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A flexibilização das medidas restritivas é ruim para o Brasil?

Por Por André Sobrinho e Bruno Gomes

29/09/2020 às 06h55 - Atualizada 28/09/2020 às 20h33

A flexibilização das medidas de isolamento e distanciamento social em várias partes do Brasil parecem já surtir efeitos no mercado de trabalho, com uma elevação mais repentina e acentuada da taxa de desocupação, principalmente a verificada na última semana do mês de agosto. Um afrouxamento cada vez maior dessas medidas restritivas provocadas pela pandemia associado à diminuição e até mesmo ao corte, num horizonte que parece próximo, do valor do auxílio emergencial, podem fazer com que os números do desemprego subam ainda mais nos próximos meses.

Segundo os dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Mensal (PNAD Covid19), divulgados no dia 23 de setembro de 2020, a taxa de desocupação passou de 13,1%, em julho, para 13,6%, em agosto, maior resultado da pesquisa mensal iniciada em maio pelo IBGE. O Brasil encerrou o mês de agosto com 12,9 milhões de desempregados, sendo 2,9 milhões de pessoas desocupadas a mais do que o número registrado em maio. A proporção de pessoas ocupadas no mercado de trabalho foi estimada em 82,1 milhões de brasileiros no mês de agosto, frente ao número de 84,4 milhões de pessoas que foi registrado em maio.

Somente na quarta semana de agosto, a taxa de desocupação atingiu 14,3%, somando 13,7 milhões de desempregados. Essa alta pode ser explicada pelo aumento do número de pessoas que passaram a procurar trabalho, em razão da flexibilização das medidas de isolamento social. Estima-se que tenha havido uma elevação de 1,1 milhão de pessoas a mais procurando um emprego somente nessa última semana.

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No início de maio, as pessoas estavam afastadas, tendo que manter um distanciamento social em função da pandemia do coronavírus, de forma que não existia uma forte procura por emprego. O número de pessoas desalentadas crescia muito e, com isso, a taxa de desemprego não tinha uma elevação tão grande, já que essa taxa é medida pelo número de pessoas desocupadas dividido pela força total de trabalho (ocupados mais desocupados) e as pessoas desalentadas não entram nesse cálculo. Com a flexibilização das medidas de confinamento e de distanciamento no Brasil todo, as pessoas tendem a retornar ao mercado de trabalho em busca de atividades, fazendo a taxa de desocupação ter uma subida repentina e bastante acentuada, conforme a própria equipe da CMC já tinha alertado em textos anteriores. Esse fato começa a ficar marcante no mês de agosto, mas deve se estender para os demais meses, até o fim do ano de 2020.

Com a diminuição do número de pessoas em isolamento e o afrouxamento das medidas de restrição provocadas pela pandemia, em razão do início do controle da disseminação da doença infecciosa no Brasil, mais pessoas que estavam sem emprego devem começar a procurar uma nova ocupação. A diminuição do valor do auxílio emergencial também força as pessoas a buscarem um trabalho. Com isso, já é visível uma elevação mais pronunciada da taxa de desocupação. Como o número de pessoas desalentadas gira em torno de 6 milhões de pessoas atualmente, caso metade delas passem a procurar emprego, teríamos ainda um salto da taxa de desocupação para 16,7%. É possível, portanto, que o desemprego ainda atinja um patamar maior nos próximos meses, na medida em que o isolamento vá sendo mais flexibilizado e todas as atividades sejam retomadas. Os reflexos negativos da pandemia tendem a permanecer por algum tempo.

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