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5 itens do acervo do Museu Mariano Procópio

Conheça ou relembre objetos das coleções de Alfredo Ferreira Lage e Viscondessa de Cavalcanti


Por Gabriel Ferreira Borges

16/07/2021 às 07h00

Embora o Museu Mariano Procópio tenha completado centenário em 23 de junho, o acervo de aproximadamente 53 mil objetos está inacessível à população. A maior parte, ao menos, desde 2008, quando as portas foram fechadas para obras. Constituído predominantemente pelas coleções de Alfredo Ferreira Lage e Viscondessa de Cavalcanti, o acervo é bastante eclético, desde aqueles itens tridimensionais até de história natural – com animais taxidermizados, aliás -, passando pelo arquivo histórico. A Tribuna, então, com a curadoria da historiadora Rosane Carmanini Ferraz, reúne cinco itens relevantes do acervo do Museu Mariano Procópio para os leitores relembrá-los ou, até mesmo, conhecê-los.

‘Tiradentes esquartejado’ (1893)

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A pintura óleo sobre tela retrata os pedaços de Tiradentes após o seu enforcamento e esquartejamento em 1792 (Foto: Fundação Museu Mariano Procópio/Divulgação)

O quadro – inicialmente conhecido como “Tiradentes supliciado” – é um dos principais itens do acervo do Museu Mariano Procópio. Tanto é que é o mais solicitado para empréstimo a outras instituições. A tela de Pedro Américo de Figueiredo e Melo (1843-1905) tem 2,7m de altura x 1,65m de largura. Em entrevista à Tribuna em meio às comemorações do centenário do museu, o historiador Sérgio Augusto Vicente afirmou que, a princípio, na década de 1890, os republicanos rejeitaram a pintura, já que Tiradentes fora retratado esquartejado. O item chegou ao acervo do Museu Mariano Procópio na década de 1920, quando estava exposto na Câmara Municipal de Juiz de Fora. O ingresso de “Tiradentes esquartejado” a um acervo predominantemente imperial, acrescentou Sérgio, é representativo do período de reconciliação entre monárquicos e republicanos no início do século XX. Antes do fechamento do Museu Mariano Procópio, havia uma sala específica sobre Tiradentes.

‘Cadeira do beija-mão’ (século XIX)

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A “Cadeira do beija-mão” tem estilo Dom José I –  transição para D. Maria I (Foto: Fundação Museu Mariano Procópio/Divulgação)

A “Cadeira do beija-mão” chegou ao acervo do Museu Mariano Procópio vinda do mobiliário do Palácio Imperial São Cristóvão, no Rio de Janeiro. A exemplo de “Tiradentes esquartejado”, é um dos mais solicitados para empréstimo dentre aqueles do acervo deixado pelas famílias Ferreira Lage e Cavalcanti. O item é um símbolo de um ritual litúrgico do monarca Dom João VI. Formava-se uma longa fila de espera para se curvar diante do imperador e beijar a sua mão enquanto estava sentado na cadeira de madeira dourada e tecido adamascado – as medidas são 143cm x 72cm x 55cm. Conta-se que, enquanto sentado na cadeira, Dom João VI recebia pedidos de providência, assinava nomeações, distribuía graças honoríficas, anistiava criminosos etc. O rito litúrgico foi abolido definitivamente pela monarquia em 1870, quando “a solenidade já era vista como inadequada e incompatível ao padrão das monarquias constitucionais do século XIX”.

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‘Leque de folha’ (1890)

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O leque de autógrafos da Viscondessa de Cavalcanti tem 36cm x 68cm e é constituído por madeira, papel e tinta (Foto: Fundação Museu Mariano Procópio/Divulgação)

O ‘Leque de folha’ pertenceu à Viscondessa de Cavalcanti, que, aliás, teve uma ascendência sobre o gosto de colecionador do primo Alfredo Ferreira Lage. O item reúne autógrafos, desenhos e versos de personalidades brasileiras e estrangeiras. Embora colecionar autógrafos fosse uma prática razoavelmente difundida, reuni-los em apenas em um leque era bastante inusitado. Entre 1980 e 1945, a Viscondessa de Cavalcanti coletou 69 autógrafos. O primeiro foi de Dom Pedro II, em Cannes. Já o último, da própria Viscondessa. Mas há ainda a assinatura de, por exemplo, Princesa Isabel, Joaquim Nabuco e Getúlio Vargas, além de escritores como Machado de Assis e Eça de Queirós. Pintores como Rosa Bonheur, Eugene Lambert, Weingartner, Zeferino da Costa e Henrique Bernardelli. Santos Dumont também deixou a sua assinatura no leque de 36cm x 68cm.

‘Regra da Ordem de São Bento’ (1582)

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O nome original da peça é Incipt prologus Sancti Benedicti Abbatis primus prologus (Foto: Fundação Museu Mariano Procópio/Divulgação)

Doada pela Viscondessa de Cavalcanti ao acervo do Museu Mariano Procópio, a ‘Regra da Ordem de São Bento’ é a obra mais antiga da biblioteca da instituição. O exemplar foi produzido em um mosteiro de monjas, possivelmente cistercienses – seguidoras do mosteiro de Cister, na França -, já que não se sabe exatamente a origem. O título traz a regra da Ordem de São Bento. O item é um manuscrito em pergaminho, com letras pretas, vermelhas e azuis. Além disso, apresenta capital ornamentada, iniciais policromáticas e iluminura decorada com arabescos, plantas, animais e símbolos religiosos. A encadernação da “Regra da Ordem de São Bento” é em veludo vermelho, com decoração e fechos de prata.

‘Après-midi en Hollande’ (1889)

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A Escola de Haia, a qual se filia Willem Roelofs, tinha influências da Escola de Barbizon (Foto: Fundação Museu Mariano Procópio/Divulgação)

A pintura a óleo sobre tela, cuja tradução é “Tarde na Holanda”, é do neerlandês Willem Roelofs (1822-1897), considerado um dos precursores da Escola de Haia. Roelofs integra um grupo de artistas da escola neerlandesa modera que se preocupava com a expressão da natureza. Os registros vão desde cenas de praia até o interior de igrejas, passando pela vida cotidiana. “Tarde na Holanda”, de 111cm x 160cm, foi, inclusive, premiado na Exposição Universal de 1889. Entretanto, a obra já havia sido adquirida àquela altura por Alfredo Ferreira Lage, em Paris, França. Alfredo teria proposto a Roelofs desfazer o negócio diante do reconhecimento, o que fora recusado pelo artista.

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