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Crise Hermana

Por Por André Sobrinho, Leonan Ferreira e Vinicius Viegas

17/09/2019 às 06h59 - Atualizada 17/09/2019 às 19h23

O primeiro turno das eleições presidenciais na Argentina ocorre no dia 27 de outubro deste ano. Contudo, as primárias realizadas no dia 11 de agosto já serviram como uma prévia do que está por vir. O candidato de oposição à presidência da Argentina, Alberto Fernández, que tem Cristina Kirchner como vice, obteve 47,66% dos votos e venceu o atual presidente Mauricio Macri, que ficou com 32,08%. As eleições Primárias Abertas, Simultâneas e Obrigatórias (Paso) na Argentina estabelecem quem serão os candidatos de cada partido nas eleições de outubro. Elas servem como um bom indicativo da tendência do eleitorado. O debate político na Argentina tem sido pautado pela recessão do governo Macri e a herança econômica do Kirchnerismo (2003-2015).

A Argentina vive uma crise econômica inimaginável. Em 2018, o PIB teve uma queda de 2,6%. O país foi muito afetado, ocorrendo maciça venda do peso, o que contribuiu para aumentar consideravelmente as pressões inflacionárias. A inflação chegou ao patamar de 55% ao ano. O Banco Central da Argentina foi obrigado a aumentar a taxa de juros para tentar controlar a inflação, chegando a fixá-la em 74% ao ano, após as primárias, em resposta à desvalorização do peso de 30%. A dívida bruta da Argentina chegou a 62,7% do PIB em 2018. Em meio a esse caos, o atual presidente, em medida desesperada para tentar reverter os resultados das primárias, anunciou o aumento do salário mínimo e congelamento dos preços do combustível. Tal decisão, com forte viés político, busca reverter nas eleições oficiais a derrota nas primárias, contudo, com o país numa situação delicadíssima, o tiro pode sair pela culatra e agravar ainda mais o cenário econômico argentino.

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Outro grande problema para a Argentina é a dívida externa. Ao final do mês de agosto, o Governo argentino optou por declarar moratória da mesma, que gira em torno de U$ 57 bilhões. Isso significa que o país vai adiar o pagamento da sua dívida de curto prazo com o FMI, e ainda, negociar a de médio e longo. Tal decisão ocorreu pois 70% da dívida externa do país é em dólar, assim, as frequentes desvalorizações do peso deixaram a dívida, de certa forma, impagável. Tamanha instabilidade diante de um cenário macroeconômico caótico faz com que o risco de se investir no país aumente, prova disso é o índice risco-país, construído pelo banco JP Morgan, que já alcançou o patamar de 2.500 pontos.

Essa crise no país vizinho afeta também a economia brasileira. A Argentina é o parceiro comercial mais importante do Brasil na América do Sul, sendo a maior compradora de bens industrializados do país, além de ter 60% de todos seus carros originados de terras brasileiras. Portanto, fica claro que a crise argentina, sobretudo a desvalorização do peso, impacta diretamente nossas exportações para o país, que foram reduzidas em cerca de 40% só em 2019. Outro ponto que vale ressaltar é em relação ao investidor estrangeiro que, ao ver um país emergente com um risco elevado, tende a retirar os investimentos desse segmento (como um todo) e transferir para economias mais seguras, como os Estados Unidos. Nesse contexto, a moeda brasileira acaba perdendo valor frente ao dólar devido à grande demanda pela moeda americana. Como visto, o brasileiro não está imune ao que acontece do outro lado da fronteira, como gostaria.

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