Semaglutida: o que é, indicação, efeitos colaterais


Por Alice Amaral

29/03/2023 às 19h10

slimming g67ed093da 1920A Semaglutida já era utilizada para o tratamento de Diabetes Tipo 2 por meio do medicamento Ozempic e agora chega o Wegovy, que é a mesma substância, mas com uma dose maior. A semaglutida ganhou destaque nos últimos dias nos meios de comunicação depois que o empresário Elon Musk, proprietário do Twitter, divulgou que usou o medicamento para perder peso.

Importante explicar que ela atua como agonista receptor do GLP1, com 94% de semelhança com o hormônio humano que é produzido naturalmente após as refeições e que dá a sensação de saciedade ao cérebro, agindo como um inibidor de apetite, reduzindo a fome e aumentando a saciedade, contribuindo para que a pessoa reduza a ingestão de calorias e a perda de peso corporal. Em muitos casos, essa perda de peso é muito rápida, o que fez com que aumentasse a popularidade do tratamento. O uso cresceu tanto que gerou a escassez do medicamento em vários países.

Importante destacar os efeitos colaterais, como distúrbios gastrointestinais, náuseas, vômito, diarreia ou prisão de ventre, dor abdominal, gases, tontura, cansaço, dor de cabeça e, também, devido ao emagrecimento rápido, a pessoa pode ficar com a aparência abatida, chamada de rosto de semaglutida.

Ela é indicada para pacientes com obesidade (IMC acima de 30), ou então com pacientes com IMC acima de 27 e que apresentam, pelo menos, uma comorbidade, como pré-diabetes ou diabetes; hipertensão arterial, apneia do sono, dislipidemia ou alguma doença cardiovascular. Ela é contraindicada para pacientes com histórico pessoal ou familiar com câncer de tireoide, mulheres grávidas ou amamentando, e também não é recomendada para crianças e menores de 18 anos.

Segundo estudos, a Semaglutida quando associada a uma alimentação saudável e a prática de atividade física, conseguiu uma redução de 17% de gordura corporal durante um pouco mais de um ano. Além disso, ela diminui a circunferência abdominal, a hemoglobina glicosilada, triglicérides e a pressão arterial.

Devemos lembrar que a obesidade é uma doença inflamatória crônica, causada pelo estilo de vida, ou seja, o excesso de alimentação associado à falta de atividade física, portanto, qualquer tratamento está fadado ao fracasso se a pessoa não mudar os hábitos que fizeram a engordar. O paciente até pode emagrecer, mas vai ter dificuldade em se manter magro quando parar a medicação. Portanto, para manter o peso adequado é preciso ter uma rotina de atividade física regularmente e ter uma alimentação saudável. A obesidade está associada a várias complicações. Ela é o principal fator desencadeador da diabetes, hipertensão arterial, Acidente Vascular Cerebral (AVC), infarto, apneia do sono, veias varicosas, esteatose hepática (gordura no fígado), refluxo, hemorroida, artrose no joelho e no quadril, pancreatite, síndrome de ovário policístico, disfunção erétil, infertilidade, incontinência urinária, insuficiência renal, ansiedade, depressão e até demência.

Um estudo publicado no Journal of Clinical Endocrinology & Metabolism mostrou que a obesidade pode adiantar a primeira menstruação e atrasar o desenvolvimento completo das mamas. Vale destacar que a obesidade cresceu muito nos últimos anos, pois embora exista uma predisposição genética, distúrbios hormonais e o uso de determinados medicamentos, as causas da obesidade envolvem sempre o excesso de alimentação e a falta de atividade física.

Vale lembrar que os nossos ancestrais tinham dificuldade para estocar os alimentos, eles se alimentavam com produtos retirados diretamente da terra, da vegetação em geral e também da carne proveniente da caça, não havia agricultura e a caça nem sempre era possível. A agricultura transformou o homem nômade em sedentário e fixou o grupo em uma localidade, fazendo com que a produção de alimentos se tornasse mais regular. Com as políticas e técnicas agrícolas no pós guerra, houve um aumento na produção de milho, de soja, de trigo e de arroz – principais fontes da comida processada – fazendo com que o custo se tornasse mais barato.

Nisso, as mulheres também começaram a sair de casa para trabalhar , aumentando o consumo de alimentos industrializados e consequentemente, favorecendo o ganho de peso e o crescimento da obesidade na população.

Entretanto, embora essa medicação seja uma grande promessa no tratamento da obesidade, não existe fórmula mágica para emagrecer. É preciso mudar os hábitos de vida.

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