram um posicionamento oficial, se foram demitidos ou não. Apenas foi dito que eles seriam colocados em aviso prévio, dando a entender que seria trabalhado, mas em momento algum eles foram colocados em home office.” Como alguns possuíam as chaves de entrada na empresa, as mesmas devem ser entregues à Polícia Civil. “No sábado, houve um episódio de pessoas que estariam indo à sede para retirar acessórios, ou pastas e informativos. Televisores foram filmados sendo retirados. Essas chaves já estavam em meu poder. E para que se evite uma conclusão precipitada de que os funcionários estariam ligados a essas (possíveis) queimas de arquivo ou sumiços de notebooks, a intenção é que essas chaves sejam entregues ao delegado responsável, para que ele tome as medidas cabíveis.”
O advogado acrescentou que os funcionários – das equipes de consultoria, comercial, cerimonial, marketing, recepção e assessoria – não tinham acesso às contas da empresa, não participaram das decisões, de gerenciamento de finanças e das atitudes que culminaram com a atual situação. “Todos os acessos são feitos exclusivamente pela diretoria.” Ele acrescentou que “os funcionários estão sem o recebimento dos salários do mês de novembro, prometidos para o dia 6 de dezembro e não pagos até o momento, parcela do 13º salário e parcelas do FGTS em atraso. Igualmente foram surpreendidos pela veiculação nas redes sociais de matérias com acontecimentos envolvendo a empresa Phormar.”
Ainda conforme o advogado, no último sábado, o diretor responsável informou que estaria tentando entregar os eventos marcados para o mês de dezembro através do auxílio de outra empresa da cidade e de uma casa de festas. As incertezas de centenas de formandos, entretanto, também afetaram os colaboradores. “Infelizmente, pela falta de um posicionamento oficial da empresa e alvoroço causado pela situação, algumas pessoas ultrapassaram os limites, promoveram ofensas, xingamentos. E os funcionários, em sua maioria pessoas públicas e conhecidas no meio, estão se sentindo coagidos e preocupados com sua integridade física e moral. Deixam claro que entendem o desespero e a angústia de centenas de famílias que se esforçaram para a realização do sonho, mas não podem assumir responsabilidades que não lhes cabem e não conseguem oferecer resoluções sem que seja por orientação da própria diretoria da Phormar.”
Associação busca formas de viabilizar formaturas
Por meio de nota, a Associação Brasileira de Empresas de Formatura (Abeform) informou, nesta segunda, que, ao tomar conhecimento dos fatos envolvendo a Phormar, imediatamente acionou as empresas associadas da região, solicitando que buscassem alternativas, junto à rede de fornecedores, para que, de alguma forma, conseguissem oferecer aos fundos de formatura afetados – em especial àqueles com data de colação de grau e festividades mais próximas – a oportunidade de viabilizar, mesmo que de forma mais simplificada, as suas formaturas.
A Abeform destacou que a empresa em questão não é associada e que os fatos relatados pelos fundos de formatura não representam o setor, as práticas e a conduta que a associação defende. “O mercado de formaturas é um segmento sólido e relevante da economia do país, movimentando, anualmente, R$ 7 bilhões em cinco cinco mil eventos.”
A associação lamenta, “profundamente”, a situação delicada dos fundos de formatura administrados pela empresa Phormar. “A Abeform, solidária com a situação dos fundos de formatura afetados em Juiz de Fora, coloca a sua estrutura à disposição dos formandos e familiares para contribuir com orientações e esclarecimento de dúvidas.”
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