Tópicos em alta: polícia / chuva

Desemprego: conjuntural ou estrutural?

Dois dados divulgados recentemente dizem muito sobre a realidade brasileira: a taxa de desemprego alcançou 12,2% em janeiro de 2018 e o Produto Interno Bruto cresceu 1,0% em 2017. A teoria econômica clássica diria que é necessário crescimento maior e mais consistente ao longo do tempo para que sejam gerados novos empregos. Verdadeira, mas apenas […]

Por Cristiano Rocha Heckert Juiz-forano, servidor público federal em Brasília

11/03/2018 às 07h00- Atualizada 11/03/2018 às 09h23

Dois dados divulgados recentemente dizem muito sobre a realidade brasileira: a taxa de desemprego alcançou 12,2% em janeiro de 2018 e o Produto Interno Bruto cresceu 1,0% em 2017. A teoria econômica clássica diria que é necessário crescimento maior e mais consistente ao longo do tempo para que sejam gerados novos empregos. Verdadeira, mas apenas em parte.

Dois fatores têm tornado essa relação “aumento do PIB = geração de empregos” menos direta nos últimos tempos. Por um lado, boa parte do crescimento econômico tem sido gerada por avanços tecnológicos. Aumenta-se a produção sem, necessariamente, empregar mais pessoas. Por outro lado, há um descompasso crescente entre os postos de trabalho gerados e a qualificação dos profissionais para ocupá-los. O mundo atual precisa de trabalhadores do conhecimento, e não de executores de tarefas braçais ou rotineiras. Isso vale para o setor privado e também para a administração pública.

O conteúdo continua após o anúncio

Enfrentar esse desafio passa por uma palavra-chave: produtividade. Precisamos tornar nossos processos de trabalho e, principalmente, nossos profissionais mais produtivos. Para isso, educação é fundamental. Não apenas de crianças, mas também de adultos. Qualquer conhecimento adquirido hoje se tornará obsoleto em, no máximo, cinco anos. Portanto nunca poderemos parar de estudar.

Infelizmente, observamos frequentemente alunos e professores desinteressados na aprendizagem. Uns fingem que estudam, mas só querem o diploma. Outros fingem que ensinam, mas estão pensando no pagamento pelas aulas. E o Brasil vai despencando nos rankings de competitividade internacional.

Precisamos de um pacto nacional pela educação e pela produtividade. Isso requer o envolvimento de governos e empresas. Porém, acima disso, demanda o compromisso individual de cada um de nós em buscar cotidianamente novos conhecimentos e novas formas de desempenhar nossas tarefas, sob pena de nos tornarmos dispensáveis.

Receba nossa
Newsletter

As principais notícias do dia no seu e-mail



Os comentários não representam a opinião do jornal; a responsabilidade é dos autores das mensagens.
A Tribuna reserva-se o direito de excluir postagens que contenham insultos e ameaças a seus jornalistas, bem como xingamentos, injúrias e agressões a terceiros.



Leia também

Desenvolvido por Grupo Emedia