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A violência do trânsito que mata e fere

Por José Luiz Britto Bastos, Especialista em mobilidade urbana

06/01/2019 às 07h00

Em 2018, tivemos em Juiz de Fora 355 atropelamentos. Dezesseis pessoas mortas, 1,33 vida por mês. Mas, no trânsito, ninguém deveria morrer ou se ferir. É o que preconiza o programa “visão zero” do governo sueco para um trânsito seguro.

Na manhã do dia 1º de dezembro, aos 68 anos de idade, o senhor José Sebastião foi violentamente atropelado na Avenida Rio Branco e morreu no local do acidente. Há dez anos, três vezes por semana, ele enfrentava o calvário das sessões de hemodiálises – processo de purificação do sangue por filtragem mecânica – procedimento necessário para se manter vivo, em razão de deficiência renal. Quer dizer: sobreviveu dez anos nessas condições e poderia viver muito mais tempo. No entanto, de repente, ao atravessar a avenida numa faixa destinada a pedestres e com o sinal verde favorável, foi brutalmente assassinado por um motorista, que em alta velocidade, avançou o sinal vermelho, atirando-o a 50 metros de onde se encontrava. Quer dizer: não morreu em consequência do problema renal, mas sucumbiu à irresponsabilidade de um motorista que lhe tirou a vida, usando o automóvel como arma!

De fato, não se pode dizer que tenha sido acidente. Não foi acidente. O imprudente motorista sabia que estava em velocidade inapropriada para trafegar por uma via urbana. Ao avançar o sinal vermelho, sabia que poderia produzir um grave acidente, e de fato, o produziu. Logo, assumiu o risco de provocar a tragédia, pois agiu, portanto, “dolosamente”. Ceifou a vida de alguém que lutava, arduamente, por permanecer vivo.

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Infelizmente, vivemos num país onde o trânsito, diariamente, faz 154 vítimas fatais. São 56 mil vidas perdidas por ano. Trata-se de uma tragédia, em que se mata mais do que em muitas guerras em andamento pelo mundo, e mesmo assim, nada tem sido feito para impedir que isso continue a ocorrer. Somos o quinto país do mundo que mais mata no trânsito, uma posição vergonhosa, inadmissível e insustentável. Mas nós somos os únicos culpados por essa tragédia. Compete a todos, indistintamente, buscar soluções para que esses números sejam reduzidos, infelizmente, um desastre que cresce, incontidamente, em progressão geométrica.

O legislador pátrio tem claudicado, sabe que deve adotar a forma dolosa para os crimes de trânsito. Um sujeito que avança um sinal vermelho em alta velocidade e mata uma pessoa é um covarde, imprudente e negligente. Um irresponsável que deve ser punido exemplarmente pela gravidade do fato a que deu causa. Nessas circunstâncias, não pode mais dirigir veículos automotores e tem que pagar pelo que fez, ser processado, julgado e apenado na medida certa em razão da sua injustificável atitude.

A família abalada pede justiça, claro. Mas, por mais que a justiça seja feita, não há de trazer de volta o senhor Sebastião à vida. Nesse sentido, o mínimo que se pode esperar é que o condutor do veículo responda dolosamente, pela covardia de seu ato. Olho por olho, dente por dente. É essa a lei do “Talião”, que nunca foi tão atual, embora escrita em 1.780 a.C!

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