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Minimizando os problemas da pandemia

Por Victor Chiaratti e Rafael Teixeira

13/10/2020 às 07h00 - Atualizada 12/10/2020 às 14h23

A 233ª reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) decidiu manter a taxa básica de juros da economia brasileira em 2% ao ano (a.a.), após mais 7 quedas sucessivas durante o ano de 2020 em um ciclo de cortes encerrado em agosto. O incentivo do Banco Central (BC) para reduzir a taxa Selic em meio a pandemia é uma tentativa de conter os desdobramentos negativos da crise econômica gerada a partir da crise sanitária do coronavírus, que fez muitos setores paralisarem ou reduzirem suas atividades.

Enquanto o Copom espera a retomada de diversos ramos da economia, o setor de serviços parece ser o mais difícil de ser recuperado, tendo em vista a necessidade de distanciamento social que faz com que ele permaneça desaquecido. Por outro lado, os auxílios governamentais direcionados à recomposição de renda permitem que os demais setores da economia brasileira sejam retomados de forma mais rápida na comparação com outros países emergentes.

A junção do atual patamar da taxa Selic em 2% a.a., a fim de estimular o nível de investimento, com os programas de transferência de renda, focados no aumento do consumo pela recomposição de renda, foram fatores que ajudaram a conter as projeções de retração do Produto Interno Bruto (PIB) em 2020. Isso porque o PIB é calculado pela soma do consumo, investimento, gastos do governo e exportações líquidas (valor exportado subtraído do importado). Sendo assim, as medidas tomadas contribuíram para melhorar as expectativas do desempenho da economia brasileira. Enquanto o Banco Central previa uma retração de 6,4% no PIB brasileiro durante o auge da crise, o Relatório de Inflação divulgado em setembro projeta uma retração de apenas 5% do PIB para 2020.

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As ações de transferência de renda e manutenção da taxa Selic em seu piso histórico estão contribuindo para estimular a atividade econômica e elevar, além das projeções para o PIB, a inflação, a fim de estabilizar a economia. É importante observar, no entanto, que o diferente comportamento entre os setores vem fazendo com que a inflação seja refletida de forma heterogênea, com destaque para a categoria de alimentos e para a distância entre o Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA), que possui acumulado de 21,6%, em 12 meses, e o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que acumulou, no mesmo período, variação positiva de 2,4%, apresentando uma diferença de 19,2 pontos percentuais em agosto, se comparado o crescimento em 12 meses, segundo o Instituto Brasileiro de Economia – IBRE.

Vale ressaltar que a economia brasileira vem apresentando fatores de risco tanto para a queda quanto para o aumento da inflação. As expectativas de queda se dão pelo ainda elevado grau de ociosidade no setor de serviços e às expectativas sobre o fim do auxílio emergencial em dezembro, que poderá reduzir a velocidade da retomada econômica nos demais setores, enquanto políticas que piorem o quadro fiscal e frustrações sobre a continuidade de reformas estruturais poderiam elevar as expectativas sobre os juros. Tal conjuntura fez com que os representantes do Copom avaliassem como adequado o atual grau de estímulo monetário, mantendo a taxa Selic constante, dentro da estratégia de prescrição futura.

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