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A indústria contra o coronavírus: como superar essa crise?

Por Débora Mendonça e Iris Barquette

30/06/2020 às 07h00 - Atualizada 29/06/2020 às 19h53

O surto do novo coronavírus já infectou milhares de pessoas em todo o Brasil. O aumento expressivo do número de vítimas da doença e a saturação do sistema de saúde têm preocupado os brasileiros. O impacto da doença se refletiu também na atividade econômica, que vem sofrendo perdas significativas, como no caso das indústrias. Segundo a Confederação Nacional da Indústria (CNI), em pesquisa realizada na primeira quinzena de abril, 91% das indústrias brasileiras relataram impactos negativos devido à pandemia e, em reflexo dessa condição, 76% das empresas industriais entrevistadas afirmaram ter reduzido ou paralisado a produção.

O setor industrial já vinha sofrendo com a instabilidade econômica do país desde 2015, e as perdas do setor tendem a se acentuar ainda mais em 2020. As políticas de distanciamento social rapidamente geraram consequências negativas às linhas de produção. Dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) estimam que as indústrias _ que já tinham fechado o ano de 2019 no negativo (-1,1%) _ devem ter perdas maiores que 7% em 2020.

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Três de cada quatro empresas entrevistadas apontaram queda na demanda e 38% deste mesmo grupo tiveram quedas intensas dos níveis de produção e de faturamento. Os setores mais afetados pela crise tiveram quedas na produção das seguintes magnitudes: vestuário (-37,8%); artefatos de couro, artigos para viagem e calçados (-31,5%); veículos (-28%); e móveis (-27,2%). Em contrapartida, houve um crescimento dos fabricantes de produtos como sabões e detergentes (0,7%), visto que seus produtos são recomendados como forma de prevenção e controle à disseminação do vírus. Além disso, indústrias que fabricam álcool em gel também apresentaram elevação em seu faturamento, visto que a procura pelo produto aumentou fortemente em todo o mundo.

A CNI destaca que a flexibilização das medidas de isolamento social, quando tomada precocemente e de forma não planejada, pode ser ainda mais prejudicial para o setor industrial e para a economia do país como um todo. Novas medidas precisam ser tomadas como forma de preservar não só o trabalho dos brasileiros, mas também a saúde dos mesmos. Como consequência, medidas governamentais, como o adiamento do pagamento de obrigações trabalhistas e a redução da jornada e dos salários dos funcionários poderiam auxiliar os trabalhares neste momento de pandemia. Além disso, a intensificação dos cuidados de higiene, distanciamento e demais prevenções à disseminação do vírus dentro das indústrias deve ser praticado severamente para que a retomada ocorra de forma sustentável.

Conjuntura e Mercados

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