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Um panorama do setor industrial brasileiro

Por Rodrigo Souza, Natália Haubrich e Weslem Faria

23/07/2019 às 07h00 - Atualizada 22/07/2019 às 21h44

Existem setores que são fundamentais para a sustentação da economia como um todo, e, no Brasil, isso não é diferente. De forma geral, a economia brasileira se sustenta com base em três principais pilares: a agricultura, o setor industrial e o setor terciário, que engloba comércio e serviços. Ainda que a força econômica seja bem distribuída dentro desses pilares, o setor industrial se destaca por estar ligado a variáveis de grande importância, como geração de empregos, câmbio, investimentos, importação e exportação. Entretanto, nos últimos anos, a indústria brasileira não tem obtido bons resultados.

O setor industrial no país vem encolhendo. Isso é o que a Pesquisa Industrial Anual (PIA), divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) evidencia. De acordo com a pesquisa, no que tange a receita líquida de vendas, o recuo foi de 7,7% entre 2014 e 2017. Além disso, também houve queda na quantidade de empresas ativas no setor industrial. Em 2014, havia 333,7 mil empresas, número que caiu para 318,4 mil em 2017, uma queda de 15,3 mil unidades industriais, o que representa uma redução próxima de 5%. Com a queda do número de empresas ativas, também houve um decréscimo de cerca de 12,5% do número de empregados no setor industrial entre 2014 e 2017, o que representa uma perda de quase 1,1 milhão de postos de trabalho no setor.

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No atual panorama, a indústria passou a acumular uma queda de 2,7% na produção nos quatro primeiros meses desse ano, frente ao mesmo período de 2018. A perda de ritmo do setor fica mais evidente na análise do resultado acumulado em 12 meses, que passou de -0,1% em março para -1,1% em abril, mantendo a trajetória descendente iniciada em julho do ano passado. Tal realidade deve-se principalmente ao recuo de 6,3% da indústria extrativa, refletindo os desdobramentos do rompimento da barragem da Vale em Brumadinho e, além disso, o setor tem sido afetado também pela desaceleração do comércio global e pela crise econômica na Argentina, que é um importante importador de produtos manufaturados do Brasil.

Dado esse cenário de baixa no setor industrial brasileiro, a perspectiva é de permanência em ritmo lento visto que há também a dificuldade de ascensão da demanda interna, causada pelo nível elevado de incerteza do consumidor. Com isso, as empresas têm um aumento significativo em seus custos pois, com a ausência de demanda, é gerado um excesso de estoques, fazendo com que o emprego e a massa salarial permaneçam sem crescimento. Passados 200 dias do atual governo, a população espera um pouco mais além de promessas de campanha para reverter tal quadro.

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