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7 delícias juiz-foranas que você NÃO pode mais experimentar

Tribuna lista comidas de estabelecimentos que marcaram a memória da cidade


Por Cecília Itaborahy, estagiária sob supervisão de Wendell Guiducci

19/03/2021 às 07h00- Atualizada 19/03/2021 às 21h10

Tem coisa que não sai da cabeça fácil, mesmo muitos anos depois. Ainda mais quando a lembrança é de um momento bom. É a tão famosa nostalgia, saudade de um passado agradável. Quando a memória afetiva está relacionada à comida, então, a sensação é ainda mais forte, já que ela é sinestésica: dá para lembrar dos cheiros, dos sabores, e, como um fio sendo puxado na lembrança, da atmosfera do estabelecimento, da rua, do ano… Juiz de Fora guarda muitas marcas de um passado culinário em seus habitantes, e muitas dessas comidas não podem mais ser consumidas (ou o estabelecimento fechou, ou não são mais produzidas). Aos que fizeram parte dessa época e àqueles que querem sentir saudade do que não viveu, confiram sete, entre tantas outras, delícias de Juiz de Fora que, agora, só existem nas memórias coletivas.

Lojas Americanas Juiz de Fora
(Foto: Arquivo Maria do Resguardo)

Doces e salgados da Lanchonete das Lojas Americanas

“Eu lembro que era no segundo andar das Lojas Americanas. Lá, era a lanchonete só. Era um balcão comprido, enorme, que fazia umas curvas, lotado de doce. Misto-quente era uma certa novidade, no final dos anos 1960, começo dos anos 70, e era maravilhoso o de lá. O bolo com sorvete eu adorava mesmo, pedia até de presente de aniversário. Eu falo muito com meus filhos sobre ele. É até uma mistura estranha, né?! Era um pedaço de bolo, com uma bola de sorvete em cima, e ele derretia, ficava molhado. Muito delicioso. A lanchonete das Lojas Americanas foi um tremendo sucesso, era um point para as crianças da época em Juiz de Fora”.
Memórias de Evandro Mansur, 62 anos, produtor cultural

 

Café Apollo Juiz de Fora
(Foto: Arquivo Maria do Resguardo)

Café Apollo e suas delícias

“Eu trabalhava em uma fábrica e almoçava no Café Apollo quase todo dia. Lá dentro, tinha o balcão com alguns bancos grandes e você servia ali mesmo, mas tinha várias mesas também, que ficavam cheias. Apesar de também ser um restaurante, era um lugar onde a gente se encontrava para tomar café, era uma cafeteria, né?! O almoço era muito bom, lembro que comia arroz, feijão, uma maionese e bife. Mas tinha, claro, a torta de frango, que ficou muito conhecida e todo mundo ia pra lá comer, era realmente boa, mais molhada. Tinha o palmiere também: uma torrada grande cristalizada, mais firme. Ainda até vende em algumas padarias de Juiz de Fora, mas a de lá todo mundo comia, com o café. Fechou no começo dos anos 1990 e, enquanto durou, foi muito conhecido.”
Memórias de Robson Conde, 79 anos, aposentado

Guardanapo da lanchonete Oásis (Foto: Arquivo Maria do Resguardo)

Salgados generosos da Lanchonete Oásis

“Juiz de Fora não tinha muitos lugares que vendiam salgados como hoje, eram pouquíssimos mesmo. Era costume as pessoas irem lanchar nesses lugares, isso lá na minha adolescência. Tinha a lanchonete Oásis, onde é a Casas Bahia hoje. Então, eu lembro que o cigarrete de lá era muito bom e muito famoso também. Ele era gordinho, sabe?! Muito bem recheado. Diferente dos de hoje, não era ‘massudo’ e dava pra comer sem arrependimento. Era muito bem feito. Lá tinha um balcão comprido e os bancos altos para sentar, e umas mesas, também. Tipo hoje em dia, mas diferente.”
Memórias de Regina Lawall, 64 anos, psicóloga, e Lúcia Lawall, 69 anos, aposentada

(Foto: Arquivo TM)

Sorvetes da Sorveteria Polar

“Primeiro, a Polar era quase em frente à Catedral. O sorvete, não existia igual. Depois, passaram para a Rua São Sebastião, até acabarem. O espaço na Rio Branco era uma espaço pequeno, então, muitas vezes, aglomeravam mesmo, ficava muita gente para poder consumir. E a mesma coisa no outro espaço, que, aí, acho que foi mais no finalzinho. Meus sorvetes preferidos eram manga e limão. Eles eram sensacionais. O rosto do dono, apesar de não lembrar do nome, é muito claro na minha memória. Eu lembro pouco, mas muito claramente. O gosto do sorvete não se perde na memória.”
Memórias de Márcia Falabella, 54 anos, professora e atriz

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Faisão Dourado
(Foto: Arquivo Maria do Resguardo)

Comida à la carte do Faisão Dourado

“Lá fechava tipo 4h da manhã no final de semana e a gente fechava o restaurante junto e, depois, ia para as boates. O contrário acontecia também. Durante o dia, no almoço, eu costumava pedir o Virado à Paulista, é tipo um mexido, mas mais gostoso e chique, e muito bem feito. Vinha numa panela de pedra, quentinho. Era muito bom. Quando queria diversificar, pedia o lombo, gostoso igual. Já na madrugada, a gente não gostava de coisa muito pesada, por isso pedia uma canja, que é mais leve. Por ser do lado do Cine-Theatro Central, os artistas frequentavam muito. A sensação de ir lá era de ser importante, aproveitar mesmo e comer bem”.
Memórias de Emanuel Tavares, 76 anos aposentado

Sônia Burnier no Angu & Etc (Foto: Arquivo Welaine Elias)

Angu com carne moída e queijo ralado do Angu & etc

“O que eu lembro mais de lá é do angu com carne moída. Era um ponto excelente: nem muito duro, nem muito mole. Tinha um tempero especial e ainda jogava o parmesão em cima e uma pimentinha. Era muito astral. Servia em uma cumbuquinha delicada. A dona sempre teve muito zelo pelo lugar, então os atendentes eram muito gentis e prestativos. Os pratos tinham um rigor mesmo. Tudo era sempre muito fresco e tinha uma cara ótima. Ela deixava as coisas expostas no balcão e chamava muita atenção. Tinha umas coisas árabes também. Mas o angu ficou muito famoso, era muito gostoso.”
Memórias de Marcelo Mattos, 41 anos, músico

(Foto: Arquivo pessoal João Carlos de Souza Lima Figueiredo)

Meladinho do Balcão Drinks

“Bebida misteriosa, servida na maioria das vezes em um copo americano, com duas pedrinhas de gelo. O Ivan, um dos donos do Balcão, é que era responsável pela fabricação. Os ingredientes e a forma de fazer nunca foram revelados. Só sabíamos que era adocicada, por isso remetia ao sabor da famosa pinga com mel, mas, segundo ele, não era só isso: ela tinha consistência, sabor e cor diferentes também. Era mais clara e mais rala. Embalava nossa noite, principalmente quando estávamos sem capital para bancar a cerveja, porque ela era uma bebida relativamente barata, acho que custava R$ 1, e era atraente, charmosa, um sabor muito bom. Virou um grande filão do Balcão. Lá tem muita história pra contar, marcou minha geração.”
Memórias de Pepê Mendes, 56 anos, músico

 

 

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