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‘Gente que fez a Tribuna’: as memórias de Fabiano Moreira

Em celebração aos 40 anos da Tribuna, 40 profissionais que já passaram pelo jornal compartilham suas memórias, publicadas no portal, de 7 de julho a 31 de agosto, em contagem regressiva para o aniversário da Tribuna, no dia 1º de setembro


Por Tribuna

09/07/2021 às 07h00- Atualizada 09/07/2021 às 14h34

Emblema de mim

Fabiano Moreira*, repórter da Tribuna entre 1997 e 2005

Essa viagem começa no início dos anos 90, quando cheguei à redação da Tribuna de Minas, ainda na Rua Espírito Santo. Os mais jovens vão se espantar, mas batíamos as matérias à máquina de escrever, com folhas de papel carbono para produzir cópia de arquivo. Os computadores chegaram de forma bem tímida, no começo, apenas um deles tinha internet para as apurações, e era preciso revezar com os colegas a máquina conectada, com aquela conexão discada que quem usou não esquece o barulho. As pesquisas em matérias antigas eram feitas nas edições do “biscoitão”, como apelidamos as encadernações superpesadas de jornais antigos que, soube, hoje estão na Biblioteca Murilo Mendes.

Logo que cheguei ao jornal, fui escolhido para uma missão muito especial, na época, que era o concurso da morena do É o Tchan, no Domingão do Faustão, gravado no Jardim Botânico, no Rio. Uma das concorrentes era a juiz-forana Scheila Carvalho, que saiu campeã e fez carreira com o grupo. Eu e o querido fotógrafo Antônio Olavo Cerezo ficávamos escondidos em um ponto cego do estúdio, que não aparecia no programa, de onde acompanhamos tudo. O estúdio era incrivelmente pequeno, como crescia na TV, e foi uma aventura para a gente participar daquilo tudo, eu era muito novo na profissão e aquilo tinha mais que o calor da hora e sabor. Scheila sempre foi muito educada comigo, uma simpatia, justiça seja feita.

Uma série de matérias que me marcou profundamente foi a “Casarões da Memória”, em 2003, na qual o jornal convidou os melhores artistas da cidade para pintar casas igualmente expressivas de Juiz de Fora. A primeira delas foi com Carlos Bracher pintando o Castelinho dos Bracher, aquela casa encantada da Rua Antônio Dias, no Granbery, “emblema dos Bracher” (esse foi o título da matéria, que guardo até hoje, como muitas que fiz na Tribuna), essa família tão importante para a cidade. Na época, Décio e Nívea ainda estavam vivos e habitavam a casa, que honra a minha, me disse, recentemente, Lucas Bracher, em visita ao mesmo casarão. Décio se encantou por mim, dizia que era um “interessado interessante”, aquilo me acendeu algo, ele era um homem realmente brilhante. Eles me contaram tudo sobre o movimento “Mascarenhas, meu amor” e me ensinaram a amar Juiz de Fora, principalmente a cidade que foi destruída pela especulação imobiliária.

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Voltei muitas vezes, enquanto a saúde dos meus anfitriões permitiu, e me serviam um bolo delicioso, com café, naquela casa encantada que transbordava arte e, sobretudo, imaginação. Parecia estar em um filme, havia mais informação ali que em qualquer biblioteca, e Décio realmente apreciava a minha companhia. Muitos anos depois, me emocionei, já morando no Rio, quando visitei a exposição dedicada a Carlos Bracher, no CCBB, aonde fizeram a recriação da sala principal do Castelinho, real a ponto de arrepiar quem conhecia. Foi aí que fiz o primeiro contato com Lucas, para falar da minha emoção, e recentemente, há 4 anos, nos conhecemos, pessoalmente, em visita guiada à casa, quando ele me disse que era um “privilégio” ter conhecido seus moradores.

Pelo jornal, eu também fiz a minha primeira viagem internacional, a Paris, graças a um prêmio de jornalismo que ganhei, concedido pela Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e resíduos especiais (Abrelpe), em 2000. Fiquei em terceiro lugar, também em 2001, no Prêmio Abrelpe de Reportagem, primeiro, por uma série de matérias que denunciavam a instalação de um lixão às margens da BR-040, sem licenciamento ambiental, e, no segundo ano, por uma série educativa que discutia formas de redução, reutilização e reciclagem do lixo.

Impossível falar da Tribuna sem lembrar do companheirismo e das aventuras que vivi com a equipe de fotografia, Cerezo, já citado, Roberto Fulgêncio, Henrique Dias, Gleice Lisboa, Cacá Hansen, Fernando Priamo, Bia Colucci, Nina Mello, para citar alguns. O motorista, Marco, que foi com a gente no Faustão, era uma espécie de repórter também, e leão de chácara, sempre nos protegendo, sinto saudades até das roubadas que vivemos juntos, não foram poucas.

Guardo com carinho essa foto (acima), que o Cacá Hansen fez, no Bar do Silva, no Bairro Graminha, em um sábado, era Natal, meus amigos, e estávamos de plantão, quando se fazia as matérias de bairros, publicadas em página inteira aos sábados. Já combinamos que, quando essa pandemia passar, vamos voltar nesse bar e repetir o clique e reafirmar a nossa amizade, que dura até hoje. Como são as boas amizades que fiz na Tribuna de Minas, essa casa que me fez jornalista.

*Fabiano atualmente assina a coluna “Sexta Sei”, no site Baixo Centro

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