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Agentes denunciam falta de álcool nas UBSs de JF

Prefeitura contratou quase R$ 700 mil em insumos de enfermagem e luvas não cirúrgicas, em caráter emergencial


Por Sandra Zanella

02/04/2020 às 22h01

Agentes de saúde denunciam falta de álcool líquido 70 para limpar superfícies e também de álcool gel em algumas das 63 Unidades Básicas de Saúde (UBSs) de Juiz de Fora. Eles também afirmam estarem trabalhando “no limite” com os equipamentos de proteção individual (EPIs) que estão sendo disponibilizados e afirmam que não há máscaras N95, consideradas as mais seguras. Na quarta-feira (1º), a Tribuna já havia mostrado problemas semelhantes no Hospital de Pronto Socorro (HPS) e na Regional Leste, mas a Secretaria de Saúde rebateu as denúncias, garantindo que há abastecimento. Nesta quinta (2), a Prefeitura publicou no Atos do Governo contratações diretas de empresas, em caráter emergencial, para aquisição de insumos de enfermagem e de luvas não cirúrgicas para serem usados pelos profissionais de saúde nos atendimentos dos casos suspeitos e confirmados da Covid-19, doença causada pelo novo coronavírus. Os valores chegam a quase R$ 700 mil e, segundo a assessoria da Secretaria de Saúde, incluem exatamente álcool líquido e em gel, além de máscaras N95.

Enquanto a Prefeitura realiza a aquisição dos materiais considerados fundamentais para a segurança de quem atua diretamente no enfrentamento da pandemia, os profissionais de saúde afirmam que os mesmos não estão chegando a suas mãos. “Entrei em contato com realidades de outras regiões, liguei para outras UBSs, fiz um apanhado com alguns colegas, para saber o que eles estão vivendo em cada unidade. E parece que estamos todos da mesma forma: recebendo EPI no limite, uma quantidade básica de touca, máscara e capote. Luvas já estavam faltando antes deste episódio em algumas UBSs. Álcool, tanto o 70% líquido, para a limpeza, quanto o álcool gel, há unidades que nem têm mais”, contou uma agente de saúde, que preferiu não ser identificada na reportagem.

Segundo ela, também faltam orientações para técnicos, auxiliares e agentes comunitários de saúde.

“Sabemos o que nos é repassado por médicos e enfermeiros da nossa própria unidade. Nunca tivemos qualquer tipo de capacitação em relação à Covid-19.”

A mulher também demonstrou preocupação com as visitas domiciliares. “Algumas gerentes receberam orientações para o agente voltar a campo, o que consideramos um risco para nós e para os moradores.” De acordo com a denunciante, servidores chegaram a comprar seus próprios equipamentos de segurança, como óculos e máscaras N95. “Na atenção primária temos profissionais altamente comprometidos, porque criamos um vínculo com a comunidade. Nossa atenção e respeito é toda voltada a eles.”

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Falta de triagem no HPS

Nesta quinta, a diretora de Saúde do Sindicato dos Servidores Públicos de Juiz de Fora (Sinserpu-JF), Deise da Silva Medeiros, voltou a receber denúncia sobre falta de isolamento no HPS de paciente com sintomas de infecção por coronavírus, como já teria ocorrido na última terça.

“Ontem à noite (quarta), uma senhora de 68 anos chegou com sinais, como pneumonia e febre. Orientam que qualquer resfriado deve ser tratado como suspeita de Covid e, por isso, recomendamos ao médico para não entubá-la sem EPI. Compraram duas mil máscaras N95, mas até agora não entregaram. E hoje o médico recebeu ordens para entubá-la mesmo assim. A idosa foi colocada na sala de urgência sem isolamento, junto com outros três pacientes comuns: um que levou facada, outro que sofreu agressão e mais um que teve queda. Dois deles também estão entubados.”

A diretora garantiu que o sindicato cobra providências, já que muitas pessoas do corpo clínico estariam sendo expostas a risco, além dos próprios pacientes. Em nota na última quarta, a Secretaria de Saúde havia informado que a área do terceiro andar do HPS foi destinada para tratamento de pacientes com suspeita de Covid-19, onde estariam os 60 leitos anunciados pelo prefeito Antônio Almas (PSDB).

Nesta quinta, a Secretaria de Saúde também respondeu aos questionamentos e voltou a ressaltar não haver desabastecimento de equipamentos de proteção individual (EPIs) no HPS. “Nesta data (2), há estoque de avental, touca, óculos de proteção, máscara cirúrgica, máscara N95, conjunto de calça e blusa, viseira e avental impermeável. Para uso imediato, caso necessário, a instituição possui disponível mais de 200 máscaras do modelo N95.” A assessoria destacou que as máscaras N95 são recomendadas para “profissionais que fazem procedimentos invasivos, aqueles que liberam gotículas e/ou aerossóis. É o caso, por exemplo, de cirurgias, aspiração e coleta de swab. A utilização de avental impermeável também se enquadra nestas situações”.

Já em relação às Unidades Básicas de Saúde (UBSs), a pasta informou ter sido iniciada uma rota emergencial para reposição de materiais na última quarta (1º), por meio da Subsecretaria de Atenção à Saúde. Os itens em distribuição são: máscaras cirúrgicas, luvas, aventais, papel toalha, lençol de papel, sabonete líquido comum e com triclosan (para profissionais) e álcool gel. “Na última semana, entre quarta e quinta-feira, também foi entregue álcool líquido. Uma nova remessa de álcool em gel e líquido tem chegada prevista para esta sexta-feira (3).”

Sobre o trabalho dos agentes comunitários de saúde, a secretaria disse ter realizado, no dia 18 de março, novo alinhamento com os supervisores das 63 UBSs do município. “A orientação oficial é para que os agentes comunitários de saúde façam visitas apenas aos usuários em que o atendimento é indispensável. Todos os profissionais de saúde, incluindo os agentes, que tiverem suas atividades suspensas, serão remanejados para locais ou afazeres onde possam contribuir.”

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