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A dengue e a falta de diagnóstico


Por Dirceu Cardoso Gonçalves, Dirigente da Associação de Assist. Social dos Policiais Militares de São Paulo (Aspomil)

12/05/2022 às 07h00

Ainda não estamos inteiramente livres dos riscos causados da pandemia do coronavírus, mas já somos alarmados pelo alastramento dos casos de dengue Brasil afora. O país registrou, até o final de abril, 542 mil casos da doença, que, comparados ao mesmo período de 2021, indicam o aumento de 113,7% na incidência. A informação do Ministério da Saúde é de que 160 brasileiros já morreram de dengue este ano. Somados os casos dos quatro primeiros meses de 2022, as estatísticas indicam a ocorrência do mesmo número registrado durante todo o ano passado. Muitos municípios já entraram em estado de alerta para evitar que o alastramento do mal. Já temos localidades – inclusive do interior de São Paulo – recorrendo à pulverização de inseticida (o chamado “fumacê”) para eliminar o mosquito transmissor. Praticamente todas as prefeituras reforçaram a campanha em que pedem à população para evitar água parada e a presença a céu aberto de recipientes que possam funcionar como criadouros do mosquito.

A dengue é conhecida no Brasil desde os tempos de colônia. O mosquito Aedes aegypti tem origem africana. Ele chegou junto com os navios negreiros, depois de uma longa viagem de seus ovos dentro dos depósitos de água das embarcações. O primeiro caso da doença foi registrado em 1685, em Recife (PE). A luta contra moléstia é antiga e tem relação com o combate à febre amarela, por Oswaldo Cruz. Nos anos 40 do século passado, começou-se a borrifar inseticida, e o mosquito foi declarado extinto em 1955. Mas a falta de cuidados promoveu sua reintrodução através de pneus usados importados, vindos da Venezuela e das Guianas, no final da década de 60. O inseto não foi mais erradicado, em 1986 a dengue voltou como epidemia no Rio de Janeiro e, de lá para cá, só tem se alastrado.

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Verifica-se que um mal já extinto após décadas de esforços, acabou sendo reintroduzido e hoje é uma ameaça à população. É interessante observar que nos últimos dois anos, quando vivemos a pademia do Covid-19, não se falou em dengue, zika e chikungunya, as doenças transportadas pelo mosquito. Houve até a sensação de que haviam acabado. Mas era apenas sensação, pois a infestação seguia e só não estava nas páginas da imprensa porque os males do coronavírus tomavam todo o espaço. Hoje já se noticia uma profusão de dengue, casos de chikungunya e logo virão os de zika.

Certamente, não houve o arrefecimento nos casos das doenças transportadas pelo mosquito, mas apenas a chamada de atenção para o mal maior que matou mais de 600 mil brasileiros. Hoje estamos desmobilizando os cuidados contra o Covid-19. É importante que não se tenha o mesmo comportamento ocorrido com as doenças do mosquito. Até porque o coronavírus é mais rápido e mortal. Governos, autoridades sanitárias e todos os cidadãos devem se manter em alerta. Definir claramente entre a diminuição de casos e a falta de diagnóstico. Toda vez que a identificação é falha ou inconclusiva, a população é exposta a riscos e muitos perdem a vida. Isso não pode continuar acontecendo.

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