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Governadores de 25 estados querem reunião com Bolsonaro

Não faltaram críticas ao comportamento do presidente; houve unanimidade sobre a avaliação de que o clima de instabilidade política é prejudicial para todos


Por Agência Estado

23/08/2021 às 22h20- Atualizada 23/08/2021 às 22h21

Sem consenso em torno da divulgação de uma nota contra as ameaças feitas por Jair Bolsonaro à democracia, governadores de 25 estados decidiram propor ao presidente e aos outros chefes de Poderes uma espécie de reunião de pacificação e de normalização institucional do país. No encontro do Fórum dos Governadores, realizado em Brasília – com a maioria dos presentes participando de forma virtual -, não faltaram críticas ao comportamento de Bolsonaro e houve unanimidade sobre a avaliação de que o clima de instabilidade política é prejudicial para todos. A ideia de um manifesto formal contra o presidente, no entanto, dividiu opiniões, especialmente porque poderia apenas ampliar o clima de instabilidade, sem resolver a situação.

Para sair do impasse e não deixar de mandar uma clara mensagem de insatisfação ao presidente, a ideia de marcar uma agenda com Bolsonaro e com os outros representantes de Poderes foi proposta pelo governador do Pará, Helder Barbalho (MDB). A sugestão foi tratada como uma espécie de tentativa final de restabelecer alguma normalidade no país e que poderá servir para que Bolsonaro tenha uma espécie de “saída honrosa” para recuar dos ataques que vêm fazendo contra ministros do Supremo Tribunal Federal e das suas ameaças às eleições do próximo ano.

“Acho que temos de estabelecer que este é um país que tem eleitores do PT, do PSB, do MDB. Mas todos nós trabalhamos com uma única coisa: o bem-estar comum. O bem-estar da população e em especial da mais carente. Então, quando queremos levar essa conversa para o presidente é porque aqui não tem ninguém nem contra, nem a favor dele. Somos a favor de um país que merece, sim, um tratamento melhor das suas instituições para que a gente entre numa normalidade”, disse o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB).

O movimento feito pelos governadores é uma reação às ações do presidente, que, nas últimas semanas, intensificou seus ataques a ministros do Supremo Tribunal Federal e do Tribunal Superior Eleitoral, colocou sob dúvida a realização das próximas eleições e apresentou pedido de impeachment contra o ministro Alexandre de Moraes. No lado oposto, governadores mais alinhados a Bolsonaro também reclamaram das medidas tomadas pelo STF mandando prender ou investigar aliados do presidente.

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“O momento que o país passa é muito ruim. E eu acho que quando aparece alguém que queira fornecer ponte em vez de explodir as pontes isso pode ser uma saída para restabelecer um ambiente. Porque todos têm de reconhecer que não está bem essa história do presidente agredir o Supremo e o Supremo sai prendendo apoiadores do presidente. Isso não está bom para ninguém e não é a pauta que nós queremos para o país”, destacou Ibaneis.

A divergência de visões sobre como tratar a crise com o governo ficou clara nas posições do governador de Santa Catarina, Carlos Moisés (PSL), que discordava de uma manifestação formal de protesto contra Bolsonaro, e do governador de São Paulo, João Doria (PSDB), que adotou um tom mais duro. Doria ainda demonstrou preocupação com as manifestações de Sete de Setembro, que têm mobilizado os seguidores de Bolsonaro, incluindo setores da Polícia Militar.

“Se já não bastassem as ameaças cada vez mais crescentes nas últimas semanas, teremos nesse mês de setembro manifestações. Não apenas do direito de se manifestar contra ou a favor, mas manifestações ruidosas para colocar em risco a democracia. Caminhoneiros que estão sendo organizados por milícias bolsonaristas para fechar estradas, fechar acesso às estradas. O estímulo pelas redes sociais para que militantes do movimento utilizem armas e saiam às ruas armados. Isso não é defender a democracia. Isso não é estabelecer o diálogo, isso não é respeitar o entendimento, isso é desrespeitar o país e desrespeitar a vida”, reclamou Doria.

O governador da Bahia, Rui Costa (PT), também concordou com essa visão. “Além de ameaçar a democracia, é uma tragédia para a renda e para os investimentos”, disse. O prejuízo que a instabilidade política vem causando na economia foi um consenso da reunião. “Precisamos tratar de uma pacificação, de uma serenidade. Garantir a condição de criar um ambiente de confiança”, disse o governador do Piauí, Wellington Dias.

Brasil Verde
Na reunião, o governador do Espírito Santo, Renato Casagrande (PSB), também propôs que seja criado um consórcio dos Estados com ações em defesa do Meio Ambiente, até como contraponto à problemática gestão do Governo federal para o setor. A ideia foi aceita pelo Fórum dos Governadores e João Dória propôs que o consórcio seja batizado de “Brasil Verde” ou “Green Brazil”, como destacou.

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